Justiça francesa alerta autoridades dos EUA para possível valorização artificial do X de Elon Musk
Valorização terá sido impulsionada pela criação de imagens de caráter sexual com recurso à IA.
A justiça francesa alertou as autoridades norte-americanas para uma possível valorização artificial das empresas de Elon Musk X e X AI, impulsionada pela criação de imagens de caráter sexual por inteligência artificial, informou este sábado o Ministério Público de Paris.
A informação confirma uma notícia publicada pelo jornal francês Le Monde.
O Ministério Público francês suspeita que a decisão de criar montagens hiper-realistas (conhecidas por 'deepfakes') de caráter sexual explícito gerados pelo Grok - a ferramenta de inteligência artificial da rede social X - possa ter sido desenvolvida de forma deliberada para inflacionar artificialmente o valor do X (antigo Twitter) e da X AI, afirma a instituição num comunicado.
Segundo as autoridades francesas, o objetivo passaria por melhorar a cotação das empresas com vista à entrada em bolsa da entidade resultante da fusão entre a Space S e a X AI, prevista para o próximo mês de junho, numa altura em que a rede social se encontrava numa dinâmica negativa.
"A polémica suscitada pelos 'deepfakes' de caráter sexual gerados pelo Grok (IA da X) poderá ter sido criada propositadamente com o objetivo de valorizar artificialmente as empresas X e X AI", tendo em vista "a entrada em bolsa prevista para junho de 2026 da nova entidade resultante da fusão entre a Space X e a X AI", explica o Ministério Público.
As investigações do Ministério Público de Paris incidem sobre suspeitas de algoritmos tendenciosos, cumplicidade na posse de imagens de menores com caráter pedopornográfico, cumplicidade na difusão, oferta ou disponibilização, em grupo organizado, de imagens de menores com caráter pornográfico e 'deepfakes' de caráter sexual.
Através do gabinete de auxílio mútuo penal internacional, o Ministério Público francês fez chegar informações ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, "bem como aos advogados franceses da Securities and Exchange Commission (SEC), o organismo federal norte-americano de regulamentação e controlo dos mercados financeiros", detalha o Ministério Público.
A troca espontânea de dados foi dirigida às autoridades norte-americanas enquanto o Ministério Público de Paris investiga a rede social X, cujas instalações francesas foram visadas no início de fevereiro por buscas dos investigadores.
No âmbito desta investigação, os magistrados parisienses acreditam ter identificado possíveis atos ilícitos por parte de Elon Musk e "chamam a atenção da SEC para informações que surgiram (...) e que estão acessíveis em fontes abertas".
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