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No Centro Ferreira Borges jovens e idosos convivem com a comunidade

No coração de Lisboa, o Centro Intergeracional Ferreira Borges, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, prova ser possível envelhecer sem perder a autonomia nem a alegria e em convívio com outras gerações. Define-se como uma residência colaborativa, tem uma missão muito válida no contexto atual e é sustentada pelas receitas dos Jogos Santa Casa

22 de junho de 2026 às 09:00

Cada vez que um português joga nos Jogos Santa Casa, está a contribuir para financiar respostas sociais que mudam vidas reais. É o caso do Centro Intergeracional Ferreira Borges, em Campo de Ourique, onde envelhecer não significa abdicar da liberdade, da autonomia nem da ligação à comunidade. Este é o destino do quarto episódio da série “Boas Causas”, uma iniciativa dos Jogos Santa Casa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), em parceria com a CMTV e o jornal Correio da Manhã, da Medialivre.

Música para animar o dia

No seu apartamento no Centro Intergeracional Ferreira Borges, Maria Odete Dores Catuna, 86 anos, tem sempre música. Mal chegou, ligou o rádio. “Estou sempre na Antena 2, desde que me levanto até ao fim do dia. Só vejo televisão às oito horas para ver os telejornais, gosto de saber o que se passa. A música está sempre.”

Maria Odete Dores Catuna,86 anos, gosta de ouvir música no seu apartamento no centro
Maria Odete Dores Catuna,86 anos, gosta de ouvir música no seu apartamento no centro FOTO: CStudio

O apartamento onde vive não é um quarto de lar. Luminoso e acolhedor, é a casa de Maria Odete. “Eu sou autónoma, faço as minhas coisas. Acho que devia haver mais apartamentos destes para pessoas que gostam de ser independentes, ou que não se importem de conviver com outras pessoas. Continuavam a viver a sua vida, mas com acompanhamento fora do apartamento. A coisa mais importante que me aconteceu nos últimos anos foi vir para aqui.”

Residência colaborativa

O envelhecimento da população portuguesa é uma realidade cada vez mais evidente. E um dos maiores riscos que lhe está associado continua a ser o isolamento. O Centro Intergeracional Ferreira Borges, inaugurado em maio de 2021 no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa, nasceu para responder a esse desafio. Não como um lar tradicional, mas como uma residência colaborativa onde cada pessoa mantém a sua vida, os seus hábitos e a sua autonomia.

O edifício integra nove apartamentos, seis individuais e três duplos, onde cada residente mantém a privacidade e a liberdade, beneficiando ao mesmo tempo de apoio técnico e de espaços comuns de convivência, do refeitório às salas de atividades. Atualmente, dá resposta a 130 pessoas em centro de dia e a 12 em regime de Residência Colaborativa.

Um modelo de co-housing que rompe com a institucionalização tradicional. “São espaços abertos a todas as idades e a toda a comunidade e faz-se muito um trabalho de estimulação, desenvolvimento de competências e, portanto, chegamos a pessoas e a públicos muito diferentes”, explica Isabel Araújo, diretora do Centro.

130

utentes
O Centro Intergeracional Ferreira Borges conta com 130 utentes em centro de dia

Um Centro com dinâmica

Os residentes do Centro Ferreira Borges não estão fechados sobre si mesmos. Continuam ligados ao bairro, às rotinas do quotidiano e à comunidade envolvente. “O que nós pretendemos nesta residência não é apenas uma residência assistida, mas uma residência colaborativa, onde todas as pessoas possam viver em comunidade e participar nas atividades que quiserem. Ou seja, não estão institucionalizados, eles mantêm a sua autonomia, a sua liberdade, continuam a ir às compras, ao café do bairro, não há horários. As pessoas vêm, os seus familiares vêm visitá-los”, explica Isabel Araújo. “Se precisarem de algum apoio, nós temos cá, mas se não, eles fazem a sua vida normalmente”, acrescenta.

Para José Manuel da Nova Ereira, a chegada ao Centro foi uma reviravolta. “Aqui temos atividades. Faço zumba, faço tai chi, que é uma das atividades de que eu mais gosto aqui, há pintura, gosto de cá estar. Morar aqui no Centro foi a melhor coisa que me aconteceu, senão estava mesmo no caos e aqui estou muito bem.” E encontrou também a amizade com o Artur, um “companheiro impecável, de poucas falas, mas é um bom amigo. E damo-nos bem.”

