Ministro da Indústria de Espanha demite-se

José Manuel Soria envolvido nos "Papéis do Panamá".

15 de abril de 2016 às 08:45
ministro da Indústria de Espanha, José Manuel Soria, demitiu-se do cargo Foto: Andrea Comas/Reuters
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O ministro da Indústria de Espanha, José Manuel Soria, demitiu-se esta sexta-feira do cargo, renunciando igualmente ao assento de deputado pelo PP, na sequência do seu envolvimento nos "Papéis do Panamá".

O nome de José Manuel Soria - e de membros da sua família - apareceu associado a empresas "off-shore" listadas nos "Papéis do Panamá" no início da semana.

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O ministro deu explicações contraditórias nos últimos dias, primeiro desmentindo a informação e depois afirmando que não se lembrava de ter assinado os documentos que a imprensa sucessivamente ia divulgando.

Na quinta-feira surgiu um último documento que mostrava que José Manuel Soria foi responsável por uma outra 'offshore' nas Ilhas Jersey, algo que este também tinha negado inicialmente. Também na quinta-feira soube-se que o ministro não estaria na reunião de Conselho de Ministros desta sexta-feira, mas sem que a Moncloa tivesse adiantado a razão para a sua ausência.

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Num comunicado divulgado, Soria explica que a sua renúncia à atividade política acontece "à luz da sucessão de erros cometidos ao longo dos últimos dias na explicação das [suas] atividades empresariais anteriores à [sua] entrada na política em 1995".

Soria considera que esses erros se deveram à "falta de informação precisa sobre factos que ocorreram há mais de 20 anos" e "sem prejuízo de que tais atividades empresariais tenham tido vínculo algum com o exercício das responsabilidades políticas".

Para o ex-ministro, a presença no Governo e no PP estaria a causar "um dano evidente" ao executivo, ao seu partido, aos seus camaradas de militância e aos votantes "populares".

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Oposição em Espanha quer ouvir PM sobre demissão do ministro

Os partidos da oposição em Espanha consideraram que a demissão do ministro da Indústria, por envolvimento nos "Papéis do Panamá", obriga o presidente do Governo em funções, Mariano Rajoy, a dar explicações adicionais no parlamento.

Apesar da demissão de Soria, que já tinha exigido na segunda-feira, o secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, insistiu que Mariano Rajoy deve dar explicações sobre esta polémica no Congresso dos Deputados.

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"Os dirigentes da direita confundem pátria com património. Por alguma coisa qualifiquei o Governo de Rajoy de Governo da vergonha: Soria com empresas em paraísos fiscais, Bárcenas [antigo tesoureiro do PP] com contas milionárias na Suíça, Montoro [ministro das Finanças] a dar amnistias fiscais para muitos dos seus camaradas. Rajoy continua sem assumir responsabilidades, tem de comparecer no Congresso", disse Pedro Sánchez.

O Governo de Rajoy tem rejeitado comparecer no Congresso para as habituais "Sessões de Controlo", porque considera que o executivo está em funções (e resulta da anterior legislatura), pelo que não pode prestar contas à atual legislatura (constituída após as eleições de dezembro, mas ainda sem Governo).

O Podemos, de Pablo Iglesias, reiterou a necessidade de Rajoy se explicar aos deputados, mas aproveitou para dar "uma bicada" no PSOE, que preferiu um acordo de Governo com o centro-direita Ciudadanos: "Demitiu-se Soria. Com um governo de mudança [designação do Podemos para um governo de coligação com a esquerda], poderia ter-se demitido em bloco o Governo do PP, o mais corrupto da democracia".

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Quanto ao secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, afirmou nas redes sociais que "Soria mentiu aos espanhóis com três explicações em três dias".

Já o Ciudadanos - partido que apoia o PSOE para a formação de Governo - considerou que a demissão do ministro da Indústria deve ter consequências maiores no âmbito do Governo Rajoy. E insistiu que, face a este caso, Mariano Rajoy não pode "liderar uma nova etapa de regeneração política e democrática".

Apesar do acordo com o PSOE, o Ciudadanos tem proposto também acordos com o PP, mas exigindo que não esteja Rajoy à frente do partido, já que está associado a vários casos de corrupção no seu partido.

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Ao Partido Popular coube a defesa do ministro e da sua decisão. Os "populares" consideram que Soria é "o exemplo claro" de um homem "honesto que se demite e abandona toda a atividade política sem que haja qualquer indício de irregularidades".

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