Na Aldeia de Santa Isabel, instituição da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, vive gente de todas as idades. Para uns, é casa e família. Para outros, é a escola que lhes faltou. E também é amparo, feito de reciprocidade, para quem já chegou à velhice.
25 de fevereiro de 2021 às 08:52É preciso tomar corpo do movimento imparável da IC 19, até chegar a Albarraque, para chegar à Aldeia de Santa Isabel. O espaço do antigo Orfanato Escola Santa Isabel, edificado pelo Padre Franciscano Agostinho da Mota, em 1927, deu lugar a um singular e transversal projeto de ação social intergeracional, iniciado em 1986.
Nos seis hectares da Aldeia, com mais de 40 edificações, as ruas são ordenadas, limpas e lavadas de branco e azul, tal como em muitas outras aldeias de Portugal. Esta fica na periferia da grande Lisboa, mas onde já se respiram os ares da Serra de Sintra. Enquanto instituição de ação social comunitária, pertença da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), que recebe crianças, jovens e idosos. É uma "casa para todas as idades", conforme a descrita por António Duarte Amaro, diretor da Aldeia.
Que respostas é possível encontrar nesta Aldeia especial?
Nesta ‘Casa do Homem de Todas as Idades’ a solidariedade entre gerações realiza-se diariamente ao nível residencial (casa de acolhimento para crianças e jovens; residência para idosos e residências de autonomia para idosos). Ao nível das respostas educativas e formativas, temos um Centro de Formação Profissional, com 12 Cursos, prestamos apoio na integração em contexto socioeducativo e na inserção profissional.
Quantas pessoas apoiam?
Atualmente, 315 pessoas entre crianças, jovens e idosos.
Como é um dia normal na Aldeia de Santa Isabel?
Sendo que as crianças e idosos residem permanentemente na Aldeia, das 9h da manhã até às 17h, a Aldeia fervilha de jovens que alternadamente estão em aprendizagem nas oficinas ou nas salas de aula, com os idosos passando pelas ruas, jardins, cumprimentando amigos nas oficinas ou tomando o seu café ou pequeno almoço na Bar da Praça da Alegria – Praça Central da Aldeia. A intergeracionalidade promove-se a si própria considerando que desde o espaço arquitetónico, (uma típica aldeia saloia) à atmosfera das oficinas passando pelo restaurante/refeitório comum, o café da Aldeia, a Praça da Alegria, a igreja, os amplos jardins e espaços verdes, tudo proporciona ambiência pedagógica, convivialidade dinâmica entre os formandos, formadores, numa relação de trocas afetivas autênticas e reciprocamente enriquecedoras.
Que alterações a pandemia trouxe?
A pandemia, sobretudo quando apelou ao confinamento geral, foi particularmente severa para com os idosos obrigando-os ao refúgio das suas instalações e privando-os quer da convivialidade diária (embora tivessem uma Aldeia quase deserta para circular) quer das visitas dos seus familiares. No entanto prosseguiram internamente, as atividades diárias de Terapia Ocupacional e Animação Sociocultural, dado que as equipas de cuidadores se mantiveram em permanência.
E relativamente aos mais jovens?
Os jovens da formação profissional entraram no sistema de formação à distância pese embora todas as dificuldadesdeste modelo formativo aplicado ao ensino de profissões que exigem trabalho manual oficinal. Quanto às crianças que residem no Centro de Acolhimento da Aldeia entraram também no ensino á distância, cumprindo em salas de aula adaptadas para o efeito as exigências e disciplina dos respetivos professores, beneficiando, nos tempos livres, de todo o espaço da Aldeia, incluindo do campo de jogos e do amplo pavilhão gimnodesportivo.
Qual foi a decisão mais difícil de tomar neste período?
Implementar um plano de contingência que preservasse sobretudo os mais frágeis, os idosos. - Como se foi colmatando a distância social e o inevitável isolamento? - As crianças seguem os ritmos normais de ensino à distancia tendo o espaço da Aldeia disponível e protegido para os tempos livres e fins de semana. Os idosos mantêm, ao nível interno das respetivas residências, as atividades de animação sociocultural programadas, contactando os familiares à distância, dado que as visitas familiares presenciais foram reduzidas ao mínimo. Aqueles que têm condições psicomotoras circulam, sem qualquer risco, nos espaços circundantes das residências.
É grande a expectativa sobre a vacinação e o anseio de regressar à vida normal?
Não houve nenhuma infeção por Covid-19 entre os 50 idosos, já todos receberam a segunda dose da vacina. Não obstante, muitos mantêm reserva à circulação pela Aldeia nos moldes antigos.