page view

Jovens vestidos e que se indentificam com animais: o que são os 'therians' e por que se tornaram uma tendência viral

Fenómeno está em expansão sobretudo no TikTok, mas na Argentina e Espanha já se realizam encontros. Especialistas dizem que não se trata um transtorno psicológico, mas é preciso atenção.

27 de fevereiro de 2026 às 15:27
A carregar o vídeo ...

“Tenho momentos em que sou um cão”: Tendência viral dos ‘therians’ junta jovens vestidos de animais em Buenos Aires

AP

Nos últimos tempos, as redes sociais, e sobretudo o TikTok, têm sido inundadas com vídeos de jovens mascarados de animais, a correrem e a andarem de quatro, e a imitarem comportamentos de cães, gatos, lobos ou raposas. E não, não se trata de uma brincadeira.

Este não é um fenómeno novo, mas está a ganhar adeptos, sobretudo na América Latina e mais recentemente também em Espanha. A tendência viral chama-se 'therians', jovens que se identificam com animais e imitam os seus comportamentos, não como uma simples brincadeira, mas como algo que faz parte das suas identidades.

Os 'therians' não se consideram animais, mas afirmam sentir uma profunda conexão com eles a nível espiritual. “Ser 'teriano' significa identificar-se psicológica, espiritual ou neurologicamente como um animal não humano. Não é um hobie, uma fantasia ou uma escolha; é parte integrante da identidade de uma pessoa”, explica a Comunidade Teriana Argentina no seu site.

A tendência já ultrapassou o TikTok, e em Buenos Aires, na Argentina, realizou-se no último fim de semana mais um encontro com centenas de jovens. Há também um vídeo a circular nas redes sociais que mostra um casal de 'therians' que ficou noivo durante um concerto na Argentina, ambos vestidos de animais.

Jovens 'therians' mascarados imitam animais em parque
Encontro de 'therians' em Buenos Aires, na Argentina FOTO: Rodrigo Abd/AP

O movimento viral já chegou à vizinha Espanha com dimensão, onde nos últimos dias se realizaram encontros de 'therians' em cidades como Madrid, Barcelona e Bilbau.

De acordo com a agência espanhola EFE, muitos psicólogos defendem que este fenómeno não pode ser considerado como um transtorno. Mas é preciso que os pais ou educadores estejam atentos.

Se conseguirem "levar uma vida normal" e esse sentimento não os afetar funcionalmente, "não haverá problema". "Mas é preciso estar atento ao desenvolvimento na adolescência. Quando ocorre uma desconexão e o menino ou a menina se concentra mais em agir como um animal do que como um ser humano, é preciso avaliar clinicamente se estão a desviar-se do funcionamento saudável", alertou a psicóloga Claudia Rossy à agência espanhola EFE.

Rossy acrescenta que muitos adolescentes aderiram ao fenómeno por curiosidade, e que isso os leva a entrar neste mundo: "Talvez descubram que gostam, que lhes dá um senso de identidade e, gradualmente, começam a envolver-se em práticas como andar como um animal."

O El País falou com alguns 'terianos', e sobre o que os move. "Identifico-me mais com um animal: um tigre de Bengala, um dragão marinho ou um cão de raça rough collie", contou Roger, de 19 anos. "Como em qualquer outra identidade, descobrir-te por completo pode demorar uma vida, e por isso as nossas identidades podem mudar com o tempo", acrescentou.

"Muitos therians contam que através dos sonhos vêm que são animais e, a partir daí, percebem com qual se identificam. Comigo não foi bem assim. Mas quando ia ao jardim zoológico e observava as hienas, sentia-as de outra maneira", contou Kayden, de 20 anos, ao El País.

Jovens 'therians' expressam a sua identidade com máscaras e comportamentos de animais
Encontro de 'therians', em Buenos Aires, na Argentina FOTO: Rodrigo Abd/AP

Ainda de acordo com o El País, em Espanha, este fenómeno está a ser utilizado para desinformação por grupos de extrema direita. Nas últimas semanas, aproveitando o anúncio de vários encontros de 'therians' no país vizinho, começou a ser espalhada falsa informação nas redes sociais, com várias considerações atribuindo os comportamentos a uma doença mental.

Outras publicações indicavam que Pedro Sánchez, presidente do Governo de Espanha, estaria a considerar aprovar um subsídio mensal de 426 euros para os cidadãos que se identificassem com animais. Nas redes sociais há também vídeos gerados por IA que mostram cães a atacarem jovens mascarados de canídeos.  

Esta semana, curiosamente, André Ventura, presidente do Chega, também fez um comentário nas redes sociais, a ilustrar declarações de uma reportagem onde um jovem espanhol surgia a dizer que se sentia um animal: "Desculpem lá, mas nós não temos que levar com todo o tipo de anormalidades na sociedade. Há um momento em que se tem de dizer Chega!"

O movimento 'therian' surgiu na década de 1990, praticamente sem visibilidade. Mas através do mediatismo das redes sociais tem ganho uma enorme popularidade nos últimos tempos, graças a redes sociais como o TikTok, Instagram e o YouTube, onde os adolescentes partilham vídeos com as suas experiências de identidade animal.

Em Portugal não existem muitas referências sobre 'therians'. Mas esta semana chegou a ser divulgada nas redes sociais uma iniciativa, através de uma conta anónima do Facebook, para a realização de um encontro na passada quinta-feira, em Vila Real, com o objetivo de “criar laços e fortalecer a comunidade” e “partilhar experiências e vivências”.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8