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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Houston, temos vários problemas: Seleção empata na descolagem do Mundial

Portugal só fez um remate enquadrado. Ainda bem que deu golo.

18 de junho de 2026 às 01:30

Três, dois, um. Um pontinho apenas para a Seleção, numa descolagem sem sucesso neste Mundial. Se a frase ‘Houston, temos um problema’ se tornou uma inevitabilidade pelo local do jogo, teremos de corrigir a quantidade: são várias as situações a trabalhar numa equipa que termina um jogo com a República Democrática do Congo com um só remate enquadrado na baliza.

E a sorte é que deu golo. Logo depois da bonita homenagem a Diogo Jota no hino, com os pais emocionados na bancada, Portugal entrou com a corda toda e foi João Neves, o menino de 1,74 metros, esse sim, com uma propulsão a prometer-nos a lua num cabeceamento perfeito a um cruzamento de Pedro Neto.

Estavam corridos seis minutos em Houston, e estaríamos todos longe de imaginar o marasmo que invadiu o relvado texano. A equipa de Martínez entrou num jogo de posse de bola inócua, que lhe valeu até alguns assobios de aborrecimento de quem vai ao futebol para, dentro do possível, ver golos. E viram, tal como toda a defesa portuguesa. Ficaram todos apenas a assistir a Wissa a marcar, também de cabeça, na sequência de um pontapé de canto, em cima do intervalo. 1-1.

O selecionador gosta de numerologia, vamos então aos números. Portugal termina a primeira parte com 80% de posse e faz um total absurdo de dois remates, contra seis dos congoleses. Pobrezinho.

Até aí com quatro ‘médios’, Roberto Martínez deixou a tática do quadrado para a história de Nuno Álvares Pereira e tirou Bernardo Silva, com Francisco Conceição a ter o mérito de animar um pouco as hostes. Um pouco, só.

Os momentos de maior emoção acabaram por ser anulados, ora por fora de jogo - grande golo de João Cancelo, de bicicleta -, ora por falta de um avançado doCongo, que depois atirou a bola ao poste da baliza de Diogo Costa. No melhor período da segunda parte, por volta do minuto 70, Ronaldo atirou duas oportunidades para fora, o que também acontece do lado congolês, num lance de perigo que até começa num canto nacional.

Por falar em cantos lusíadas, tão português como a ligação ao mar é a profetização da desgraça e agora encontrar justificações no veraneio de Palm Beach. Não será culpa da praia, mas há areia nesta engrenagem. Sim, Houston, temos vários problemas. Ainda assim, há muito tempo pela frente. A lua continua ali, no mesmo sítio. É preciso é corrigir a rota.

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