O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Paulo Sousa, explica a iniciativa Boas Causas e como o dinheiro dos jogos sociais é devolvido à sociedade através do investimento em diversas áreas, da ação social à saúde, do desporto à proteção civil ou até à cultura.
01 de junho de 2026 às 10:23A maioria dos portugueses joga para ganhar. Mas, na prática, está também a financiar uma parte significativa das respostas sociais do País. É esta realidade dos jogos sociais, pouco visível para o grande público, que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) quer agora mostrar com a iniciativa Boas Causas, em parceria com a MediaLivre. No Correio da Manhã e na CMTV, vamos contar 13 histórias reais que contam com o apoio das receitas dos Jogos Santa Casa para continuarem a prosseguir as suas missões. Neste primeiro episódio, que marca o arranque da iniciativa, o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Paulo Sousa, explicou, na sede da instituição, em Lisboa, a visão que tem do projeto e o seu alcance.
A iniciativa “Boas Causas” está ligada aos Jogos Santa Casa. Como surgiu esta ideia e de que forma esta relação contribui para o apoio a diversas causas sociais?
A iniciativa Boas Causas surge, acima de tudo, da vontade de a Santa Casa mostrar aos portugueses a forma como são distribuídas as receitas dos jogos sociais do Estado pela sociedade, em áreas tão variadas como a ação social, a saúde, a educação, a proteção civil ou o desporto. Uma vontade que se alia à capacidade do grupo MediaLivre, através dos seus diferentes canais e suportes, como o CM ou a CMTV, de chegar diariamente a um grande número de pessoas, que poderão assim ficar a conhecer muitas histórias de vida daqueles que são tocados pela obra social apoiada com as receitas dos Jogos Santa Casa. Por isso, esta iniciativa vai também dar a conhecer o trabalho social que é desenvolvido graças à confiança que os portugueses depositam nos jogos sociais do Estado.
Como espera que a iniciativa “Boas Causas” impacte as comunidades beneficiadas e contribua para um maior envolvimento da sociedade civil no apoio a causas sociais?
Ao dar a conhecer aos portugueses a forma como são distribuídas as receitas dos Jogos Santa Casa por muitas entidades públicas em Portugal ao serviço da comunidade, estamos, por um lado, a informar as pessoas da importância que estas receitas têm diretamente na melhoria da vida das pessoas e, ao mesmo tempo, a sensibilizar os apostadores dos jogos sociais para a missão que desempenham em prol de uma sociedade mais desenvolvida e justa.
NO CORREIO DA MANHÃ E NA CMTV, VAMOS CONTAR 13 HISTÓRIAS REAIS NA SÉRIE INTITULADA “BOAS CAUSAS” QUE LEVARÃO OS ESPECTADORES A CONHECER MELHOR O UNIVERSO DAS CAUSAS SOCIAIS APOIADAS PELOS JOGOS SANTA CASA.NO CORREIO DA MANHÃ E NA CMTV, VAMOS CONTAR 13 HISTÓRIAS REAIS NA SÉRIE INTITULADA “BOAS CAUSAS” QUE LEVARÃO OS ESPECTADORES A CONHECER MELHOR O UNIVERSO DAS CAUSAS SOCIAIS APOIADAS PELOS JOGOS SANTA CASA.
Pode fornecer números concretos sobre o impacto dos Jogos Santa Casa na comunidade, incluindo quantas pessoas foram beneficiadas, em geral, e quantas beneficiaram da iniciativa “Boas Causas”, em particular?
r? Acima de tudo, é importante que os portugueses saibam que 97,3% das receitas dos jogos sociais do Estado são devolvidas à sociedade por diferentes vias, seja em prémios, distribuição por beneficiários, impostos ou pagamento aos mediadores dos Jogos Santa Casa, muitas vezes pequenos negócios familiares. Em 2025, por exemplo, os Jogos Santa Casa devolveram 3.057 milhões de euros à sociedade, sendo que, deste valor, 702 milhões de euros foram distribuídos diretamente para respostas sociais ou causas públicas em prol da comunidade. No total, os Jogos Santa Casa entregaram ao Estado, em 2025, cerca de 870 milhões de euros. É, por isso, que, numa campanha recente, enfatizámos a ideia de que “quando joga um português, ganham logo dois ou três”.
