Professor acusado de 439 crimes de abuso sexual

Julgamento começa em Penafiel.

29 de abril de 2015 às 06:13
tribunal, penafiel, Foto: Roberto Bessa Moreira
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O professor de educação física e treinador de futebol, acusado de 439 crimes de abuso sexual de nove crianças, começa esta quarta-feira a ser julgado, em Penafiel, por um tribunal de júri.

A audiência vai decorrer à porta fechada, por decisão do Ministério Público (MP), atendendo ao tipo de crimes e as vítimas em causa. O julgamento por um tribunal de júri foi requerido pelo advogado do arguido.

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O arguido encontra-se em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional do Porto.

Atração sexual por meninos

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Segundo a acusação do Ministério Público, o suspeito, de 36 anos, desenvolveu, pelo menos desde os 18 anos, uma "forte atração sexual" por crianças do sexo masculino, com idades entre os sete e os 12 anos.

O homem está acusado de 260 crimes de abuso sexual de dois alunos (130 por cada uma das vítimas), de 2010 a 2013, período durante o qual foi professor de educação física e lecionou aulas de apoio de outras disciplinas a alunos com necessidades educativas especiais, numa escola de Lisboa.

Abusa do sobrinho

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Entre 2009 e 2013, é suspeito de abusar sexualmente de um sobrinho que, à data do início dos factos, tinha oito anos. 

Em 2012, enquanto treinador de escalões jovens de um clube de futebol de Lisboa, o arguido convenceu os pais de um menor a deixá-lo pernoitar, nas vésperas dos jogos, em sua casa, além de o levar consigo para Marco de Canaveses, numa viagem à Madeira e a passar uma semana num hotel de Lisboa. Estão em causa 100 crimes de abuso sexual de crianças.

O homem iniciou funções como docente de um centro de reabilitação, no Funchal, na ilha da Madeira, em 2013. É acusado de 30 crimes cometidos sobre um menor que frequentava a instituição.

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Defesa: "Acusação tem excessos"

O advogado do homem suspeito de 439 crimes de abuso sexual de nove crianças, que esta quarta-feira começou a ser julgado em Penafiel, considera que a acusação tem muitas "imprecisões e excessos".

"Há [na acusação] muitas imprecisões e excessos. Há crimes de que o arguido está acusado que me parece não terão sido praticados. Vamos tentar desmontar essa situação", afirmou Hernâni Gomes, em declarações ao jornalistas.

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O advogado falava na pausa para almoço da primeira sessão de julgamento que está a decorrer à porta fechada.

Segundo a acusação do Ministério Público, o suspeito, de 36 anos, desenvolveu, pelo menos desde os 18 anos, uma "forte atração sexual" por crianças do sexo masculino, com idades entre os sete e os 12 anos.

Aos jornalistas, o jurista adiantou que o seu constituinte, professor de educação física e treinador de futebol, prestou declarações ao longo da manhã (durante cerca de três horas), respondendo às questões formuladas pelo tribunal.

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Sublinhou também que o suspeito "está muito calmo e a reagir muito bem a todas as questões". Hernâni Gomes esclareceu que o depoimento do arguido "não vai muito de encontro aos factos da acusação", acrescentando que "está a rebater" a tese do Ministério Público.

Avançou também que o seu constituinte "não admitiu nem deixou de admitir a existência de quaisquer crimes pelos quais está acusado". "Está a dar as explicações para os comportamentos que teve ao longo da vida e o seu relacionamento com os menores", acrescentou o causídico.

Questionado sobre as expectativas que tem para o julgamento, o advogado disse "aguardar com expectativa o depoimento da prova indicada pela acusação".

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"São mais importantes as testemunhas indicadas pela acusação", acentuou, acrescentando: "Vou tentar demonstrar que aquilo que está na acusação não é exatamente o que ocorreu ou o que não ocorreu".

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