Maria José Raposo chegou numa fase igualmente difícil. “Foi muito bom ter vindo para cá. Eu estava a entrar numa altura muito depressiva e aqui melhorei com todas as atividades que faço, e sinto-me realizada e feliz.”

Maria José Raposo, residente, sente-se “realizada e feliz” no centro
Maria José Raposo, residente, sente-se “realizada e feliz” no centro FOTO: CStudio

São histórias diferentes com um denominador comum: pessoas que chegam em situação de fragilidade e encontram um recomeço. Mais do que garantir cuidados básicos, o Centro Intergeracional Ferreira Borges procura devolver o sentido de pertença, estimular relações humanas e permitir que cada residente continue a sentir-se dono da sua própria vida.

Esta abertura ao exterior é também um dos pilares do projeto InterAge, iniciativa da SCML que prevê transformar vários centros de dia da Misericórdia de Lisboa em espaços intergeracionais de convívio, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa.

A ampla missão da Santa Casa

O Centro Ferreira Borges é um ponto num mapa muito mais alargado. As respostas residenciais da SCML para pessoas com mais de 65 anos abrangem cerca de 500 pessoas em ERPI (Estrutura Residencial para Pessoas Idosas) e residência colaborativa. A instituição apoia ainda quase 1470 utentes idosos na área da habitação. Em 2025, o valor total desse apoio superou os 10 milhões de euros.

500

Pessoas
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tem 500 pessoas com mais de 65 anos em respostas residenciais da SCML

Na saúde, a Santa Casa gere três hospitais e três unidades de cuidados continuados integrados. Na ação social, o leque também é vasto, entre centros de dia, respostas de emergência, apoio a crianças e jovens no distrito de Lisboa, alimentação. Tudo sustentado, em parte significativa, pela percentagem que a instituição recebe dos resultados de exploração dos jogos sociais do Estado.

+1470

utentes
Há mais de 1470 utentes com apoio financeiro à habitação (mais de 10 milhões de euros em 2025)

Receitas dos Jogos a transformar vidas

Os Jogos Santa Casa são uma das principais fontes de financiamento social em Portugal. À SCML cabe 26,52% dos resultados dos jogos sociais do Estado, verba canalizada para projetos nas áreas da ação social, saúde, apoio a idosos, cuidados continuados ou respostas de emergência. “Cerca de 97% daquilo que é o valor gerido pelos Jogos Santa Casa retorna à sociedade. Este é um grande número que é importante referir”, explica Paulo Alexandre Duarte de Sousa, provedor da SCML. Só no último ano, mais de 800 milhões de euros foram entregues diretamente ao Estado, distribuídos por áreas tão distintas como a saúde, a proteção civil, a educação e o desporto.

97

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A esmagadora maioria das receitas dos Jogos Santa Casa, 97%, retornam à sociedade

“A confiança dos portugueses quando decidem jogar num dos jogos da Santa Casa é depois retribuída à sociedade de uma forma tão diversa, mas sempre tão relevante”, sublinha, resumindo os Jogos como “um agregador em termos sociais, mas um multiplicador muito relevante em termos económicos, explica Paulo Sousa.

+800

milhões de euros
Mais de 800 milhões de euros foram entregues ao Estado no último ano

O Centro Intergeracional Ferreira Borges é um exemplo concreto de como as receitas dos jogos se transformam em acompanhamento, atividades e combate ao isolamento.

26,52

%
Dos resultados dos jogos sociais, 26,52% são destinados à SCML

Boas Causas, Impacto Real: É esta ligação entre as receitas dos jogos e o impacto social que a iniciativa “Boas Causas” vem mostrar. Ao longo de 13 episódios, o Correio da Manhã e a CMTV contam 13 histórias que mostram como esse apoio é precioso para prosseguir missões e transformar vidas. O Centro Intergeracional Ferreira Borges é o quarto exemplo desta viagem. E é, por si só, uma demonstração do que pode acontecer quando o dinheiro dos jogos chega a quem dele precisa: vidas que ganham novo sentido, pessoas que voltam a sorrir, comunidades que se fortalecem.

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