A origem social dos Jogos Santa Casa A dimensão social dos Jogos Santa Casa não é recente: está na sua génese. Em 1783, a criação da Lotaria Nacional foi autorizada para financiar instituições como o Hospital Real, a Casa dos Expostos e a Academia das Ciências. Desde então, o jogo funciona como um mecanismo de apoio coletivo: ao longo do século XX, os seus lucros permitiram expandir serviços de assistência, nomeadamente na proteção da infância. Mais tarde, receitas de novos jogos, como o Totobola, contribuíram, por exemplo, para a construção do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão. Assim, o ato de jogar tem estado sempre associado ao financiamento de causas públicas — uma lógica da Santa Casa que se mantém até hoje.Os jogos sociais são, há décadas, um instrumento de financiamento público e social. Uma parte significativa do dinheiro apostado não fica na instituição: volta para a sociedade sob diferentes formas, desde prémios até ao financiamento de políticas públicas.
O retorno das receitas dos jogos sociais da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) destina-se, na sua grande maioria, a projetos sociais. “Cerca de 97% do valor gerado pelos Jogos Santa Casa retorna à sociedade. Este é um número muito significativo”, sublinhou o Provedor da SCML, Paulo Sousa.
97,3%Correspondentes a 3 mil milhões de euros, em 2025
Os números são expressivos: centenas de milhões de euros todos os anos são distribuídos por várias áreas do Estado e por instituições sociais, financiando serviços essenciais que vão da saúde aos bombeiros, passando pela educação ou pelo apoio a idosos e crianças.
“De alguma forma, conseguimos, com esta iniciativa, dar a conhecer como a confiança que os portugueses nos conferem quando decidem jogar num dos jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é depois retribuída à sociedade de uma forma tão diversa, mas sempre tão relevante”, acrescentou Paulo Sousa. Mais do que um sistema de jogo, trata-se, assim, de um modelo de redistribuição social.
Impacto nas comunidades
Os efeitos fazem-se sentir em várias frentes, incluindo diretamente nas comunidades locais. Desde instituições sociais a projetos de proximidade, milhares de entidades beneficiam, todos os anos, destas verbas. Mas há também impacto económico. A rede de mediadores — mais de 5.200 pontos de venda de Jogos Santa Casa em todo o País — constitui uma fonte de rendimento para milhares de pequenos negócios.
“Os Jogos Santa Casa também têm um forte impacto, quer nos particulares quer nas famílias que jogam, porque uma grande parte daquilo que distribuímos são prémios, mas também em todos os mediadores, os mais de 5.200 pontos de venda em todo o País, que têm associados pequenos negócios que, em muitos casos, dependem exclusivamente desta atividade para sustentar famílias”, salienta o Provedor da SCML.
Grande parte para o Estado
Uma das maiores parcelas das receitas provenientes dos Jogos Santa Casa segue diretamente para o Estado. “Depois, há o contributo direto que fazemos ao Estado: mais de 800 milhões de euros foram, no último ano, entregues ao Estado”, destaca o responsável. Verbas que acabam distribuídas por vários ministérios e programas — da Saúde à Administração Interna — ajudando a financiar áreas consideradas prioritárias. No final, Paulo Sousa resumiu assim o impacto global: “Diria que é um agregador em termos sociais, mas um multiplicador muito relevante em termos económicos.
“BOAS CAUSAS”: A nova série da CMTV mostra histórias reais de quem recebe apoio dos Jogos Santa Casa. A série de 13 episódios, “Boas Causas”, será exibida ao longo de 13 semanas, com emissão às terças-feiras, entre as 18h00 e as 19h00, e às sextas-feiras, entre as 22h00 e as 23h00. A série levará os espectadores a entrar no universo das causas sociais apoiadas pelos Jogos Santa Casa. Ao longo dos episódios, serão visitadas 13 entidades diferentes, mostrando o trabalho desenvolvido e o impacto direto na vida das pessoas. O projeto dá voz aos profissionais e utentes que beneficiam com estas respostas, aproximando o público de uma realidade muitas vezes invisível — a de que, por trás de cada aposta, existem histórias concretas de apoio, inclusão e mudança.97,3%
Correspondentes a 3 mil Milhões de euros, em 2025
2,7%
Proteção Civil
59,5%
Ação Social
11%
Desporto
2,2%
Outras contribuições para o Estado
3,3%
Cultura
15,7%
Saúde
4,9%
Regiões Autónomas