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Portugal investe em "ouro verde"

Portugal está a transformar o eucalipto num recurso-chave da bioeconomia, combinando investigação, indústria e floresta para produzir materiais sustentáveis que já começam a chegar ao mercado.

30 de abril de 2026 às 10:43

Da floresta ao laboratório, Portugal está a reinventar o eucalipto como matéria-prima do futuro, criando bioprodutos renováveis que respondem aos desafios da escassez de recursos e da descarbonização. Para Carlos Pascoal Neto, diretor-geral do RAIZ, o ponto de partida é claro: “A humanidade enfrenta atualmente dois grandes desafios: a escassez de recursos e, por outro lado, as alterações climáticas que estão associadas. A floresta de produção, em particular a floresta de eucalipto e a indústria de pasta e papel, desempenha um papel fundamental.”

Em Aveiro, no RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e do Papel, a investigação acelera a cada ano. Ali, a madeira é mais do que fibra e “o eucalipto é muito mais do que madeira e papel. É uma verdadeira biofábrica capaz de gerar energia, produtos químicos verdes e soluções alternativas aos recursos fósseis”, sublinha.

Nos laboratórios, a celulose é apenas o início. Trabalham-se também os biocompósitos, capazes de substituir polímeros fósseis, e os bioquímicos obtidos a partir da lenhina, que já estão a ser estudados como alternativas sustentáveis para adesivos, revestimentos e outros materiais industriais. Além disso, a indústria prepara-se para uma nova geração de e-fuels produzidos com CO2 biogénico captado nos próprios processos industriais, uma solução promissora para reduzir emissões e descarbonizar transportes. Nas palavras do investigador, “cada parte do eucalipto tem um novo propósito”.

O objetivo é ambicioso: aproveitar integralmente a madeira e transformar a floresta num pilar central da nova bioeconomia, fazendo emergir produtos antes apenas possíveis à custa do petróleo.

A humanidade enfrenta atualmente dois grandes desafios: a escassez de recursos e as alterações climáticas. A floresta plantada, em particular a floresta de eucalipto e a indústria de pasta e papel, desempenha um papel fundamental
Carlos Pascoal Neto

Diretor-geral do RAIZ

Ciência que transforma

O trabalho desenvolvido no RAIZ revela o potencial de uma floresta gerida com conhecimento. “O RAIZ é um centro de investigação, desenvolvimento e inovação dedicado à bioeconomia de base florestal, associado à floresta de eucalipto e à indústria de pasta e papel, que é um player relevante no domínio da bioeconomia florestal”, explica Carlos Pascoal Neto. A investigação leva a novas aplicações industriais, mas também contribui para a digitalização, a gestão sustentável e a modernização da floresta portuguesa.

Catarina Novais, diretora de Marketing da The Navigator Company, reforça esta visão estratégica: “Portugal é hoje uma referência mundial na fileira da pasta e do papel, graças a um modelo de floresta plantada que alia produtividade, sustentabilidade e inovação.” Para a responsável, esta floresta é muito mais do que um recurso: “É uma peça-chave na construção de uma bioeconomia de base florestal, capaz de substituir materiais fósseis por alternativas renováveis e biodegradáveis, criando valor para o País, para as pessoas e para o planeta.”

Reconhecido como um dos centros europeus mais avançados em investigação florestal aplicada, funcionando como ponte entre universidades, indústria e novos negócios baseados em fibra natural, o RAIZ acelera a inovação em bioeconomia florestal. E, da cosmética aos nutracêuticos, dos biocompósitos aos combustíveis sintéticos, aquilo que cresce na floresta portuguesa está a abrir portas a indústrias completamente novas.

O objetivo é ambicioso: aproveitar integralmente a madeira e transformar a floresta num pilar central da nova bioeconomia.

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Embalagens que substituem plásticos de uso único

É também em Aveiro que nasce uma das apostas mais visíveis da Navigator: a fábrica de celulose moldada, inaugurada em 2024. Aqui, a fibra de eucalipto ganha forma em embalagens rígidas, biodegradáveis e recicláveis, concebidas para substituir plásticos de uso único.

O portefólio já inclui várias linhas de produtos que chegam ao dia a dia dos consumidores: pratos, tigelas e embalagens para takeaway, rígidas, seguras e que desaparecem da natureza em semanas. “Estamos a substituir plásticos por soluções sustentáveis”, explica Luís Rodiles, diretor da área de negócios de fibra moldada.

A inovação avança ainda para soluções mais técnicas, como embalagens para carne e peixe e refeições prontas, preparadas para separar corretamente papel e plástico, facilitando a reciclagem. “Transformamos fibra de eucalipto em soluções para a indústria alimentar e cosmética. Estamos a substituir derivados do petróleo com inovação 100% portuguesa”, reforça Luís Rodiles.

A fábrica já tem capacidade para produzir cerca de 100 milhões de unidades por ano, posicionando Portugal como um dos líderes europeus em embalagens sustentáveis e abrindo portas a novos mercados.

O eucalipto é uma verdadeira biofábrica capaz de gerar energia, produtos químicos verdes e soluções alternativas aos recursos fósseis
Carlos Pascoal Neto

Diretor-geral do RAIZ - Instituto de Investigação da Floresta e Papel

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Portugal na linha da frente

O trabalho conjunto entre floresta, indústria e investigação colocou Portugal entre os países mais avançados na bioeconomia de base florestal. E o impacto vai muito além do papel tradicional. “O futuro da indústria é circular, limpo e feito com raízes bem assentes em ciência”, afirma Carlos Pascoal Neto. Daqui saem produtos que já chegam a mercados internacionais e posicionam o País como um polo tecnológico em rápido crescimento.

Para Catarina Novais, esta evolução só está a começar: “Mais do que um posicionamento de marca, esta é uma afirmação de compromisso com a criação de valor sustentável, em total alinhamento com o propósito da empresa: orientado pelas pessoas e pelo planeta.” A visão é clara: uma floresta plantada com ciência, gerida com inteligência e valorizada através da inovação industrial.

Portugal é hoje uma referência mundial na fileira da pasta e do papel, graças a um modelo de floresta plantada que alia produtividade, sustentabilidade e inovação
Catarina Novais

Diretora de Marketing da The Navigator Company

A madeira que cresce em Portugal está, hoje, a alimentar fábricas, laboratórios e novas indústrias. E mostra que o eucalipto, tantas vezes mal compreendido, é afinal uma das chaves para um futuro mais sustentável, mais circular e mais preparado para os desafios globais. O verdadeiro ouro verde.

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