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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Guerra no Líbano bloqueia negociações de paz

Irão diz que só se volta a reunir quando as tropas de Israel saírem do Sul do Líbano. Donald Trump renova ameaça de novos ataques.

22 de junho de 2026 às 01:30

A primeira ronda de negociações entre os EUA e o Irão, na Suíça, com vista a um acordo de paz, terminou com a delegação iraniana a ameaçar suspender o processo, caso Israel não se retire do Sul do Líbano. O primeiro sinal de que as coisas poderiam não correr bem foi dado pelo Irão no sábado, quando anunciou o regresso do bloqueio ao estreito de Ormuz “por tempo indeterminado”. Já com as delegações dos dois países reunidas em Lucerna, sob mediação do Paquistão e do Qatar, Donald Trump recorreu à sua rede social, a Truth Social, a pedir ao Irão para parar “imediatamente” o Hezbollah, ameaçando Teerão de que os EUA atacariam “com toda a força” caso não o fizer. Mais tarde, em entrevista à Fox News, concretizou: “Disse-lhes que, se fechassem o estreito, ficariam sem país. Eles [negociadores iranianos] nem sequer vão conseguir voltar para o seu maldito país.”

Mas o Irão não se deixou intimidar: abandonou o local das negociações e diz que só se volta a reunir quando os EUA cumprirem o artigo 1 do acordo temporário, “ou seja, o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, e a garantia da soberania e integridade territorial do Líbano”. E acrescentou: “As nossas Forças Armadas estão prontas para responder.” Quem não está disposto a ceder é o primeiro-ministro israelita. “Vamos permanecer na zona de segurança no Sul do Líbano durante o tempo que for necessário para proteger os estimados residentes do Norte e todos os cidadãos de Israel... Nada alterará este compromisso”, garantiu Netanyahu.

No primeiro dia das negociações foi abordada a questão dos ativos iranianos congelados e o alívio das sanções ao petróleo. Mas foi a situação no Líbano que acabou por marcar o encontro e lançar um manto de indefinição sobre o futuro das negociações, para desespero da Donald Trump.

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