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Um impulso que vale ouro

O Programa Impulso, financiado pelos Jogos Santa Casa, já atribuiu mais de 600 bolsas a atletas olímpicos, paralímpicos, surdolímpicos e universitários, ajudando-os a conciliar a alta competição com os estudos.

17 de agosto de 2026 às 09:00

Treinos, competições e a faculdade fazem parte da rotina de Clara Judas, Diogo Cancela, Patrícia Sampaio e de centenas de atletas portugueses. Desde 2013, o Programa Impulso tem criado condições para que o percurso académico possa acompanhar a carreira desportiva, através de bolsas de educação financiadas pelos Jogos Santa Casa. No décimo segundo episódio da iniciativa Boas Causas acompanhamos três histórias que mostram como este apoio faz a diferença.

Uma carreira dupla

Quando entrou pela primeira vez numa piscina, Diogo Cancela tinha apenas quatro anos. Um acidente na infância levou-o à natação por recomendação médica, mas aquilo que começou como recuperação acabou por se transformar numa carreira de alto rendimento. Estreou-se internacionalmente em 2018, representou Portugal nos Jogos Paralímpicos de Tóquio e conquistou a medalha de bronze em Paris 2024, com novo recorde nacional.

Diogo Cancela, nadador paralímpico e estudante
Diogo Cancela, nadador paralímpico e estudante FOTO: CStudio

Ao entrar na faculdade, teve conhecimento deste projeto: “Foi das melhores coisas que me aconteceu, porque é realmente uma grande ajuda”. Para o nadador paralímpico, este suporte vai além do presente: “Em todos os desportos em Portugal, o Projeto Impulso entra como plano B, aquela salvaguarda que é o nosso futuro. Temos de estar preparados para tudo o que possa acontecer em qualquer momento.”

Diogo Cancela a nadar com recurso a apenas um braço
Diogo Cancela a nadar com recurso a apenas um braço FOTO: CStudio

O mesmo desafio é vivido por Clara Judas. Atleta da Seleção Nacional de Ginástica Rítmica e estudante de Tecnologia Agroindustrial na NOVA FCT, encontrou na modalidade uma forma de expressão: “O que eu mais gosto é poder mostrar uma parte mais artística, poder expressar aquilo que sinto quando estou a fazer ginástica”, explica. Mas a exigência da alta competição torna difícil manter os dois percursos em paralelo e, “na maioria das vezes, temos de escolher ser atleta ou ser estudante”, admite.

Chegou ao Programa Impulso através da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU) e considera que a iniciativa “dá mérito aos atletas que conseguem conciliar os estudos com o desporto.”

Também Patrícia Sampaio conhece bem esta realidade. A judoca, medalhada internacional e olímpica, reitera que “conciliar uma carreira dual de atleta de alto rendimento e a parte académica não é fácil” e que, “em algum momento dessa dualidade”, muitos atletas ponderam desistir.

No seu caso, a entrada no programa aconteceu através do Comité Olímpico de Portugal e da Comissão de Atletas Olímpicos, enquanto a experiência universitária, diz, “ajudou-me a descobrir outros horizontes e a conhecer-me para além do judo”. Ter este incentivo pesa na decisão de continuar, uma vez que “pensamos duas vezes antes de desistir quando vemos que temos apoio do nosso lado para investir também nesta parte da carreira.”

Uma década a crescer

Criado em 2013, o Programa Impulso nasceu de uma parceria entre os Jogos Santa Casa e o Comité Olímpico de Portugal para responder a uma necessidade identificada pelos próprios atletas: prosseguir a formação sem comprometer a preparação para a alta competição. “Na altura, queríamos resolver um problema: dotar os atletas de bolsas de educação para que conseguissem continuar os seus estudos sem abdicarem da componente desportiva para a qual estavam a treinar”, recorda Nuno Pires, diretor da Unidade de Patrocínios dos Jogos Santa Casa.

Batizado inicialmente como Programa Bolsas de Educação Jogos Santa Casa, passou a chamar-se Impulso a partir de 2021, um nome que traduz bem o espírito de dar o empurrão certo, no momento certo, a quem mais precisa dele.

EM NÚMEROS - Programa Impulso • Criado em 2013 • Mais de 1,7 milhões de euros investidos em bolsas de educação • Mais de 600 bolsas atribuídas • 28 modalidades abrangidas • Apoia atletas olímpicos, paralímpicos, surdolímpicos e universitários

Ao longo de mais de uma década, foi alargando o universo de beneficiários. “Envolvemos aquilo que era a esfera também paralímpica. Portanto, o programa ficou com a dimensão olímpica, paralímpica e surdolímpica”, explica Nuno Pires. Mais recentemente, juntaram-se também os atletas universitários, através da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU). “Foi mais um caso de sucesso, porque atribuímos o maior número de bolsas dado em qualquer um dos anos e integrámos mais uma dimensão”, conta o diretor.

A expansão fez-se também nas modalidades abrangidas, acompanhando a diversidade do desporto de alto rendimento; em 2023, por exemplo, equestre e breaking entraram pela primeira vez no universo do programa.

Os resultados refletem esta evolução. Desde a sua criação, o programa investiu mais de 1,7 milhões de euros em bolsas de educação, atribuiu mais de 600 bolsas, abrange 28 modalidades e, entre os bolseiros, 41% são mulheres. “É muito interessante perceber que, em alguns casos, temos por trás de um engenheiro aeronáutico também um campeão do mundo. Temos a excelência na academia e a excelência no desporto”, sublinha Nuno Pires.

870

milhões
Dos Jogos Santa Casa, 870 milhões de euros foram entregues ao Estado.
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