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Adeus, centro da cidade? Olá, T3 com escritório

Saiba como o teletrabalho está a mudar as escolhas habitacionais em Portugal.

05 de janeiro de 2026 às 11:15

Já lá vai o tempo em que escolher casa era, antes de tudo, escolher distâncias. Quantos minutos até ao escritório? Quantas estações de metro entre a casa e o trabalho? Hoje, essa lógica começa a parecer que existiu numa outra vida.

O teletrabalho deixou de ser exceção para se tornar regra para uma parte significativa dos portugueses. Cerca de 22% da população empregada trabalha atualmente à distância, total ou parcialmente, e essa mudança está a redesenhar o mapa habitacional do país. A casa já não é apenas o lugar para descansar. É também onde se trabalha, se estuda, se cria e se passa mais tempo do que nunca.

Como resume Júlio Quintela, COO da Zome, “o teletrabalho transformou a casa. Já não se trata apenas de dormir e viver. Trata-se também de trabalhar, de ter flexibilidade. Quem escolhe bem hoje pondera não só a localização, mas a função da habitação”.

Quando o espaço vale mais do que a centralidade

Com o portátil permanentemente aberto na sala ou num quarto, o espaço passou a ser um bem essencial. Não surpreende, por isso, que a tipologia T3 tenha ganhado protagonismo no pós-pandemia. Uma divisão extra deixou de ser luxo: tornou-se necessidade.

Muitos portugueses trocaram a proximidade ao centro das cidades pela possibilidade de ter um escritório em casa, de separar trabalho e descanso e ganhar luz natural. Os T1, outrora símbolo da vida urbana moderna, perderam atratividade face a T2 e T3 com divisões adaptadas a um uso multifuncional.

A nova geografia de quem trabalha à distância

À medida que o centro perde algum peso, as periferias ganham vida. Concelhos como Amadora, Loures, Odivelas, Seixal, Sesimbra ou Oeiras destacam-se como exemplos de forte crescimento da procura.

Mais longe dos grandes eixos urbanos, o fenómeno é ainda mais revelador. Fundão, Idanha-a-Nova ou Oliveira do Hospital ganharam novo fôlego graças à conectividade e à procura de tranquilidade sem abdicar de recursos digitais.

Os números confirmam a tendência. Em 2020, a região Centro passou a representar mais de 21% das vendas de habitação, segundo o INE, refletindo uma procura crescente por regiões com melhor relação entre custo, espaço e qualidade de vida.

Casas que já nascem a pensar no trabalho

O mercado imobiliário percebeu rapidamente os sinais de mudança. Já existem projetos com espaços comuns dedicados a coworking, salas de reunião partilhadas e plantas flexíveis.

Projetos como o Docks, em Matosinhos, ou o Condomínio Selva, em Lisboa, antecipam um novo conceito de habitação: viver e trabalhar no mesmo edifício, sem sacrificar conforto nem privacidade. “Num conceito cada vez mais valorizado. Estas soluções, ainda recentes, alinham Portugal com o que já se verifica em mercados como Boston ou Amesterdão, onde a habitação é pensada para responder à vida urbana contemporânea, em que casa e trabalho coexistem”, acrescenta o responsável da imobiliária 100% nacional.

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Júlio Quintela, Chefe de Operações da Zome

Mais espaço, mais valor… e mais pressão

Desde 2019, os preços das casas maiores cresceram mais rapidamente do que os das tipologias pequenas, sobretudo em zonas suburbanas. Em alguns mercados, a diferença entre arrendar um T1 no centro e um T3 na periferia encurtou de forma surpreendente.

No segundo trimestre de 2025, o preço mediano da habitação atingiu 2.065 €/m², segundo o INE. Ao mesmo tempo, o Banco de Portugal alerta para taxas médias de esforço das famílias superiores a 35% do rendimento disponível em várias áreas urbanas.

Curiosamente, a conectividade digital tornou-se um fator de valorização imobiliária tão importante como a proximidade a transportes. Em alguns territórios rurais, os preços cresceram acima da média.

A casa como centro de tudo

“Estamos perante uma mudança estrutural no modo como os portugueses encaram o ato de comprar casa. O fator ‘metro quadrado emocional’ ganhou relevo: não basta estar perto de tudo, é preciso que a casa sirva todas as dimensões da vida moderna”, comenta Júlio Quintela.

Assim, mais do que uma tendência, estamos perante uma mudança estrutural.

Talvez o centro da cidade continue a seduzir. Mas, para muitos, o verdadeiro centro é agora outro: aquele onde a vida acontece a tempo inteiro, entre reuniões online, janelas abertas e um quarto a mais.


Este conteúdo foi produzido pela ZOME.

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