Casa do Impacto nasceu em outubro de 2018
21 de outubro de 2021 às 14:091 / 5
Foi há três anos que o Convento de São Pedro de Alcântara ganhou nova vida e propósito. Em outubro de 2018, nasceu a Casa do Impacto, o ‘hub’ de inovação e empreendedorismo social e ambiental da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). Neste curto espaço de tempo, mais de 200 empreendedores, 48 startups e dois milhões de euros foram injectados na economia, procurando-se cumprir o objetivo de posicionar Lisboa como a Capital Europeia da Inovação Social.
Desde a fundação, a Casa do Impacto dedica-se a trazer para a economia temas como a diversidade e inclusão, o emprego, a saúde, a educação e o ambiente, que constam nos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.
Essas são também as áreas que se mostraram mais fragilizadas com a crise pandémica, sendo missão do ‘hub’ incrementar o talento e potencial português no setor social, e potenciar respostas que já se provaram eficazes para combater os desafios atuais. Atualmente, são 48 os projetos residentes no Convento. Inês Sequeira, diretora da Casa do Impacto, justifica que "a retoma económica tem que passar pelo empreendedorismo de impacto para se poder efetivamente chamar ‘retoma’".
Por isso, ao longo dos três anos, e como forma de potenciar uma nova geração de startups, o ‘hub’ dinamizou três edições do programa de aceleração e capacitação ‘RISE for Impact’, que serviu de rampa de lançamento para mais de 90 startups, com apoios que rondam no total os 150 mil euros; lançou quatro edições do concurso anual para a inovação social Santa Casa Challenge que já distribuiu mais de 95 mil euros em prémios; criou o programa de investimento com 500 mil euros ao ano para negócios em fase de pre-seed e seed (o+PLUS) e desenvolveu eventos e parcerias nacionais e internacionais, nomeadamente com a Web Summit, Women4Climate, Planetiers World Gathering, Impact Investment Forum, Fintech House e mais recentemente com a London School of Business and Economics (LSE).
"Temos sentido uma procura tremenda por parte de entidades públicas e privadas que querem integrar a sustentabilidade nas suas agendas e no dia a dia dos seus negócios. Habitualmente são apenas as empresas quem lucra, mas com um foco na sustentabilidade também todos podemos lucrar", sublinha.
Festa com música e boas ideias
O evento que marcou o terceiro aniversário da Casa do Impacto aconteceu na semana passada no novo espaço Lisboa Social, na Mitra. Para além do balanço dos três anos de atividade do ‘hub’, a ocasião envolveu vários momentos culturais, com atuações do projeto Lisboa Criola e da cantora Selma Uamusse, um ‘Demo Day’ com a apresentação de 13 das startups incubadas (MadPanda, Reshape Ceramics, Nevaro, Spot Games, Agência Manicómio, Skizo, Impulso, Cosmos Pics, Ambigular, MyPolis, 55+, The Equal Food Co. e UBBU), e ainda a segunda edição do Social Good Summit Lisbon.
Quem perdeu a celebração desta nova ordem económica na cidade, pode revisitar-se o evento na página de Facebook da Casa do Impacto.
Novo polo na zona oriental de Lisboa
Para a diretora da Casa do Impacto, Inês Sequeira, mais do que elencar o que foi feito, importa olhar para o futuro. E o futuro da Casa do Impacto terá a Mitra como próxima morada, capaz de albergar três vezes mais negócios de impacto.
"A zona oriental de Lisboa marca um futuro promissor para o país. O Lisboa Social Mitra, no antigo espaço da Mitra, vem integrar a vertente social nas zonas do Beato e Marvila, que serão o novo polo do empreendedorismo da cidade, impulsionado pelo Hub Criativo do Beato. O impacto faz seguramente parte desse futuro, o que vai permitir dinâmicas pela proximidade geográfica de vários players muito relevantes e no lançamento do que se faz de melhor e mais inovador em Portugal. A economia só faz sentido se for assim, também social."
Para a timoneira do projeto, "a era da Inovação Social só começou agora". "Continuaremos a apostar no desenvolvimento do ecossistema de empreendedorismo de impacto português, desafiando todos os empreendedores a fazerem mais e melhor. Também continuaremos a procurar as melhores parcerias para podermos aproveitar a oportunidade única de posicionar Lisboa como a capital europeia do empreendedorismo de impacto, a primeira cidade com este selo de mudança e que, uma por uma, pode contagiar todas as outras cidades do País e do Mundo", adianta Inês Sequeira.
Mais pelo ambiente
Durante o evento que assinalou o terceiro aniversário do ‘hub’, Edmundo Martinho, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, referiu precisamente que "a palavra chave para o futuro da economia social é ‘impacto’". "Os fundos sociais disponibilizados vão dotar as pessoas de capacidade adicional e promover a independência, autonomia e participação para canais de acesso facilitados para impactar a vida das pessoas e comunidades. Se esses fundos não forem direcionados para o impacto, então é uma oportunidade perdida", relembrou.
A sustentabilidade ambiental é ainda prioridade para o Hub, que defende que a regeneração deve acontecer pela via da inclusão e educação, através da requalificação dos profissionais, formação e educação na área e fomento à inovação no setor.
Social Good Summit discute o futuro
Para assinalar o seu terceiro aniversário, a Casa do Impacto organizou mais uma edição da Social Good Summit Lisbon, um evento internacional da Fundação das Nações Unidas, organizado em Portugal pela incubada It’s About Impact, empresa sem fins lucrativos, que produz conteúdo de impacto social.
Realizaram-se três painéis com convidados muito diferentes, mas com preocupações comuns. No painel ‘Diversidade e Inclusão’ participaram LJ Silverman, Head of LSE Generate, o músico e ativista Dino D'Santiago, Mariana Brilhante, co-fundadora do Speak, Mariana Barbosa, embaixadora das Chicas Poderosas. Falou-se sobre o caminho a percorrer para diversidade, que deve começar pelos decisores para se criar abertura e oportunidade, contagiando a sociedade em geral.
O segundo painel foi dedicado ao tema ‘Impacto Ambiental e Justiça Social’. Inês Sequeira, Nuno Brito Jorge, co-fundador da GoParity, Catarina Barreiros, fundadora da Loja do Zero, Christine Gould, fundadora e CEO do Thought for Food, discutiram a sustentabilidade como um todo – social.
Maria Manuel Leitão Marques, deputada no Parlamento Europeu, Edmundo Martinho, provedor da SCML, João Esteves, fundador da Diverge Sneakers, e João Pedro Machado, presidente do Conselho de Administração da Fundação Ageas, lideraram o painel O Pilar Social como motor do Plano de Resiliência’, discutindo a importância do empreendedorismo de impacto para o futuro da vida em comunidade.
Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, encerrou a conferência, com uma mensagem: "O momento que vivemos é particularmente simbólico, e mais do que enfatizar a capacidade que a economia social teve para responder aos desafios até agora, temos que olhar para a oportunidade que a economia social tem para ser a ‘cola’ dos vários setores, a capacidade de responder às necessidades das pessoas e de trazer inovação."