Polícia de Cabo Verde tenta resolver "sacrifícios" dos agentes com novos recrutamentos
Em 2019 foram formados na Escola de Polícia de Cabo Verde 120 novos agentes, entretanto distribuídos por todo o país.
O diretor nacional da Polícia Nacional de Cabo Verde, Emanuel Moreno, admitiu esta segunda-feira que a falta de efetivos provoca uma sobrecarga horária e mesmo "sacrifício" dos elementos no ativo, problema que está a ser resolvido com novos recrutamentos.
"Há muito sacrifício, reconhecemos isso. Aliás, fizemos questão de o mencionar no nosso discurso, mas são questões que vamos resolver paulatinamente", afirmou o superintendente geral Emanuel Moreno, à margem da cerimónia que assinalou esta segunda-feira, na Praia, os 151 anos da Polícia Nacional.
O diretor nacional reagia às críticas dos representantes sindicais sobre a falta de efetivos e a carga horária que os agentes têm que cumprir, face a esse cenário, bem como a falta de meios.
"Neste momento está a decorrer mais um concurso para recrutamento de mais 120 agentes, por forma a conseguirmos de facto fazer face às necessidades. Todos os anos saem efetivos para a reforma e por outros motivos, daí que há um esforço também do Governo no sentido de dotar também a Polícia Nacional dos meios para podermos fazer face, nomeadamente, a questão dos horários", disse Emanuel Moreno.
O ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, apontou, na mesma cerimónia, que Cabo Verde precisa que a Polícia Nacional seja "mais vigilante, atuante e pressionante", com vista a reforçar a "qualidade e a consistência" dos resultados, mas que precisa também ser "intolerante" com a indisciplina, com a falta de ordem e com o crime.
"Os resultados existem e falam por si. A qualidade e a consistência dos mesmos podem e devem melhorar", afirmou Paulo Rocha.
A Polícia Nacional cabo-verdiana perde anualmente quase meia centena de efetivos, entre reformas e agentes que emigram, e apenas consegue formar 120, o que está a dificultar o reforço do contingente, que ronda os 1.900 polícias, disse à Lusa, em dezembro de 2019, o ministro da Administração Interna.
Segundo Paulo Rocha, a Polícia Nacional contava então com pouco mais de 1.900 efetivos (para cerca de 500.000 habitantes e 819.000 turistas em 2019), distribuídos por esquadras e postos nos 22 municípios do país e nas diferentes unidades, do patrulhamento à Polícia Marítima, passando ainda pela Divisão de Estrangeiros e Fronteiras.
"É suficiente o contingente que nós temos? Ainda não é. Nós temos problemas sérios de limitação de pessoal e problemas sérios em alguns lugares no que tange a carga horária, em algumas ilhas", admitiu o governante.
Em 2019 foram formados na Escola de Polícia de Cabo Verde 120 novos agentes, entretanto distribuídos por todo o país.
O ministro explicou que 120 elementos representa a capacidade máxima atual da escola de polícia para aquartelamento dos formandos para os seis meses de formação necessários. Daí que, apesar do contexto de criminalidade que a capital viveu no final de 2019 e da saída de elementos -- segundo Paulo Rocha pelo menos 400 efetivos da Polícia Nacional foram para a reforma nos últimos anos - o recrutamento que então estava já previsto para 2020 não poderia exceder essa previsão.
Apontou ainda o abandono voluntário entre o efetivo da Polícia Nacional, nomeadamente para a emigração, como outro dos problemas, sobretudo dos agentes colocados nas ilhas do Fogo e da Brava, com fortes comunidades emigrantes nos Estados Unidos da América.
Segundo Paulo Rocha, um levantamento anterior apontava que a Polícia Nacional deveria chegar a 2025 com um contingente de 2.700 polícias: "Nós ainda nem chegámos aos 2.000 (...) O desejado é que o rácio a nível nacional seja de um agente por 250 habitantes. Nós ainda andamos longe disso. Em algumas localidades estamos a um agente para 350 habitantes, 300 habitantes. Noutra localidades estamos muito, muito distantes disso".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt