Venezuela solidária com Cuba e rejeita "medidas punitivas" dos EUA
Chefe de Estado cubano, Miguel Díaz-Canel, criticou a nova medida de Washington, considerando tratar-se de uma "conspiração "fascista, criminosa e genocida".
A Venezuela expressou esta sexta-feira solidariedade com Cuba, criticando as "medidas punitivas" e o decreto do Presidente norte-americano que permite aplicar direitos aduaneiros aos países que vendem petróleo a Havana.
"A Venezuela rejeita o decreto presidencial emitido pelo Governo dos Estados Unidos" com vista a "impor medidas punitivas aos países que decidirem manter relações comerciais legítimas com Cuba", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros venezuelano em comunicado.
Na mesma nota, Caracas expressou "solidariedade com o povo de Cuba".
O Presidente norte-americano, Donald Trump, assinou um decreto que prevê que os Estados Unidos podem aplicar direitos aduaneiros, de montante não especificado, aos países que vendam petróleo a Havana.
O chefe de Estado cubano, Miguel Díaz-Canel, criticou a nova medida de Washington, considerando tratar-se de uma "conspiração "fascista, criminosa e genocida".
Na ordem executiva, Trump classificou Cuba como uma "ameaça invulgar e extraordinária" para a segurança e a política externa dos Estados Unidos.
No mesmo dia da assinatura, Havana considerou o decreto como um "ato brutal de agressão".
"Denunciamos perante o mundo este ato brutal de agressão contra Cuba e o seu povo, submetidos há mais de 65 anos ao bloqueio económico mais longo e mais cruel jamais aplicado a uma nação inteira, e que agora se pretende submeter a condições de vida extremas", escreveu na rede social X o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
No início deste mês, pouco depois da captura do ex-Presidente venezuelano Nicolás Maduro, numa operação militar norte-americana em Caracas, Trump já tinha ameaçado o Governo cubano, sugerindo que Havana aceitasse um acordo com os Estados Unidos, sem explicar a natureza desse pacto.
Díaz-Canel afirmou então que não existia "qualquer discussão" em curso entre Cuba e os Estados Unidos.
Após a captura de Maduro, Trump colocou sob controlo norte-americano o setor petrolífero da Venezuela, que, desde os anos 2000, tem sido o principal fornecedor de petróleo a Cuba, um dos aliados mais próximos de Caracas.
Cuba, sujeita a um embargo dos Estados Unidos desde 1962, enfrenta há três anos fortes carências de combustível, com impacto direto na produção de eletricidade.
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