Formosinho da Costa afirma que "algo deve ser feito pelo Estado guineense para estancar este e outros fenómenos degradantes à dignidade das mulheres".
O ativista de defesa dos direitos humanos no sul da Guiné-Bissau, Formosinho da Costa, denunciou hoje ter sido atacado, na última madrugada, por um grupo de pessoas por estar a proteger cinco jovens que fugiram de casamentos forçados.
Formosinho da Costa, presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos no sul do país, suspeita que os agressores seriam familiares de cinco jovens, com idades entre 13 e 16 anos, que fugiram de casamentos forçados nas comunidades de Bessassema, Prabanda, Bissilon, Yussi e pediram proteção na sede da Liga em Tite.
O líder da Liga dos Direitos Humanos no sul da Guiné-Bissau afirmou não ter dúvidas de que o principal mentor do ataque de que foi alvo será um indivíduo que o andava a ameaçar nos últimos tempos por dar guarida às jovens que fogem de casamentos forçados naquela zona.
Formosinho da Costa disse à Lusa que só não morreu "por sorte".
"Por volta das quatro da manhã, um grupo de pessoas entrou na minha casa. Tentaram matar-me, estrangular-me, reagi, dei-lhes luta e fugiram", explicou o ativista, numa conversa por telefone, sem saber precisar o número de atacantes.
Formosinho da Costa fez a participação do caso ao comando da polícia de Tite que de imediato deteve, para averiguação, um homem que, alegadamente, o ameaçou de morte por diversas vezes, disse o próprio.
Há três semanas que Formosinho da Costa recebeu as cinco raparigas na sede da Liga dos Direitos Humanos, mas há mais de 30 anos que é ativista e "principal protetor das meninas vítimas de casamento forçado", no sul da Guiné-Bissau.
Se antes o casamento forçado ou precoce das raparigas só acontecia depois do período das aulas, Formosinho da Costa disse que agora o fenómeno ocorre mesmo com as aulas em andamento.
Relatos de organizações não-governamentais (ONG) que atuam na defesa dos direitos humanos apontam para um aumento de violações contra as mulheres e crianças na Guiné-Bissau, sobretudo devido ao novo coronavírus.
Acreditam que o confinamento social e as limitações das liberdades impostas pelas autoridades como forma de impedir o alastramento da doença poderão estar a facilitar os abusos dos direitos humanos.
As mesmas organizações apontam a zona sul da Guiné-Bissau como epicentro do fenómeno casamento forçado de raparigas.
Formosinho da Costa afirmou que "algo deve ser feito pelo Estado guineense para estancar este e outros fenómenos degradantes à dignidade das mulheres", frisou.
"Este ano não sei o que se passa com os adultos nessa coisa de dar casamento forçado as meninas, as pessoas parecem enlouquecidas", observou Formosino da Costa que pede proteção das autoridades perante o "trabalho de risco" que faz.
O ativista notou que em mais de 30 anos de proteção dos Direitos Humanos, algumas das raparigas fugidas do casamento forçado até já se formaram, depois de seguirem os estudos em Bissau.
Formosinho da Costa disse à Lusa que não vai parar de dar proteção às raparigas e que as cinco que tem atualmente na sede da Liga disseram que não vão regressar às suas comunidades.
O dirigente da Liga dos Direitos Humanos disse que na segunda-feira vai trazer para Bissau uma rapariga de 13 anos para ser entregue à direção nacional da Liga Guineense dos Direitos Humanos que por sua vez poderá confiá-la à proteção temporária da AMIC (Associação Amigos da Criança).
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