Artistas e políticos lamentam morte do "herói" da música.
Morreu o 'camaleão do rock' David Bowie
Os mundos da arte e da política inundaram esta segunda-feira as redes sociais com o anúncio da morte do cantor David Bowie, lamentando a perda do "herói" da música.
As reações surgiram após o filho do cantor ter anunciado, no Facebook do próprio Bowie, o falecimento do autor de "Ziggy Stardust", que morreu no domingo aos 69 anos, após uma batalha de ano e meio contra o cancro.
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David Cameron
Na área da política, o primeiro-ministro britânico, o conservador David Cameron, encabeçou as condolências, ao publicar no Twitter que cresceu "a escutar e a ver o génio «pop» David Bowie". "Era um maestro da reinvenção, que sempre a fez bem. Uma grande perda", escreveu.
Madonna "devastada" com morte de artista britânico
A cantora Madonna disse hoje que ficou "devastada" com a morte do cantor britânico David Bowie, que faleceu domingo vítima de cancro, dois dias depois de ter lançado um último álbum no seu dia de anos.
"Estou devastada! Este grande artista transformou a minha vida! Primeiro concerto que vi em Detroit! R.I.P." (descanse em paz ), escreveu a estrela pop no Twitter. Depois da primeira mensagem no Twitter, Madonna voltou a deixar um novo 'twett': "Talentoso. Único. Genial. Inovador. O Homem que Caiu na Terra. O teu Espírito vai viver para sempre! #rebelheart" ("Talented . Unique. Genius. Game Changer. The Man who Fell to Earth. Your Spirit Lives on Forever! #rebelheart"). Também na sua página oficial de facebook, a cantora publicou uma foto de David em que aparece ao seu lado, os dois muito mais novos, com a frase "tive tanta sorte em conhecer-te".
Numa referência à música "Rebel Rebel", que Bowie lançou em 1974, a cantora termina dizendo "Tive tanta sorte em conhecer-te!!! Hot Tramp I love you So!".
Música 'Blackstar', de David Bowie
George Osborne
Também o ministro da Economia, George Osborne, confessou que as canções de Bowie serviram de "pano de fundo" à sua própria vida, manifestando-se "orgulhoso" por o cantor ter sido um "ícone da criatividade britânica". Por seu lado, em declarações à BBC, o líder trabalhista, Jeremy Corbyn, considerou que Bowie foi "um grande músico e grande artista". "Quando ouvi a notícia da morte fiquei muito, muito triste. «Life On Mars" veio-me à cabeça. Canção maravilhosa, pessoa maravilhosa", afirmou. No mesmo programa da BBC, o arcebispo de Cantuária, Justin Welby, admitiu ser fã do cantor desde os anos 1970 e que se sentava a ouvir os discos de Bowie "sem parar".
Manuel Valls
Em França, o primeiro-ministro Manuel Valls considerou Bowie "um artista fora de série" e "um herói do rock". "David Bowie: um artista de múltiplas caras que revolucionou a música. Um herói do rock que nos fez vibrar", sublinhou Valls, que destacou como uma das "obras-primas" do cantor o álbum de 1972 "The Rise and Fall of Ziggy Stardust The Spider From Mars".
Ainda em França, o chefe de redação da revista musical francesa Les Inrockuptibles, Jean-Daniel Beauvallet, defendeu que Bowie "influenciou todo o «pop» moderno dos últimos 40 anos". "Nos anos 1970 publicou um punhado de álbuns fundamentais, dando todas as pistas desde o «rock» decadente à «pop» eletrónica. (...) Criou a matriz da «pop» moderna", sustentou. "RIP David. Amei a tua música. Amei-te"", escreveu, por seu lado, o ator australiano Russel Crowe, destacando o sétimo álbum do cantor "Pin Ups".
Mark Ruffalo
O também ator Mark Ruffalo expressou nas redes sociais "tristeza" pela morte de um "pai dos «freaks»" e "cantor lendário".
O comediante e ator Ricky Gervais, que chegou a convencer o seu ídolo para aparecer num episódio da série que produz "Extras", lamentou a morte de Bowie a poucas horas de apresentar os Globos de Ouro. "Perdemos um herói", disse Gervais, que mostrou nas redes sociais uma fotografia dos anos 1990 em que surge disfarçado com o "alter ego" de Bowie ("Ziggy Stardust"), tirada da série "Comedy Lab", em que o ator desempenhou o papel de impostor do cantor.
Luis Montez lamenta morte de "artista muito à frente"
O produtor musical Luís Montez lamentou hoje a morte do músico David Bowie, considerando que o músico britânico era "um artista muito à frente", criativo e uma referência para qualquer artista.
"Ele era muito criativo e tinha sobretudo uma capacidade de se reinventar constantemente. Por alguma razão era o conhecido como o camaleão. Além da música que fez em Inglaterra, nos Estados Unidos, depois foi para Berlim, onde teve influência da música eletrónica", salientou à agência Lusa Luís Montez, que em 1995 trouxe o músico a Portugal, no âmbito do festival Super Bock Super Rock.
