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CCPJ abre processo disciplinar a Alexandra Borges e Sérgio Figueiredo após queixa da IURD

Documentos têm data de 08 de novembro, sendo que os visados tinham um prazo de dez dias para se pronunciar.
Lusa 2 de Dezembro de 2019 às 19:32
Alexandra Borges, jornalista da TVI
Alexandra Borges é uma das jornalistas envolvidas nas investigações
Sérgio Figueiredo, diretor da TVI
Sérgio Figueiredo, diretor da TVI
Alexandra Borges, jornalista da TVI
Alexandra Borges é uma das jornalistas envolvidas nas investigações
Sérgio Figueiredo, diretor da TVI
Sérgio Figueiredo, diretor da TVI
Alexandra Borges, jornalista da TVI
Alexandra Borges é uma das jornalistas envolvidas nas investigações
Sérgio Figueiredo, diretor da TVI
Sérgio Figueiredo, diretor da TVI
A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) abriu um processo disciplinar à jornalista Alexandra Borges e ao diretor de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, por causa da reportagem "O Segredo dos Deuses", segundo duas notificações enviadas pelo organismo.

Os documentos, a que a agência Lusa teve acesso, têm data de 08 de novembro, sendo que os visados tinham um prazo de dez dias para se pronunciar.

Nas notificações, a CCPJ explica que, "na sequência de participação apresentada pela Igreja Universal do Reino de Deus [IURD], o Secretariado da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista procedeu ao visionamento dos episódios ou partes da reportagem intitulada 'O Segredo dos Deuses' nos canais TVI e TVI24, com início em 10 de dezembro de 2017 e término em 27 de abril de 2018 e com reportagens extra até 09 de julho de 2019".

A CCPJ continua, afirmando que "sendo claro e evidente o caráter sensacionalista da referida reportagem e, de igual modo, contendo esta acusações sem provas e sem respeito pela presunção de inocência da ora participante e incluindo encenações de situações com o intuito de abusar da boa-fé do telespetador", o secretariado deste órgão decidiu "pela abertura de procedimento disciplinar contra os jornalistas Alexandra Borges e Sérgio Figueiredo, por sérios indícios de violação dos deveres deontológicos" previstos no estatuto do jornalista.

A Lusa contactou a TVI e a IURD, que não quiseram comentar esta informação.

A CCPJ, igualmente questionada pela Lusa, disse apenas que "a matéria em causa está sujeita a sigilo, pelo que nada há a informar".

No início de julho, a IURD adiantou que, "face às gravíssimas acusações de uma das mães biológicas, tornadas públicas pelo jornal Expresso" na edição de 29 de junho, iria "requerer formalmente junto do Sindicato dos Jornalistas, da Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas e da ERC que avaliem a idoneidade profissional da direção editorial da TVI, bem como da jornalista responsável pelos programas 'O Segredo dos Deuses'".

No dia 16 de julho, de acordo com fonte oficial da IURD, deram entrada na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), no Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas e na CCPJ queixas contra Sérgio Figueiredo e Alexandra Borges.

No processo que entrou na ERC, a participação também visa a TVI.

Fonte oficial da IURD disse ainda à Lusa que em 2018 tinha entrado com um processo cível contra Alexandra Borges, no qual a instituição pede uma indemnização no valor de cinco milhões de euros.

Em entrevista à Lusa, em 03 de julho, o diretor de informação da TVI tinha adiantado que a IURD tinha colocado "mais de uma dezena de processos" contra a estação, mas que o canal de Queluz está de "consciência tranquila".

"Estamos de consciência tranquila, se há investigação que está blindada com provas, testemunhos e elementos que recolhemos, quer testemunhais, quer documentais, é este", garantiu, na altura, o diretor de informação da TVI.

A TVI exibiu em dezembro de 2017 uma série de reportagens denominadas "O Segredo dos Deuses", na qual noticiou que a IURD esteve alegadamente relacionada com o rapto e tráfico de crianças nascidas em Portugal.

Os supostos crimes terão acontecido na década de 1990, com crianças levadas de um lar em Lisboa, que teria alimentado um esquema de adoções ilegais em benefício de famílias ligadas à IURD que moravam no Brasil e nos Estados Unidos.

No dia 18 de maio, fonte oficial da Procuradoria-Geral da República disse à Lusa que o Ministério Público arquivou o inquérito aberto para investigar uma alegada rede ilegal de adoção de crianças montada pela IURD, na década de 1990.

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