A Administração norte-americana formalizou junto da Comissão Europeia e da NATO pedidos de ajuda para as vítimas do Furacão Katrina. Os primeiros voos humanitários da Europa para os EUA devem partir ainda este domingo à noite, ou segunda-feira.
As autoridades norte-americanas pediram especificamente às suas congéneres europeias 'kits' de primeiros-socorros, cobertores, cisternas para água e 500 mil rações individuais.
Barbara Helfferich, porta-voz da Comissão Europeia, disse à agência noticiosa Reuters que os primeiros voos humanitários devem partir já na próxima madrugada da Europa para os EUA, ou mais tardar durante o dia de amanhã, segunda-feira.
A porta-voz da comunidade europeia disse que a formalização do pedido norte-americano surge na sequência de alguns dias de contactos bilaterais, mas criticou o atraso: "Se o pedido tivesse sido feito há mais tempo teríamos todo o gosto em agir antes", declarou Barbara Helfferich.
O gabinete do comissário europeu Stavros Dimas especificou que a ajuda será prioritariamente direccionada para Nova Orleães. De acordo com a Rádio TSF, uma equipa de socorristas franceses partiu já hoje para aquela cidade e deve ser reforçada amnhã com mais elementos.
As autoridades norte-americanas também formalizaram hoje um pedido de ajuda ao Canadá, solicitando camas, cobertores, medicamentos e equipas especializadas em salvamento marítimo, capazes de operar numa cidade inundada.
CENTRO HISTÓRICO 'POUPADO'
O célebre Bairro Francês, ‘coração’ histórico, centro de lazer e principal atracção turística da cidade de Nova Orleães, foi poupado à fúria do ‘Katrina’ e das inundações que se lhe seguiram. O ambiente é, porém, muito diferente do alegre colorido que enche as ruas durante todo o ano e, em especial, no ‘Mardi Gras’, o festivo Carnaval que todos os anos atrai centenas de milhar de pessoas à cidade, conhecida como a ‘capital do pecado’ da América.
Nas ruas que há pouco mais de uma semana se encontravam cheias de turistas em busca de divertimento, agora há destroços, lixo e cadáveres. Para estes últimos não haverá funerais acompanhados ao som do jazz, como era tradição no Bairro Francês. Mas o jazz ainda se ouve nas ruas, graças a alguns bares que, corajosamente, teimam em manter as portas abertas e desta forma dizer que a vida continua. Passará por aqui, pelo Bairro Francês, o renascimento de Nova Orleães.
Nova Orleães parecia este domingo uma cidade fantasma. Os militares destacados para a cidade-símbolo da devastação deixada pelo Katrina na região costeira do Golfo do México concluíram durante a noite de ontem para hoje a evacuação do estádio Superdome e do Centro de Convenções, onde milhares de pessoas estavam concentradas há uma semana.
Centenas de autocarros e helicópteros transportaram milhares de pessoas durante as oito horas que durou a operação. A maior parte das pessoas foi levada para o Texas. Nova Orleães tem meio milhão de habitantes, mas a cidade parece deserta e o horror substituiu o tradicional clima de festa.
À medida que os militares impõem segurança nas ruas e começam a distribuir ajuda humanitária, teve também hoje início a difícil tarefa de recolha de cadáveres. Testemunhos de pessoas resgatadas da cidade falam de cadáveres a flutuar nas ruas alagadas, alguns com marcas de balas.
A maioria dos testemunhos continua a descarregar críticas contra a Administração, acusando o governo federal e a burocracia de ter abandonado as vítimas do furacão à sua sorte durante os primeiros cinco dias. Muita gente morreu por falta de comida e de água.
A secretária de Estado, Condoleezza Rice, foi particularmente criticada por ter assistido ao musical dos Monty Python 'Spamalot' em Nova Iorque, na passada quarta-feira, dois dias depois de o furacão ter devastado a região, um dia depois de os diques terem cedido e Nova Orleães ter começado a ficar inundada.