No entender do diretor da empresa Música no Coração, David Bowie "era um artista muito à frente, que apontava sempre os caminhos e era uma referência para todos os músicos. "Não há nenhum artista que não conheça a obra e quem está na música tem de conhecer a música de David Bowie, porque era fundamental", vincou.
Luís Montez contou à Lusa que em 1995, quando trouxe David Bowie a Portugal pela segunda vez (este atuou antes em Portugal em 1990), teve um contacto muito circunstancial com o músico. "Foi um contacto circunstancial. Ele foi cantar ao Super Bock Super Rock ainda em Alcântara e era uma artista dos pés à cabeça, no sentido de que era uma estrela. Tinha uma série de gente sempre à volta, era uma megaestrela", recordou. Apesar disso, Luís Montez lembra que o concerto teve pouca adesão do público.
"Foi uma espécie de Messias"
O radialista Álvaro Costa afirmou hoje que o músico britânico David Bowie, que morreu no domingo aos 69 anos, "foi uma espécie de Messias" na música, "um farol para muita gente", como contou à agência Lusa.
"Teve uma carreira extraordinária, hiper longa e estamos perante uma espécie de Messias, pelas pistas, pelas ideias e referências que foi deixando. Um artista com A gigantesco", disse.
Músico deixa "legado vastíssimo"
O jornalista e crítico musical Nuno Galopim considerou hoje que o músico David Bowie, que morreu domingo, deixa um "legado vastíssimo", não apenas musical, marcado por muitos géneros e linguagens.
Em declarações hoje à agência Lusa, Nuno Galopim referiu que "morte era mais um segredo e a despedida mais uma encenação teatral, porque tudo em David Bowie sempre foi teatro". "Ele soube desde muito cedo separar o universo pessoal do artístico e tudo o que conhecemos dele foi sempre a expressão de uma construção artística, mesmo na despedida. Ele projetou um disco que levou cerca de uma ano a ser gravado e já sabia o que se estava a passar. Quando o disco saiu, era mais ousado, mais inventivo dos que os recentes discos e com proeminência particular de linguagens artísticas", frisou.
Na opinião do jornalista e crítico musical, agora, depois de se saber da sua morte, todo o quadro de mensagens subliminares podem ser encontradas no disco lançado na passada sexta-feira.
"Isto, porque agora temos a notícia que nos estava vedada. Não houve premonições, apesar de estarem lá claramente mostradas nas letras das canções e nas imagens dos telediscos", sublinhou.
A morte foi como a vida, uma obra de arte
O produtor norte-americano Tony Visconti afirmou hoje nas redes sociais que a morte do músico britânico David Bowie, no domingo aos 69 anos, não foi diferente da vida: "Uma obra de arte".
"Ele fez sempre o que queria. E queria fazer isto à maneira dele e da melhor forma. (...) Ele fez [o álbum] 'Blackstar' para nós, é o presente de aniversário dele. Já sabia há um ano que seria assim, mas eu não estava preparado para isso", afirmou Tony Visconti. O produtor colaborou com David Bowie ao longo de várias décadas, nomeadamente nos álbuns "Scary Monsters" (1980) e "Heathen" (2002), tendo produzido "Blackstar", o disco que o músico britânico publicou na sexta-feira, dia em que completou 69 anos. "Ele foi um homem extraordinário, cheio de amor e de vida. Estará sempre entre nós. Por agora, é aceitável que se chore", escreveu Tony Visconti através do Facebook.
Alemanha agradece a Bowie por ter "ajudado a derrubar o Muro"
O Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão agradeceu hoje a David Bowie, que morreu no domingo, por ter "ajudado a derrubar" o Muro de Berlim em 1989 com a música "Heroes", que se transformou num hino anti Guerra Fria.
"Adeus David Bowie. Está agora entre os #Heroes. Obrigado por ajudares a derrubar o Muro", lê-se numa mensagem na conta do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão na rede social Twitter, com uma ligação para o vídeo da música.
Bowie escreveu "Heroes" quando, nos anos 1970, viveu por três anos na Berlim dividida do pós-guerra.
Enquanto gravava nos estúdios Hansa, em Berlim ocidental, perto da fronteira onde militares da Alemanha de Leste tinham ordens para matar, observou um casal a beijar-se, cena que retratou na letra da música como um apelo para que o amor se sobrepusesse às divisões.
Nova Iorque acolhe espetáculo dedicado ao músicoA sala de espectáculos Carnegie Hall, em Nova Iorque, horas antes de se saber da morte de David Bowie, tinha anunciado a realização, em março, de um concerto de tributo ao músico, que ganha agora contornos de homenagem póstuma.
De acordo com o jornal New York Times, todos os anos o Carnegie Hall presta tributo a uma personalidade, tendo anunciado, no domingo, que seria David Bowie o homenageado de 2016 - pelos 69 anos celebrados na sexta-feira -, com um espectáculo marcado para 31 de março, com a participação de vários artistas.
