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Mais de 17 mil mortos na RD Congo após tomada de áreas por rebeldes

Movimento 23 de Março, um grupo rebelde de tutsis ativo no leste do país, ocuparam áreas no leste.

22 de fevereiro de 2026 às 15:00

Mais de 17 mil pessoas morreram nas cidades de Goma e Bukavu, em Kivu do Norte e Kivu do Sul, respetivamente, desde que os rebeldes do M23 ocuparam essas áreas no leste da República Democrática do Congo (RDCongo).

Os dados constam de um relatório do Ministério dos Direitos Humanos da RDCongo divulgado no sábado e que visa o M23 – Movimento 23 de Março, um grupo rebelde ativo no leste do país, composto maioritariamente por tutsis.

Das 17.015 pessoas, cerca de 15.769 casos envolvem mortes ou ameaças à vida, enquanto 829 foram casos de sequestro e 417 de tortura, que forçaram sete milhões de civis a fugir dentro e para fora do território.

O relatório apresentado pelo ministro dos Direitos Humanos, Samuel Mbemba Kabuya, foi elaborado após investigações de campo, depoimentos diretos e triangulação de documentos com a participação de especialistas, organizações de direitos humanos e instituições públicas.

As principais vítimas do conflito são mulheres e crianças: estima-se que, nas áreas afetadas pela violência, ocorra uma violação a cada quatro minutos, enquanto grupos armados continuam a recrutar menores à força.

A investigação também estabeleceu uma ligação entre a violência e a exploração ilegal de recursos naturais, visto que tanto o Kivu do Norte como o Kivu do Sul possuem importantes depósitos minerais.

Em resposta a essa situação, o Governo da RDCongo defendeu a criação de um tribunal penal internacional especial para julgar os supostos autores desses crimes e o ministro instou a comunidade internacional a fornecer maior apoio ao país para proteger a população civil e restaurar a paz.

Na sexta-feira, durante uma visita aos territórios ocupados pelo M23, a comissária da União Europeia (UE) para a Gestão de Crises, Hadja Lahbib, instou os líderes do grupo rebelde a abrirem corredores humanitários para permitir que a ajuda chegue a milhões de civis no leste do país.

Lahbib também se reuniu com o Presidente congolês, Félix Tshisekedi, na terça-feira, em Kinshasa, a capital, a quem anunciou o apoio para ajuda humanitária no valor aproximado de 81,2 milhões de euros, um valor recorde para a região dos Grandes Lagos.

A violência no leste da RDCongo intensificou-se em dezembro com a captura de Uvira, em Kivu do Sul, pelo M23 – grupo apoiado pelo Ruanda –, uma cidade estratégica devido aos recursos minerais e às ligações fronteiriças e fluviais.

O M23 retirou-se posteriormente da cidade a pedido dos Estados Unidos.

Após os acordos de paz em Washington e no Qatar, ambos os lados acusam-se mutuamente de violar o cessar-fogo.

Desde 1998, o leste da RDCongo está mergulhado em conflitos alimentados por grupos rebeldes e pelo exército, apesar da presença da missão de paz da ONU.

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