Associação quer consultas de menopausa
Proposto alargamento da consulta de planeamento familiar à menopausa. Estratégia Nacional está prevista no Orçamento do Estado.
Quase três milhões de mulheres em Portugal estão na fase de menopausa, mas não há uma consulta específica que as acompanhe. A Estratégia Nacional para os Direitos da Menopausa, prevista no Orçamento do Estado e que deveria arrancar até ao final de junho, é "essencial" para que as mulheres "deixem de ser silenciadas ou ignoradas", defende Cristina Mesquita, presidente da VIDAs- Associação Portuguesa de Menopausa. "Não há consultas de menopausa. Propomos aproveitar a capacidade instalada do SNS, alargando a consulta de planeamento familiar à menopausa. Atualmente, as mulheres quando deixam de menstruar, têm alta", explica ao CM.
Outra das propostas é apostar na formação dos médicos, nomeadamente os mais antigos. "Até 2019, os currículos dos cursos de Medicina não contemplavam a menopausa, pelo que em muitos casos as queixas não são reconhecidas. Se os profissionais de saúde não tiverem formação nesta área, caem nos erros de leitura e desvalorização", salienta. Outra das necessidades é a uniformização de todas as comparticipações existentes nas terapêuticas.
"Na terapêutica hormonal da menopausa há marcas que têm comparticipação numa dosagem e noutra não, o que não faz sentido e leva ao abandono terapêutico", explica Cristina Mesquita, que alerta para o perigo de esquecimento das mulheres que estão em menopausa: "Temos serviço de apoio e aconselhamento e muitas das mulheres que nos contactam são profissionais de saúde, que pedem ajuda para saber o que se passa com elas. As queixas principais são do foro emocional e há milhares de mulheres que estão sedadas, com ansiolíticos e antidepressivos, porque têm falta de respostas".
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