Tudo o que correu mal na viagem da Chapecoense à Colômbia
Sucessão de erros e infortúnios levou a acidente que matou 71 pessoas.
A célebre lei de Murphy estipula que "Tudo o que pode correr mal, vai correr mal". Parece ter sido o caso do malogrado voo da companhia Lamia, que se despenhou com 77 pessoas a bordo na Colômbia, entre as quais meia centena de atletas, pessoal técnico e dirigentes do Chapecoense, clube brasileiro que ia a Medellin jogar com o Atletico Nacional a final da Taça Sul-Americana
Uma sucessão de erros e infortúnios levou ao acidente que matou 71 pessoas. Desde logo o plano de voo. A equipa do sul do Brasil deveria ter seguido de São Paulo - onde jogou no domingo com o Palmeiras para o campeonato brasileiro - diretamente para Medellin num Airbus 320.
Só que o voo de segunda-feira foi cancelado devido a problemas burocráticos. A Agência Nacional de Aviação Civil, vetou o trajeto por causa da lei que impede que a nacionalidade da empresa responsável pelo fretamento seja diferente do local de destino. "O pedido foi negado com base no Código Brasileiro de Aeronáutica e na Convenção de Chicago, que trata dos acordos de serviços aéreos entre os países. O acordo com a Bolívia, país originário da companhia aérea Lamia, não prevê operações como a solicitada", explicou a agência.
Na tarde de segunda-feira, a equipa foi assim 'obrigada' a apanhar um voo comercial, da companhia BoA até ao aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
Foi aí que a equipa embarcou no famigerado voo LMI-2933, a bordo do avião Avro RJ-85, um avião com quatro motores operado pela Lamia, companhia de voos charter especializada em viagens de equipas de futebol. Seguiam a bordo 77 pessoas, que deveriam ter aterrado na Colômbia ainda antes da meia noite de terça-feira.
Avião poderá ter ficado sem combustível
Em declarações desde o centro de comando das operações de socorro, o presidente da agência colombiana da aviação civil, Alfredo Bocanegra, disse que as comunicações com responsáveis da aviação boliviana sugerem que o avião registava problemas elétricos.
No entanto, os investigadores terão de avaliar o alegado testemunho de uma hospedeira de bordo que terá dito que o avião tinha ficado sem combustível.
Vários meios de comunicação locais dão conta de que as investigações prosseguem neste sentido. O jornal colombiano 'El Tiempo' cita fonte da investigação que assegura que o piloto do avião pediu prioridade para aterrar por estar a ficar sem combustível. O pedido terá sido aceite e o avião iniciou o processo de descida, antes de ser reportada a falha elétrica.
Também o 'El Pais' colombiano cita Alfredo Bocanegra, que terá dito que a aeronave tem uma autonomia de voo de quatro horas e vinte minutos, pelo que precisaria de reabastecer durante a viagem. "Parece que não houve reabastecimento", afirma Bocanegra, adiantando que a investigação ainda está em aberto.
Aterragem de emergência de outro avião adiou chegada
O acidente ocorreu às 22h15 locais (03h15 desta terça-feira em Lisboa) em Cerro Gordo. De acordo com a Autoridade da Aeronáutica Civil da Colômbia (AACC), a aeronave procedente da Bolívia da empresa Lamia, com matrícula CP2933 RJ 80, comunicou "falhas elétricas" à torre de controlo do aeroporto cerca de 15 minutos antes de se dar o acidente.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt