Empresa de Macau KNJ paga 17,5 milhões para controlar 30% da Global Media.
A empresa de Macau KNJ Investment Limited vai passar a controlar 30% da Global Media através de uma injeção de capital de 17,5 milhões de euros, tornando-se o maior acionista do grupo, disse hoje o mediador das negociações.
O acordo será assinado em Macau, no dia 12, durante a 5.ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, conhecido como Fórum Macau, e espera-se que o contrato seja assinado "lá para março", indicou à Lusa Paulo Rego.
Para esse efeito, desloca-se a Macau o presidente do Conselho de Administração da Global Media, Daniel Proença de Carvalho, "que vem mandatado por todos os acionistas para assinar o chamado memorando de entendimento" que "sela as principais orientações" do que será fechado no próximo ano.
"Não temos datas marcadas. Nestas coisas o importante é que os processos decorram até ao fim, cumpram todos os seus objetivos, mas estimo que seja natural que tudo possa estar concluído lá para março", disse Paulo Rego.
A KNJ vai fazer uma injeção de capital de 17,5 milhões de euros, passando a controlar 30% do grupo de 'media', o que implica também a redução das participações atuais dos empresários António Mosquito e Joaquim Oliveira (27,5% cada um), de Luís Montez (15%), do Banco Comercial Português (15%) e do Novo Banco (15%).
Segundo notícias recentes publicadas pela imprensa, António Mosquito e Joaquim Oliveira devem reduzir as suas participações para 20% e Luís Montez, Banco Comercial Português e Novo Banco para 10%. Esta injeção de capital vai também refletir-se na nomeação de membros para o conselho de administração e a comissão executiva.
Segundo Paulo Rego, a nova "parceria" terá dois grandes focos: a "modernização tecnológica e os novos modelos de negócios digitais, [através da] migração do chamado jornalismo em papel para os novos modelos online", e a "internacionalização do grupo para os mercados de língua portuguesa".
Macau, não só pela origem do investimento mas também devido ao seu desígnio como plataforma entre a China e os países lusófonos, "é uma extensão natural" dessa internacionalização, explicou.
De acordo com o mediador das negociações, a entrada de capital da KNJ vai permitir aumentar a capacidade de crescimento. "Há um claríssimo objetivo de crescimento. O aumento de capital significa que estamos todos convencidos que seremos capazes de criar valor para o grupo. Além da lógica de dividendos, há uma clara aposta na valorização do grupo, no crescimento da sua importância, no crescimento da sua geografia, na sua capacidade de abarcar os novos modelos de negócio", afirmou.
Para a KNJ, que não tinha até agora nenhum investimento em 'media', a entrada na Global Media faz parte de uma estratégia de "diversificação da carteira de ativos", através de "investimentos em setores diferentes do imobiliário, onde a KNJ está mais focada", que sejam "internacionalizáveis e possam ser relevantes no mundo da língua portuguesa".
A Macau KNJ Investment Limited é liderada pelo empresário Kevin King Lun Ho e, segundo o registo comercial, foi fundada em 2012, dedicando-se ao investimento imobiliário, médico e de saúde, bem como à restauração.
Kevin Ho é sobrinho do antigo chefe do Executivo de Macau, Edmund Ho, e diretor do banco Tai Fung, entre outros investimentos.
O grupo Global Media é dono do Diário de Notícias, Jornal de Notícias, TSF, do desportivo O Jogo, do site Dinheiro Vivo, das revistas Volta ao Mundo e Evasões, além de marcar presença no Açoriano Oriental, Jornal do Fundão e Diário de Notícias da Madeira, entre outros.
A Global Media detém também duas gráficas, a Naveprinter, no Porto, e a participada Empresa Gráfica Funchalense, em Lisboa. O Grupo faz ainda parte da estrutura acionista da agência Lusa e das cooperativas VisaPress e Notícias Portugal.
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