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Quando tudo ruiu, a solidariedade ergueu Leiria

A tempestade Kristin deixou um rasto de destruição na Região Centro, expondo fragilidades antigas e criando novas urgências. Entre casas destruídas e vidas suspensas, a resposta coordenada de Novo Banco, Cáritas e Cruz Vermelha Portuguesa permitiu minimizar a tragédia

18 de junho de 2026 às 10:39

Em poucas horas, a tempestade Kristin, que atingiu o País em janeiro deste ano, transformou várias localidades da região de Leiria e zonas envolventes, como Pedrógão Grande, em cenários de destruição generalizada. A resposta articulada entre empresas, instituições sociais e comunidades locais, envolvendo Novo Banco, Cáritas e Cruz Vermelha Portuguesa, revelou-se determinante, porque garantiu não apenas o apoio imediato às populações afetadas, mas também uma reconstrução sustentada de vidas e territórios.

As intempéries que varreram Portugal deixaram um rasto particularmente severo na Região Centro. Em Leiria, multiplicaram- se os relatos de famílias que viram as suas casas invadidas pela água ou parcialmente destruídas, ficando expostas ao céu. Em algumas aldeias, o fornecimento de eletricidade foi interrompido durante dias, agravando as dificuldades de resposta. Em Pedrógão Grande, território já marcado por tragédias anteriores, o impacto de uma nova catástrofe natural voltou a fazer-se sentir com violência, reacendendo memórias difíceis e aprofundando fragilidades existentes. Quando a natureza destrói casas, memórias e referências, tudo muda num instante.

A resposta humanitária tornou-se decisiva no apoio às populações afetadas. No terreno, a ajuda ganhou forma através de uma rede articulada de empresas, instituições e voluntariado. O Novo Banco apoiou a Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima e a Cruz vermelha, duas entidades que estiverem sempre no terreno.

É neste contexto que surge a série “Humanidade em Ação”, uma iniciativa da Cruz Vermelha Portuguesa que, com empresas parceiras, em divulgação conjunta com a Medialivre, foram ao terreno mostrar o que está a ser feito em diversas causas sociais, com episódios a serem exibidos nos canais CMTV e Now.

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FOTO: CStudio

Banco de voluntários

O apoio do Novo Banco às populações afetadas pelas tempestades enquadra-se na estratégia interna de sustentabilidade e responsabilidade social. Reforçou o papel da instituição como agente ativo na comunidade, com iniciativas de impacto concreto. “O Novo Banco tem um compromisso claro com o apoio às comunidades onde está presente, sobretudo em situações de calamidade”, afirma Inês Soares, responsável pelas áreas Ambiental, Social e Governança da instituição. “Identificámos rapidamente as entidades que já estavam no terreno e trabalhámos em conjunto com a Cáritas e a Cruz Vermelha Portuguesa para garantir uma resposta eficaz e coordenada.”

Inês Soares, responsável pelas áreas Ambiental, Social e Governança do Novo Banco
Inês Soares, responsável pelas áreas Ambiental, Social e Governança do Novo Banco FOTO: CStudio

Neste caso, o apoio traduziu-se não só em financiamento, mas também na mobilização rápida de colaboradores para responder às necessidades mais urgentes no terreno. Durante duas semanas consecutivas, equipas de voluntários estiveram nas zonas afetadas, apoiando diretamente as populações na limpeza de espaços, distribuição de bens essenciais e recuperação inicial de habitações.

A capacidade de mobilização assenta no programa de voluntariado do Novo Banco, que assume um papel central na implementação de práticas solidárias. Integrado na política de responsabilidade social empresarial, promove o envolvimento dos colaboradores em iniciativas de impacto social, ambiental e educativo. Para isso, cada colaborador dispõe de um dia anual para participação em ações de voluntariado. Em situações de emergência como a vivida na região de Leiria e em Pedrógão Grande, este mecanismo permite uma resposta estruturada, rápida e alinhada com as necessidades identificadas no terreno. A par desta vertente, o Novo Banco mantém o seu foco na promoção da literacia financeira e digital e no compromisso com a sustentabilidade ambiental.

No caso da tempestade Kristin, o apoio humanitário — uma das vertentes deste programa — revelou-se determinante para reforçar a capacidade de intervenção das entidades locais. Através de ações concretas, orientadas para minimizar de forma imediata os efeitos sociais e económicos da catástrofe, este contributo ajudou a ampliar a resposta na Região Centro, chegando a populações particularmente vulneráveis.