A Administração do presidente George W. Bush iniciou hoje o contra-ataque pela conquista de uma opinião pública favorável. O jornal "Washington Post", na edição deste domingo, noticia que membros da Administração culpam as autoridades estaduais e locais pelo atraso na ajuda às vítimas.
O exemplo dado foi a tentativa de Washington para assumir o controlo directo sobre a Guarda Nacional no terreno, o que terá sido recusado pela governadora do Louisiana. Refira-se, a este propósito, que a Guarda Nacional é tutelada pelas autoridades estaduais e pode exercer acções de policiamento, ao contrário dos militares regulares, que estão proibidos por lei de impôr a ordem pública em espaço civil.
Além de, aparentemente, começar a estender uma espécie de cortina de fumo informativa, a Administração Bush dá outros sinais de empenho reforçado na ajuda às vítimas. Bush vai amanhã voltar à região, que visitou na passada sexta-feira. Rice vai visitar Mobile, Alabama, e o próprio secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, também planeia visitar Nova Orleães.
O secretário para a Segurança Interna, Michael Chertoff, anunciou ontem que pretende passar os próximos dias na região, com o objectivo específico de conjugar os esforços militares e civis na ajuda às vítimas.
UNIDADE ANTI-TERRORISTA ENTRA EM ACÇÃO
Uma unidade médica de alta mobilidade e autonomia, criada no rescaldo dos atentados terroristas de 2001 no âmbito dos novos planos de contingência então formulados, vai estabelecer-se em Jackson, Mississippi, para prestar assistência médica aos deslocados.
A unidade é um centro móvel para politraumatizados, está preparada para tratar uma centena de doentes em simultâneo e pode funcionar em capacidade máxima durante 72 horas sem reabastecimento. Vai constituir um importante apoio médico, numa zona onde os hospitais que ainda funcionam estão 'esgotados'.
AL-QAEDA CONGRATULA-SE
No meio de um pesadelo que mistura os efeitos da catástrofe natural com as consequências negativas do atraso na chegada da ajuda às vítimas do Katrina, a facção iraquiana da rede terrorista al-Qaeda emitiu um comunicado, anunciando que "a fúria divina" castigou os EUA.
No comunicado, emitido no sítio na Internet habitualmente usado pela facção iraquiana da al-Qaeda, os terroristas saúdam os líderes da organização e proclamam que a catástrofe que atingiu os EUA é - citamos - "o início da sua derrocada".
RECUPERAR A ENERGIA ELÉCTRICA
Técnicos do operador energético Entergy Corp entraram este domingo em Nova Orleães, escoltados por soldados da Guarda Nacional.
A empresa conseguiu restaurar parcialmente, sexta-feira, o fornecimento de energia eléctrica à refinaria Offshore Oil Port, devolvendo-lhe 75% da sua capacidade de produção. A Entergy espera que a LOOP consiga regressar à sua capacidade máxima de operação durante a semana que agora começa.
A Entergy anunciou que, até sábado à noite, já tinha restaurado o fornecimento de energia eléctrica a 500 mil clientes. Outra empresa regional de distribuição de energia eléctrica, a Mississippi Power, anunciou hoje que já restaurou o serviço a mais de 36% dos seus clientes.
KOWEIT
O governo do Koweit anunciou um donativo no valor de 500 milhões de dólares em produtos petrolíferos e bens humanitários, para as vítimas do Katrina. As autoridades do Koweit sublinharam que este gesto é quase um dever pela libertação dos país com a opção de guerra tomada pelos EUA em 1991.
AFEGANISTÃO
Pobres e com um forte contingente militar norte-americano em guerra no país contra a resistência armada do antigo regime taliban, as novas autoridades do Afeganistão não quiseram passar ao lado das necessidades nos EUA. O governo de Cabul ofereceu 100 mi, dólares em assistência humanitária.
AMI
A organização portuguesa Assistência Médica Humanitária anunciou hoje um donativo de 10 mil dólares para socorrer as vítimas do Katrina.
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