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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Militares detêm uma dúzia de jornalistas que se manifestavam na capital da Guiné-Conacri

Em causa está uma ação de desativação de um site de notícias muito seguido.

16 de outubro de 2023 às 17:14

As forças de segurança da Guiné-Conacri detiveram esta segunda-feira uma dúzia de jornalistas e utilizaram gás lacrimogéneo para dispersar uma manifestação na capital do país numa ação de desativação de um site de notícias muito seguido, revelaram meios de comunicação social local.

O Sindicato da Imprensa Privada da Guiné (SPPG) tinha convocado uma manifestação pelo centro da capital, Conacri, para exigir o levantamento das restrições impostas ao portal de notícias na internet Guinée Matin.

O Guinée Matin está sem VPN (rede privada virtual) e inacessível diretamente na Guiné-Conacri desde meados de agosto. A organização Repórteres sem Fronteiras criou um portal espelho para que o "site" possa ser consultado.

A junta militar no poder desde o golpe de Estado em setembro de 2021 não deu qualquer explicação para o bloqueio do Guinée Matin.

"Tínhamos a intenção de nos reunirmos na rotunda do porto. As forças mistas da polícia e da força militar dispersaram-nos com gás lacrimogéneo", afirmou Abdouramane Diallo, funcionário do SPPG, em declarações à agência AFP.

Um jornalista presente na concentração ficou ligeiramente ferido, acrescentou Diallo.

Imagens divulgadas na Internet mostram jornalistas a afastarem-se de nuvens de gás ao som de detonações, à passagem de veículos da gendarmaria.

Pelo menos 12 jornalistas foram detidos, incluindo o secretário-geral do SPPG, informaram as organizações profissionais.

Os detidos foram conduzidos a um tribunal sob a acusação de participarem numa concentração ilegal.

A junta militar no poder proíbe a realização de manifestações desde 2022.

Quatro associações de imprensa afirmaram, numa declaração conjunta citada pela AFP, que "condenam esta violência gratuita contra jornalistas" e "exigem a sua libertação imediata e incondicional".

"As associações de imprensa apelam à opinião pública nacional e internacional para que testemunhe retrocesso o grave da liberdade de expressão e da democracia", acrescenta a declaração.

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