Vencedores do SME EnterPRIZE ganham visibilidade internacional como “Heróis da Sustentabilidade”
25 de julho de 2026 às 10:21Quando os representantes da Get2C subiram ao palco, em Bruxelas, na cerimónia europeia de fecho da quarta edição do SME EnterPRIZE – Prémio Europeu de Sustentabilidade, já não estavam apenas a apresentar um projeto português. Eram já parte de um grupo de 11 Pequenas e Médias Empresas (PME) consideradas como “Heróis da Sustentabilidade” a nível europeu.
Um título que cabe às empresas que venceram o prémio em cada um dos 11 países que participaram na quarta edição do SME EnterPRIZE, e que envolveu mais de 8.500 PME em toda a Europa. Naquele palco, a consultora portuguesa partilhou o reconhecimento com empresas de outros dez países, com negócios que vão do cimento de baixo carbono à transformação de plástico, inclusão de pessoas com deficiência e regeneração de água sem químicos, entre outros. Em comum, têm a integração exemplar da sustentabilidade na sua atividade empresarial.
A dimensão europeia é uma das marcas desta iniciativa, promovida pelo Grupo Generali e desenvolvida em Portugal pela Generali Tranquilidade. A PME nacional vencedora representa Portugal na cerimónia europeia e integra o grupo dos “Heróis da Sustentabilidade”. Uma visibilidade que se prolonga para além da cerimónia. As histórias, os projetos e os modelos de negócio das empresas são apresentados no site europeu e na comunicação internacional da iniciativa, dando às PME portuguesas mais uma forma de mostrar o seu trabalho fora do mercado nacional e chegar a instituições, empresas e potenciais parceiros com maior credibilidade.
Quatro caminhos para a sustentabilidade
Os vencedores portugueses que já estiveram nesta montra europeia ao longo de quatro edições mostram a diversidade de caminhos possíveis para a vitória nesta iniciativa. A Vasconcelos & Companhia, vencedora da primeira edição, através da Belcinto, apostou na redução de desperdícios e no prolongamento da vida dos produtos em pele. Seguiu-se, na segunda edição, a Miranda & Irmão, fabricante de componentes para bicicletas, com uma estratégia assente na economia circular, eficiência energética e inovação.
A EcoX, vencedora em 2024, encontrou uma forma de transformar óleo alimentar usado em detergentes ecológicos. Em 2025, a Get2C venceu com a “Viagem pelo Clima”, iniciativa que mobiliza cidadãos, empresas e municípios para a ação climática. São quatro percursos distintos que mostram como a sustentabilidade pode nascer na indústria, nos serviços ou na investigação, através da inovação tecnológica ou da inovação na educação ambiental.
Portugal entre os mais avançados
A projeção europeia destas empresas acontece quando Portugal apresenta de forma consistente resultados acima da média europeia na aposta das PME na sustentabilidade. O estudo desenvolvido para a Generali pela Universidade SDA Bocconi, feito a partir de um inquérito a 1.100 PME, indica que 49% das PME portuguesas estão a implementar uma estratégia de sustentabilidade. Desta forma, Portugal surge, a par de França, com o valor mais elevado neste indicador, de entre os 11 países analisados, e oito pontos acima da média europeia de 41%.
A nível europeu, e de entre as PME que já estão envolvidas nesta mudança, 68% identificam nesta transição vantagens competitivas, 70% reconhecem benefícios na gestão do risco, e 71% apontam ganhos de eficiência e produtividade. São também associados a um desempenho mais sustentável, o acesso a melhores condições de seguro (referido por 62%), e melhor acesso ao crédito (por 57%).
Um progresso ainda incompleto
Estes números são positivos, mas mostram também quanto falta fazer. Em Portugal, 51% das PME inquiridas ainda não começaram a implementar uma estratégia de sustentabilidade. Na Europa, a percentagem de PME empenhadas na sustentabilidade mantém-se praticamente estabilizada desde 2022. E outros dados do estudo revelam que pela primeira vez desde 2020, as barreiras institucionais são um problema maior do que as questões financeiras: entre 53% e 56% das empresas apontam a burocracia e a complexidade regulatória, a falta de incentivos públicos ou a ausência de um quadro legislativo claro, como barreiras à sustentabilidade. Quase metade admite ainda dificuldades em compreender plenamente os benefícios económicos da sustentabilidade.
Neste contexto, os riscos climáticos acrescentam pressão. E se mais de metade das PME (55%) se considera exposta a riscos relacionados com o clima, 59% destas empresas continuam sem ter seguros contra fenómenos extremos, e 74% não dispõem de cobertura para a interrupção da atividade. O que leva a concluir que o aumento da perceção do risco climático ainda não foi acompanhado pelo aumento dos níveis de proteção.
No entanto, o diagnóstico é claro: as empresas que avançaram na sustentabilidade reconhecem benefícios na competitividade, na eficiência e na gestão do risco, mas a preocupação com a sustentabilidade ainda não chegou à maioria das PME. Os exemplos que as empresas levaram a Bruxelas mostram o que já é possível fazer. E estudos como o da Universidade SDA Bocconi identificam o que falta: regras mais simples, incentivos, apoio à implementação e melhores instrumentos de proteção. O desafio já não é provar que a sustentabilidade cria valor, mas incentivar mais empresas a avançar nesse caminho.
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PME