A moção parlamentar do PS chumbou esta quarta-feira a moção de censura apresentada pelo CDS-PP. A iniciativa teve os votos favoráveis do PSD e contou com a abstenção do PCP, BE e PEV.
PORTUGUESES CANSADOS DA 'ARROGÂNCIA' DE SÓCRATES
Paulo Portas apresentou esta a moção de censura do CDS-PP ao Governo, acusando o Executivo socialista de ter falhado nas políticas e apontando a José Sócrates 'erros de política, que não são de comunicação, são de fundo'.
No debate parlamentar, o líder centrista justificou a iniciativa para 'dar voz' aos cidadãos que censuraram o Governo 'no país e nas urnas'. Portas acusou o primeiro-ministro de 'estar a inventar à pressa uma personalidade', depois de ter começado a actual legislatura como um 'animal feroz'.
'Apresentou-se como um animal feroz, agora está à pressa a inventar uma personalidade português suave, modesto e humilde. Não cola consigo. Um português suave, modesto e humilde chamado José Sócrates pode ser um alívio, mas não é solução', sustentou o líder do CDS-PP.
Para a derrota de Sócrates nas eleições, continuou Portas, contribuiu a 'arrogância' do primeiro-ministro, que, exemplificou, em relação aos sectores produtivos 'se permite desprezar compromissos'. 'O país cansou-se dessa arrogância que não é uma questão de forma, é de essência. O país cansou-se do excesso de propaganda e do défice de autenticidade', vincou Portas.
MOÇÃO DE CENSURA ASSENTE EM PRESSUPOSTOS 'FALSOS'
Na defesa do Governo, Sócrates defendeu que a iniciativa do CDS-PP se baseia em pressupostos 'falsos', ao pretender 'abusivamente' transformar as eleições europeias em legislativas.
'Querer retirar dos resultados das eleições para o Parlamento Europeu conclusões sobre a legitimidade do Governo nacional é pura e simplesmente desrespeitar a democracia. Digamo-lo com todas as letras: é uma abuso que raia a ignorância quando se pretende assumir, em nome do eleitorado, uma legitimidade que o eleitorado manifestamente não conferiu', defendeu o primeiro-ministro.
'Uma coisa é compreender os sinais dos eleitores, e eu estou bem atento a esses sinais, outra coisa, bem diferente, é instrumentalizar os resultados, pretendendo confundir eleições europeias e legislativas', considerou Sócrates, acrescentando que a iniciativa do CDS-PP 'é totalmente inútil e inconsequente'. 'Todos sabem que a legislatura está no seu termo e que muito em breve os eleitores serão chamados a pronunciar-se sobre o futuro da Governação'.
PS ACUSA CDS-PP DE 'USURPAÇÃO POLÍTICA'
O líder parlamentar do PS, Alberto Martins, acusou o CDS-PP de 'usurpação política da vontade popular' e de querer 'prolongar artificialmente' os resultados das eleições europeias.
'É uma irresponsabilidade política. Um prolongamento artificial dos resultados eleitorais, a três meses das eleições, e uma usurpação ilegítima da vontade popular do eleitorado quando censura electivamente', disse o líder parlamentar, acusando o CDS-PP de 'manobrismo infantil', que revela 'falta de sentido de Estado e irresponsabilidade'.
PSD APOIA MOÇÃO PARA EVITAR
O deputado social-democrata Aguiar Branco explicou que o PSD votará favoravelmente a moção de censura do CDS-PP para evitar 'a equívoca leitura de um prolongamento imerecido de vitalidade deste governo'.
Aguiar Branco considerou que 'o Governo não foi digno da maioria absoluta que os portugueses lhe confiaram', sustentando que 'a coerência, a autenticidade, a honra da palavra dada, o respeito e a verdade não se inscrevem no ADN' do Executivo socialista, que 'merece uma forte censura'.
Na sua intervenção, o deputado destacou 'o saldo de uma governação falhada, de um Governo empedernido e de um primeiro-ministro esgotado' e mostrou-se confiante de que o Executivo de José Sócrates será 'definitivamente censurado nas próximas eleições legislativas'.
PCP DESAFIA GOVERNO A MUDAR DE POLÍTICA
O secretário-geral do PCP desafiou o Governo a mudar o rumo de política, defendendo que os resultados eleitorais foram um sinal de que 'o povo português quis dizer ‘basta', que este rumo de vida nacional não pode continuar, penalizando o executante da política de direita, neste caso, o PS'.
'Não acha que se mantiver o rumo vai bater com a cabeça - salvo seja, sem ofensa, estou a falar do Governo -, na medida em que a mesma política vai conduzir ao mesmo resultado, isto é, ao fracasso desta política de direita?', questionou Jerónimo de Sousa.
Sócrates respondeu ao líder comunista, reconhecendo que a derrota eleitoral 'espelha um certo desagrado e frustração dos portugueses pelo facto de que a crise económica e financeira se ter somado a anos anteriores em que foi preciso fazer reformas e tarefas patrióticas que exigiram sacrifícios aos portugueses'.
BE QUESTIONA GOVERNO SOBRE TRABALHO DOMICILIÁRIO PARA CRIANÇAS
Durante o debate parlamentar, O BE criticou o Governo por dizer que 'é tempo de olhar para as políticas sociais' e acusou o PS de apresentar um projecto de lei que permite o trabalho domiciliário 'a crianças de 14 anos'.
Segundo Francisco Louçã, o projecto de lei do PS 'determina que o trabalho domiciliário já não é aos 16, já não, no país de Sócrates com 14 anos já se pode fazer trabalho domiciliário desde que se tenha a escolaridade obrigatória'.
O líder do BE considerou que o projecto 'é uma vergonha' e que permite a 'roubalheira' de existirem 'miúdos a coser sapatos em casa'.
Na sua defesa, o primeiro-ministro defendeu que as políticas sociais não são de agora, mas 'foram conduzidas ao longo de quatro pelo Governo' e garantiu que 'nunca o PS apresentou o projecto' que permitisse o trabalho domiciliário para crianças de 14 anos. Sócrates acusou Louçã de estar 'propositadamente e de forma demagógica a interpretar mal a iniciativa política do PS'.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.