Corticeira que despediu mulher com tarefas inúteis recusa ir ao Parlamento

Empresa quer salvaguardar-se face aos processos em tribunal por ter despedido Cristina Tavares.

21 de março de 2019 às 01:30
Cristina Tavares, funcionária da Empresa de cortiça 'Fernando Couto-Cortiças' Foto: CMTV
Cristina Tavares foi despedida de corticeira após denunciar assédio laboral Foto: Estela Silva/Lusa
Cristina Tavares Foto: Facebook

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A corticeira Fernando Couto, acusada de assédio moral por uma trabalhadora que foi reintegrada e novamente demitida, recusou-se a prestar esclarecimentos sobre o caso na Assembleia da República. O caso ganhou dimensão depois de se saber que a empresa obrigava Cristina Tavares a carregar e descarregar a mesma palete várias vezes ao dia.

Numa carta enviada à Comissão de Trabalho e Segurança Social, a corticeira diz "não ser oportuno comparecer e prestar declarações públicas nesta fase", para se salvaguardar nos processos que estão a decorrer em tribunal. A audição da empresa Fernando Couto estava prevista para esta quarta-feira.

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Na carta, a corticeira admite que a ida ao Parlamento teria "o benefício" de poder "usar do contraditório para rebater as infâmias que têm sido propaladas" contra a firma.

Cristina Tavares recorreu aos tribunais depois de um primeiro despedimento em 2017, por alegada extinção do posto de trabalho. O tribunal considerou ser falso o argumento, obrigando a firma a reintegrar a funcionária. A operária foi então confrontada com uma situação que definiu como sendo de trabalhos forçados e improdutivos.

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No documento enviado ao Parlamento, a corticeira garante que o posto de trabalho "já não existia à data da reintegração". "Foi colocada a fazer trabalhos compatíveis com a sua categoria." Na sequência deste caso, a empresa foi duas vezes multada pela Autoridade para as Condições do Trabalho.

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