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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Movimento Armilar Lusitano equacionou atentado a Luís Montenegro

Agente da PSP recolheu informações do primeiro-ministro. Membros do grupo discutiram hipótese de sequestro ou lançamento de uma granada para a casa do primeiro-ministro e tinham lista de políticos e comentadores como alvos.

18 de junho de 2026 às 15:17

Os elementos do Movimento Armilar Lusitano (MAL), acusados esta quinta-feira pelo Ministério Público de criarem um grupo terrorista neonazi, chegaram a equacionar um atentado ao primeiro-ministro, Luís Montenegro. As conversas e os documentos recolhidos pela investigação revelam que o grupo fez um levantamento prévio da morada e rotinas do primeiro-ministro, discutindo, em seguida, qual seria o melhor método: atentado ou o arremesso de uma granada para o interior da sua casa, em Lisboa.

A acusação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal refere que, após Bruno Gonçalves, agente da PSP, atualmente em prisão preventiva, ter obtido a “morada de Luís Montenegro, com o número de porta e andar”, através do sistema da Polícia Municipal de Lisboa, onde estava colocado, partilhou os dados com os restantes membros do MAL: “Consegui a morada de um certo atual primeiro-ministro, aquele conhecido pelo Monstro Negro”. Depois de terem colocado de parte a hipótese de sequestro do primeiro-ministro, os membros do grupo consideraram que se devia “cogitar dispararem um granada de 37mm através de uma janela para o interior da casa de Luís Montenegro”, refere a acusação do DCIAP, ilustrando com uma conversa retirada de uma plataforma online: “Sequestro é paro esquecer, mas uma granada de 37mm disparada por uma janela adentro não está fora do ementa”.

Luís Montenegro foi uma das personalidades políticas que integrou uma lista, na qual os membros do MAL “catalogaram e/ou recolheram informações”, diz a acusação, de pessoas que eram vistas como “ameaças ou alvos”. A tal lista incluí nomes como Marcelo Rebelo Sousa, António Costa, Cavaco Silva, Francisco Pinto Balsemão, Rui Tavares, Ricardo Sá Fernandes, Mariana Mortágua, Miguel Sousa Tavares, entre outros.

Os principais suspeitos do processo foram acusados de liderar um grupo terrorista, assim como pelo respetivo recrutamento de membros. Depois do caso FP-25, esta é a primeira acusação  a um grupo exclusivamente português. Além de quatro suspeitos em prisão preventiva, a acusação abrange ainda mais cinco pessoas. O MAL foi desmantelado pela Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária, em junho do ano passado, com a detenção dos seus principais líderes.

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