Sem descanso

A intervenção destas instituições no terreno estendeu-se ao acompanhamento direto das famílias. “O objetivo foi ajudar as pessoas afetadas a reerguer os seus projetos de vida com dignidade. A tempestade teve um impacto muito significativo e deixou o território profundamente devastado. Encontrámos pessoas que perderam praticamente tudo”, explica Nélson Costa, diretor de Serviços da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima.

Nélson Costa, diretor de Serviços da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima
Nélson Costa, diretor de Serviços da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima FOTO: CStudio

Enquanto parte de uma rede nacional composta por 20 Cáritas Diocesanas, distribuídas pelo continente e regiões autónomas, a delegação de Leiria-Fátima atua com base na proximidade e no conhecimento do território. Apesar de contar com apenas seis colaboradores, conseguiu montar um sistema de apoio de forma quase imediata, visitando cerca de 200 famílias nas horas seguintes à catástrofe. Esta presença local permitiu identificar rapidamente as principais necessidades e ajustar a resposta. “Arranjaram-me fraldas, leite, roupa… Ajudaram-me ainda nas obras em minha casa”, recorda uma beneficiária, Inna Valeeva.

Entretanto, a resposta da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima entrou numa nova fase após o encerramento do Fundo de Emergência Social de Apoio às Vítimas da Tempestade Kristin, criado a 30 de janeiro. Um mês após a depressão, o fundo encerrou com quase dois milhões de euros angariados, segundo Nélson Costa. “Este momento representa uma etapa decisiva na resposta às famílias sinistradas, após semanas de levantamento e avaliação de necessidades no terreno.”

Entre as primeiras intervenções destacou- se a reconstrução da habitação de uma família monoparental — uma mãe com dois filhos, um dos quais com problemas de saúde —, que ficou desalojada na sequência da tempestade. Paralelamente, foram identificados outros casos prioritários, com base em critérios de necessidade, urgência e vulnera

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FOTO: CStudio

Além da reconstrução de casas, emergiram necessidades críticas adicionais: pessoas sem viatura para se deslocarem para os empregos, trabalhadores independentes que perderam a fonte de rendimento e famílias que, apesar de manterem as habitações, viram os seus bens destruídos pelas inundações, sem seguro ou capacidade financeira para substituir eletrodomésticos e mobiliário.

Em Pedrógão Grande, a resposta integrou igualmente uma forte componente psicológica. Num território onde o impacto emocional das catástrofes é particularmente profundo, o apoio foi acionado imediatamente pela autarquia e não se limitou aos danos materiais.

“Logo após a tempestade, o nosso objetivo foi prestar primeiros socorros psicológicos”, recorda Clara Almeida, coordenadora da ação social da Cruz Vermelha Portuguesa de Coimbra. "As pessoas estavam em choque, com medo e desorientadas. Era essencial ajudá-las a recuperar alguma estabilidade emocional.”

Em articulação com a Proteção Civil, a Cruz Vermelha assegurou operações de evacuação, transporte, acolhimento e acompanhamento psicossocial. Esta intervenção, conduzida por equipas multidisciplinares, não se limitou à fase de emergência, prolongando-se no tempo para responder a necessidades persistentes.

Isabel Ferreira, beneficiária, com Clara Almeida
Isabel Ferreira, beneficiária, com Clara Almeida FOTO: CStudio

Isabel Ferreira é um dos rostos dessa realidade: “Fiquei sem nada. Fui levada para um pavilhão desportivo, onde tive apoio da Cruz Vermelha. Essa ajuda foi muito importante.”

O impacto da depressão Kristin exigiu uma resposta estruturada e contínua para minimizar prejuízos e proteger as populações. A Cruz Vermelha Portuguesa mobilizou-se a nível nacional, em várias frentes, incluindo a distribuição de milhares de lonas para reparação provisória de telhados, a entrega de geradores em zonas afetadas por cortes prolongados de energia, a ativação de equipas de acompanhamento a desalojados e o Programa de Restabelecimento de Laços Familiares, dirigido a pessoas que perderam contacto com as pessoas mais próximas.

Em permanência no terreno, a organização ativou ainda infraestruturas de apoio, como Zonas de Concentração e Apoio à População (ZCAP) nas áreas afetadas e espaços de descanso (REST SPACE) para operacionais e vítimas, garantindo uma resposta integrada à catástrofe.

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