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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Seis mil enfermeiros boicotam serviços

Profissionais de seis especialidades de enfermagem exigem ser pagos como especialistas.

27 de junho de 2017 às 09:09

Os enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica ameaçam parar os blocos de partos de todo o País, a partir do dia 3 de julho, se não passarem a receber como tal. O problema, refere a Ordem dos Enfermeiros, afeta um total de cerca de 6000 profissionais, que incluem também especialistas em saúde Comunitária, Médico-Cirúrgica, Reabilitação, pediátrica e mental.

Sem uma resposta que vá ao encontro dos enfermeiros, os serviços das várias unidades de saúde de norte a sul do País estão em risco de rutura. Os especialistas vão prestar cuidados de enfermagem geral e não especializada. "Exigimos uma resposta do Ministério da Saúde para um problema que já conhece há um ano e meio. O ministério pode criar uma solução transitória para estes profissionais e mais tarde colocar em discussão a carreira", explica ao CM Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros.

Numa carta dirigida ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e ao primeiro-ministro António Costa, a Ordem alertou para "a pretensão já anunciada pelo hospital Amadora-Sintra de contratar tarefeiros para substituir os enfermeiros especialistas.

"Não vamos permitir que qualquer ameaça seja concretizada. Quem não sabe gerir, pressiona. Enquanto for só ameaça", alerta a bastonária Ana Rita Cavaco.

O CM confrontou o Ministério da Saúde com a posição dos enfermeiros e o recurso dos hospitais a tarefeiros, mas não obteve resposta.

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