Homens passam agora a estar obrigados a apresentarem-se à polícia uma vez por semana e a entregarem os documentos de viagem.
Dois ativistas de Hong Kong foram esta terça-feira libertados sob caução depois de o tribunal ter deferido os recursos das respetivas sentenças por um protesto que iniciou a ocupação das ruas em 2014 em defesa do sufrágio universal.
O Tribunal de Última Instância pronunciou-se a favor de Joshua Wong e Nathan Law, de acordo com uma publicação na página do Facebook do seu partido político (Demosisto) e segundo a imprensa local.
Os dois ativistas passam agora a estar obrigados a apresentarem-se à polícia uma vez por semana e a entregarem os documentos de viagem. Os recursos vão ser analisados a 07 de novembro.
Um terceiro líder estudantil, Alex Chow, que também foi condenado e preso pelo mesmo caso não recorreu da sentença.
A estação pública Rádio e Televisão de Hong Kong (RTHK) noticiou que o juiz Geoffrey Ma, que preside ao Tribunal de Última Instância, requereu uma caução de 50.000 dólares de Hong Kong (cerca de 5.445 euros) a cada um dos ativistas.
Dezenas de apoiantes esperaram pelos dois jovens no exterior do tribunal, onde também estava instalado um grande aparato mediático.
Joshua Wong, de 21 anos, e Nathan Law, de 24 anos, foram condenados em agosto a seis e a oito meses de prisão, respetivamente, uma sentença agravada após um recurso do Departamento de Justiça de Hong Kong da decisão judicial de há um ano.
Na mesma decisão de agosto foi também condenado o antigo dirigente da federação de estudantes Alex Chow (27 anos) a sete meses de prisão.
O recurso interposto pelo Governo teve lugar depois de Wong e Law já terem cumprido o serviço comunitário a que tinham sido sentenciados no ano passado. Alex Chow tinha sido condenado a três semanas de prisão, mas com pena suspensa.
A prisão de Wong, Chow e Law pelos seus papéis no movimento 'Occupy', que ficou conhecido como 'Umbrella Revolution' [revolução dos guarda-chuvas] em Hong Kong desencadeou protestos na cidade e também a nível internacional.
Os ativistas Wong e Law recorreram das respetivas sentenças menos de um mês depois de terem sido presos em agosto.
Wong e Chow tinham sido previamente declarados culpados de assembleia ilegal e Law, também de incitar outros a participar em assembleia ilegal, por invadirem uma área no exterior da sede do governo, e Conselho Legislativo (parlamento), conhecida como Praça Cívica, no âmbito de um protesto a 26 de setembro de 2014.
Este protesto marcou o início da ocupação das ruas em Hong Kong em 2014, uma ação que se estendeu por 79 dias, para exigir o sufrágio universal na eleição para o chefe do Executivo.
As imagens da 'revolução dos guarda-chuvas' correram mundo, mas o movimento falhou.
Os democratas não conseguiram que Pequim abdicasse da pré-seleção dos candidatos e rejeitaram a proposta de reforma política, mantendo o método de voto como estava.
A eleição para o chefe do Executivo continuou este ano a ser realizada por um colégio eleitoral de apenas 1.200 membros.
Desde então não foram poucos os tumultos a que a cidade assistiu, desde o desaparecimento de cinco livreiros que publicavam livros críticos do regime chinês, passando pelo emergir de movimentos independentistas e pela interferência de Pequim para afastar do cargo dois deputados eleitos pela população.
Nathan Law, que se tornou o mais jovem deputado eleito em setembro de 2016, foi um dos seis deputados desqualificados nos últimos meses pela forma como prestaram juramento no parlamento da cidade.
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