Lista denuncia salário de cirurgião Eduardo Barroso

Ranking dos médicos com salários mais altos no Centro Hospitalar de Lisboa Central circulou publicamente.

05 de agosto de 2017 às 01:30
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O Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), que integra os hospitais de Santa Marta, D. Estefânia, São José, Santo António dos Capuchos, Curry Cabral e a Maternidade Dr. Alfredo da Costa, pagou mais de meio milhão de euros a apenas 40 médicos num mês.

A lista, liderada pelo cirurgião Eduardo Barroso, que apresenta um salário bruto superior a 24 mil euros, circulou publicamente no mês passado com o nome ‘Top 40 dos vencimentos do CHLC- Escandaloso!’.

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A maioria dos médicos, cujos salários foram divulgados, pertence à mesma unidade de Eduardo Barroso, o Hospital Curry Cabral. Há também clínicos do São José, de Santa Marta e do Dona Estefânia. São anestesistas e médicos de cirurgia geral, medicina interna e gastroenterologia.

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O documento que circulou pela comunidade médica revelava o salário-base de cada clínico, com um descritivo dos valores extra a receber, como os incentivos relacionados com atividades extra prestadas no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos em Cirurgia (SIGIC) e da atividade de transplantação. Os incentivos no âmbito dos transplantes variaram entre os 17 494 euros brutos, recebidos por Eduardo Barroso, e os 1900 euros recebidos por uma anestesista.

Ao CM, a Administração do CHLC disse que "tomou conhecimento de uma lista de salários divulgada pelas redes sociais", sublinhando que a mesma corresponde a fevereiro de 2016. "Esses pagamentos ocorreram naquele momento, não correspondendo a honorários constantes. As verbas totais podem resultar de incentivos na área dos transplantes, pagamento de horas extra ou prevenção, ou outros suplementos relativos a tarefas especializadas", explicou o CHLC, acrescentado que já foi instaurado um inquérito no sentido de se apurar a origem da divulgação.

Eduardo Barroso, por sua vez, explicou ao CM que "o salário médio ronda os sete mil euros e o base são cinco mil brutos" e que nem sempre chega aos 24 mil euros. "Nós, ou seja, eu e a minha equipa, recebemos consoante os transplantes que fazemos e nem sempre atinge esses valores", explicou, acrescentando que esses valores são legais. "Em 2016 fizemos mais de 140 transplantes hepáticos e os médicos que fazem transplantes têm de estar disponíveis 24 horas, 365 dias por ano", concretizou.

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Horas extra e gripe aumentam despesas   

O Centro Hospitalar de Lisboa Central registou um aumento de 9,7 milhões na despesa em junho de 2017 ,face ao mesmo período de 2016. Os custos operacionais chegaram aos 212,9 milhões quando no ano passado eram 203,2 milhões de euros.

Segundo o relatório de desempenho económico-financeiro, contribuíram para este aumento situações como "o Plano de Contingência da Gripe, em que a instituição foi o garante da assistência na Região da Grande Lisboa". Foram abertas mais de 100 camas no CHLC e estima-se que os encargos ascendam a 1,2 milhões de euros.

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Também ocorreu um acréscimo de 6,8 milhões de euros relacionados com a reposição salarial, a reposição das 35 horas semanais, o aumento do subsídio de refeição, o encargo com a equipa de neurorradiologia e o Sistema Integrado de Gestão de Inscritos em Cirurgia (SIGIC).

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