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Milhares de portugueses podem ter esta doença sem o saber

Muitas pessoas vivem durante anos com doença renal crónica sem qualquer sintoma evidente. Pela primeira vez, um estudo nacional vai tentar descobrir quantos são, onde vivem e qual a verdadeira dimensão deste problema de saúde em Portugal

21 de julho de 2026 às 14:42

Pode não causar dor. Pode não provocar sinais de alerta. Pode evoluir durante anos sem que a pessoa se aperceba de que algo está errado. A doença renal crónica é frequentemente descrita como uma doença silenciosa e é precisamente essa característica que ajuda a explicar porque continua a ser diagnosticada, muitas vezes, apenas em fases mais avançadas.

Apesar de se estimar que afete até cerca de 10% da população adulta, Portugal continua sem dados nacionais recentes e abrangentes que permitam conhecer a verdadeira dimensão desta doença. Sem essa informação, torna-se mais difícil planear respostas eficazes, reforçar estratégias de prevenção e promover o diagnóstico precoce.

É para responder a esta lacuna que nasce o Projeto HÉRCULES. Promovido pela Boehringer Ingelheim, com apoio científico da Sociedade Portuguesa de Nefrologia e apoio institucional da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, o estudo está a percorrer o País para recolher informação que poderá transformar o conhecimento sobre a saúde renal dos portugueses.

Pela primeira vez, um retrato nacional

O Projeto HÉRCULES corresponde ao primeiro estudo nacional de prevalência da doença renal crónica realizado em Portugal. A iniciativa pretende avaliar cerca de 3.000 pessoas, selecionadas aleatoriamente em Portugal continental, Açores e Madeira, garantindo uma amostra representativa da população.

O objetivo é simples na formulação, mas ambicioso na execução: perceber quantas pessoas vivem com doença renal crónica, onde estão e quais são as suas características clínicas e sociodemográficas.

Ao mesmo tempo, o estudo pretende identificar tanto casos já diagnosticados como situações ainda desconhecidas pelos próprios participantes. Trata-se de uma informação particularmente relevante numa doença que pode permanecer silenciosa durante muito tempo.

Diagnosticar antes de ser tarde

A deteção precoce é uma das grandes prioridades na abordagem à doença renal crónica. Quando identificada numa fase inicial, é possível acompanhar a evolução da doença de forma mais eficaz e contribuir para atrasar a sua progressão.

O problema é que muitas pessoas se sentem perfeitamente bem, mesmo quando já existem alterações na função renal. A ausência de sintomas evidentes faz com que muitos casos permaneçam por diagnosticar durante anos.

É precisamente por isso que projetos de investigação desta natureza assumem uma importância acrescida. Conhecer melhor a dimensão do problema é um passo essencial para definir políticas de saúde mais adequadas e direcionar recursos para as áreas em que são mais necessários.

Como funciona o estudo

Em vários concelhos do País, equipas qualificadas realizam entrevistas porta a porta, uma metodologia que procura aproximar o estudo da população e aumentar a representatividade dos resultados.

Os participantes selecionados são convidados a responder a um questionário e a realizar análises ao sangue e à urina, efetuadas em parceria com laboratórios Synlab. Estas avaliações permitem recolher informação clínica relevante e avaliar a função renal.

A participação é voluntária e desempenha um papel fundamental para o sucesso da investigação. Quanto mais robusta for a informação recolhida, maior será a capacidade de compreender a realidade da doença renal crónica em Portugal.

Conhecimento para melhorar a saúde

Mais do que um exercício estatístico, o Projeto HÉRCULES pretende criar uma base sólida de conhecimento científico sobre uma doença que continua envolta em muitas incógnitas. Os resultados permitirão compreender melhor a prevalência da DRC, identificar fatores de risco e analisar a sua relação com outras condições frequentes, incluindo doenças cardiovasculares e metabólicas.

A recolha de dados deverá estar concluída até ao final de 2026 e serão partilhados com a comunidade científica, profissionais de saúde, decisores e sociedade em geral.

Numa área em que a falta de informação tem sido um obstáculo à definição de estratégias eficazes, o Projeto HÉRCULES procura responder a uma pergunta fundamental: qual é, afinal, a verdadeira dimensão da doença renal crónica em Portugal? A resposta poderá ajudar a melhorar o diagnóstico precoce, a prevenção e os cuidados prestados aos portugueses nos próximos anos.


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