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Ministro do Planejamento do Brasil suspende funções

Imprensa revelou escutas que envolvem Romero Jucá.

23 de maio de 2016 às 21:32

O ministro brasileiro do Planejamento, Romero Jucá, principal articulador político do governo do presidente em exercício, Michel Temer, anunciou no final da tarde desta segunda-feira, 23, que pediu licença do comando da pasta, apenas 11 dias após ter sido nomeado. Jucá afirmou que decidiu afastar-se para poder responder fora do cargo às acusações de que é alvo, sem constranger o presidente.

Na manhã desta segunda-feira, gravações telefónicas reveladas pelo jornal "Folha de S. Paulo" mostram Romero Jucá defendendo um grande pacto que "estanque a sangria" da "Lava Jato", numa referência à operação da Polícia Federal e do Ministério Público que apura desvios milionários descobertos na Petrobrás. Jucá, sobre quem o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pediu semana passada ao Supremo Tribunal Federal que abra uma investigação, é suspeito de ter sido um dos beneficiários da mega-fraude, falava com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, empresa ligada à Petrobrás, igualmente acusado de irregularidades.

De acordo com Romero Jucá, ele afasta-se do cargo apenas temporáriamente amanhã, terça-feira, até que o Ministério Público opine sobre se ele cometeu algum crime antes ou nas declarações na conversa, que foi gravada pelo próprio Sérgio Machado. Jucá acrescentou que, se for ilibado pelo Ministério Público, reassumirá o cargo de ministro do Planejamento, mas nos bastidores do governo a sensação é de que ele não volte mais, ou por decisão própria mais adiante ou por ser exonerado por Temer.

Durante a formação do governo antes do afastamento da presidente Dilma Rousseff pelo Senado no passado dia 12, Temer foi várias vezes alertado por auxiliares dos riscos de nomear para o primeiro escalão do executivo suspeitos de corrupção. Mas respondeu-lhes, e também a vários jornalistas que o indagaram sobre Romero Jucá e outros ministros no rol de suspeitos, que tanto o seu então futuro ministro do Planejamento quanto os outros investigados pela "Lava Jato" são apenas, ressaltou, investigados, não foram condenados por crime algum e, logo, não havia qualquer impedimento para eles serem nomeados.

O novo-presidente, que tomou posse também dia 12 sob a bandeira da ética e da modernização, sofre assim um primeiro e rude golpe, ficando sem o seu homem de confiança, em quem depositava as maiores esperanças de articulação com o Congresso, por onde boa parte das medidas-chave do novo governo têm de passar. A agora oposição, nomeadamente o Partido dos Trabalhadores, de Lula da Silva e de Dilma Rousseff, não perdeu tempo e, através do constrangedor caso Jucá, já abriu uma forte ofensiva contra Temer, voltando a pedir a sua renúncia, lembrando que o próprio presidente em exercício, apesar de não ser investigado na mega-fraude descoberta na Petrobrás, já foi citado por acusados que passaram a colaborar com a Justiça.

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