Com o anúncio, hoje de manhã, da morte do artista britânico, a organização diz que mantém o espectáculo, que passa a ser uma homenagem póstuma.
O espectáculo contará com as atuações de artistas como The Roots, Cindy Lauper, Bettye Lavette, Perry Farrell e Tony Visconti, o músico produtor que trabalhou com David Bowie ao longo de várias décadas e que produziu "Blackstar", o novo álbum, editado na sexta-feira.
Londres publicou mensagem no alto da Torre BTLondres, a cidade que viu nascer David Bowie, despediu-se do criador de "Space Oddity" com a divulgação da mensagem "Descansa em paz, David Bowie" no alto da Torre BT, um dos edifícios mais emblemáticos da capital inglesa.
A Torre BT, anteriormente conhecida como "A torre das telecomunicações", está situada no bairro central de Fitzrovia e tem 191 metros de altura, tendo começado a divulgar a mensagem de homenagem ao artista britânico ao início da tarde, num ecrã do edifício.
Brixton, o bairro localizado a sul de Londres, onde Bowie nasceu a 8 de janeiro de 1947, também assinalou a morte do artista, com a Brixton O2 Academy, que fica no coração do bairro e se dedica a acolher concertos, a colocar na porta principal "Serás sempre o nosso herói, David Bowie", numa alusão à letra da sua canção "Heroes".
Também o cinema local The Ritzy reorganizou a fachada para dedicar todo o espaço ao cantor, com a inscrição "David Bowie, nosso rapaz de Brixton, D.E.P [Descansa Em Paz]".
Reagindo à morte do músico, os Rolling Stones afirmaram, através da rede social Twitter, sentir-se "comovidos e tristes", enquanto admiradores anónimos deixaram flores, fotografias e dedicatórias no mural com a imagem do cantor numa das ruas de Brixton.
Hotel em Sintra recorda o cantorO músico britânico David Bowie ficou hospedado no Hotel Palácio de Seteais, em Sintra, em 1990, numa estada sem "nada das extravagâncias" de outros clientes, recordou à agência Lusa um funcionário reformado da unidade hoteleira.
"Foi um cliente muito calmo. Não houve nada das extravagâncias que alguns destes clientes tinham", contou Luís Rodrigues, 77 anos, que chefiava a receção do histórico hotel, na primeira vez que Bowie passou por Seteais.
"Lembro-me perfeitamente de ele lá ter estado. Na altura também estava cá o Mike Jagger, que o visitou, e Bowie estava no quarto número cinco", disse Luís Rodrigues, acrescentando que ambos permaneceram "lá uma quantidade de tempo, [e] houve uns fotógrafos mais atrevidos que ainda tiraram umas fotografias deles no terraço".
O músico britânico terá ficado alojado "dois ou três dias e não houve problema nenhum, foi [uma estada] muito calma", vincou Luís Rodrigues, que se reformou em 2004, após 44 anos de serviço na hotelaria.
Elogios de Bruce Springsteen, Mick Jagger e Yoko Ono
O músico norte-americano Bruce Springsteen, o vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger, e Yoko Ono, viúva do ex-Beatle John Lennon, foram alguns dos artistas a elogiar o talento de David Bowie, que morreu domingo.
"Sempre a mudar e sempre à frente dos outros", David Bowie foi "um artista de uma excelência inspiradora" e que "fará imensa falta", declarou Bruce Springsteen na rede social Twitter, considerando o músico britânico "um artista visionário".
Springsteen era um dos artistas norte-americanos que David Bowie mais respeitava, tendo o "camaleão" feito versões de canções como "Growin' Up" e "It's Hard to Be a Saint in the City", originalmente do músico de Nova Jérsia.
Quanto ao líder da banda britânica The Rolling Stones, Mick Jagger, elogiou o talento do seu compatriota, com quem colaborou na gravação de "Dancing in the Street", em 1985.
"David foi sempre uma inspiração para mim e uma pessoa verdadeiramente original. O seu trabalho foi maravilhosamente ousado", escreveu Jagger, de 72 anos, no Twitter, descrevendo-o ainda como um "amigo" que jamais esquecerá.
Por seu lado, a artista japonesa Yoko Ono, viúva de John Lennon, afirmou que o "talento" e o "intelecto" de Bowie eram comparáveis aos do ex-Beatle.
"John e David respeitavam-se um ao outro. O seu intelecto e o seu talento estavam bastante a par. Dado que John e eu tínhamos muito poucos amigos, víamos em David alguém tão próximo como um familiar", escreveu Ono, de 82 anos, no Facebook, acrescentando que a morte do cantautor inglês representa a "perda de outra figura paterna" para o seu filho Sean Lennon.
"Após a morte de John [em 1980], David esteve sempre presente para Sean e para mim. Quando Sean esteve numa escola na Suíça, o David ia buscá-lo para o levar a museus e deixava-o estar com ele no estúdio de gravação em Genebra", recordou a viúva de Lennon.
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