Projeto Guardiões chega ao fim com balanço positivo. Região pode ser “laboratório vivo” de soluções para um futuro sustentável.
18 de dezembro de 2023 às 15:23O Alentejo é uma das regiões portuguesas com valores ambientais mais bem preservados. Simultaneamente, é uma das áreas do país que mais está a sofrer o impacto das alterações climáticas, com períodos de grande seca e outros fenómenos meteorológicos extremos a serem cada vez mais frequentes. Esta realidade motivou o lançamento do projeto Guardiões, que está na sua fase final, mas que nos últimos dois anos sensibilizou milhares de jovens, mobilizou dezenas de responsáveis e entidades e desenvolveu centenas de ações, conteúdos e projetos para enfrentarem os atuais desafios ambientais, com o foco no Alentejo.
"O balanço do projeto é muito positivo. Executámos todas as ações a que nos propusemos, com grande sucesso", afirma Luís Loures, presidente do Politécnico de Portalegre, a entidade que, com o Fórum da Energia e Clima e a Comissão Coordenadora de Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo), lançou esta iniciativa para dinamizar a transformação da região num grande laboratório vivo para desenvolver conhecimento, soluções e projetos que aumentem a sustentabilidade na região, no país e no mundo. Isto a partir de um grande envolvimento do setor público e privado e de uma forte sensibilização da sociedade civil e da população.
Criar "Guardiões"
Foi com este objetivo de "criar Guardiões" que a equipa do projeto esteve em 27 agrupamentos de escolas para realizar ações de sensibilização com alunos, professores e toda comunidade educativa dos municípios alentejanos. O objetivo fundamental foi alertar os alunos para o impacto das alterações climáticas e sensibilizá-los para a adoção de comportamentos ambientais responsáveis. Na mesma linha de educação ambiental, o projeto promoveu também várias ações de limpeza ambiental na região, nas quais envolveu dezenas de jovens de associações juvenis em Marvão, Castelo de Vide e Évora.
Desenvolvimento e divulgação de conteúdos
Da mesma forma, foi desenvolvida uma aplicação móvel, atualmente com centenas de utilizadores, que disponibiliza um conjunto de práticas para a redução do consumo de energia, água, geração de resíduos, desperdício alimentar e queima de combustíveis fósseis. A ideia é promover uma cidadania ativa para a sustentabilidade. Nesta lógica, o projeto criou também uma rede de dez sensores que medem continuamente a qualidade do ar em vários pontos do Alentejo e cujos resultados podem ser consultados, em tempo real, numa app dedicada.
Conferências mobilizam Alentejo
A primeira conferência teve como temática "Educação e Conhecimento" e realizou-se em Portalegre. Seguiu-se Sines, onde o tema foi "Energia e Transição Justa". A terceira conferência, sobre gestão dos recursos hídricos, decorreu em Beja. Em Évora teve lugar a quarta conferência deste ciclo, com o tema da "Mobilidade e Transporte Ferroviário". A conferência final, dedicada à "Economia Circular", aconteceu já em abril deste ano, em Portalegre.
Aplicar as boas práticas
Para o professor universitário, "o Alentejo pode ser um laboratório vivo, também do ponto de vista da implementação de medidas de mitigação do impacto das alterações climáticas". Na sua perspetiva, "é por aí que devemos ir. E é neste sentido que estamos a desenvolver novas propostas e novos projetos, quer de investigação, quer de implementação e desenvolvimento, ligados a esta temática", conclui.
Refira-se que o Projeto Guardiões é cofinanciado pelo Alentejo 2020/Portugal 2020, com o código ALT20-09-5864-FSE-000004
Politécnico ligado à sustentabilidade
O Politécnico tem um compromisso assumido com o desenvolvimento de ofertas formativas nesta área bem como na integração transversal destas temáticas nos cursos, na investigação, e na relação que mantem com o tecido empresarial e com a sociedade. "São áreas de intervenção prioritária, seja ao nível da formação, da investigação, da capacitação ou do desenvolvimento tecnológico, desde há muito tempo", refere Luís Loures.
Para o responsável da instituição, "não é por acaso que temos um centro de ‘Vocacional Excellence’ na área da transição energética no vetor hidrogénio. Não é por acaso que nós temos, ao nível da formação, uma academia para o hidrogénio. E não é por acaso que nós coordenamos uma componente do roteiro para a descarbonização na área das energias e dos gases renováveis". Segundo Luís Loures, "todos estes aspetos concorrem para a afirmação do Politécnico de Portalegre como uma estrutura de excelência a este nível".