Antigo presidente do Centro Hospitalar do Porto tinha 69 anos.
Fernando Sollari Allegro, especialista em gastrenterologia e mentor de importantes transformações nos últimos 14 anos do Centro Hospitalar do Porto/Hospital de Santo António, morreu hoje, vítima de cancro.
Segundo fonte do Centro Hospitalar do Porto, Fernando Sollari Allegro morreu hoje ao final da tarde no Porto, aos 69 anos.
O funeral de Sollari Allegro realiza-se às 15:00 de quinta-feira e o corpo vai estar em câmara ardente a partir da tarde de quarta-feira na igreja de Nossa Senhora da Boavista, no Foco.
Detetada em 2009, a doença forçou-o a pedir a exoneração, nesse mesmo ano, do cargo de presidente do Conselho de Administração, cargo que ocupava desde 2002. Mais tarde, explicou que tomou a decisão de abandonar a administração por considerar que "um hospital que tem um orçamento de 250 milhões de euros, não deve estar entregue a um doentinho".
Sollari Allegro nasceu a 27 de janeiro de 1947, em Moçambique, licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Teresópolis, Rio de Janeiro, Brasil, com equivalência subsequente pelas faculdades de medicina portuguesas.
Entre abril e outubro de 1984 foi assistente convidado da disciplina de gastrenterologia do Curso de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e concluiu, em julho de 1986, o internato de especialidade de gastrenterologia no Hospital Geral de Santo António.
Desde 1986, e aprovado por unanimidade, tornou-se membro do Colégio de Especialidade de Gastrenterologia da Ordem dos Médicos.
Em 30 de março de 1994, foi aprovado no concurso de habilitação ao grau de consultor de gastrenterologia da carreira médica hospitalar e, em maio desse mesmo ano, foi nomeado responsável pela gestão do centro de endoscopia digestiva do serviço de gastrenterologia do Hospital Geral de Santo António, cargo que exerceu até fevereiro de 2000.
Tornou-se professor associado, convidado, da disciplina de Medicina, área de gastrenterologia, do Curso de Medicina do Instituto de Ciência Biomédicas Abel Salazar e foi presidente do Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva.
Desde novembro de 1996 que era membro do programa de transplantação hepática do Hospital Geral de Santo António, sendo também membro da Comissão de Infeção Hospitalar.
O enriquecimento do seu percurso académico foi sempre uma constante a par da sua vida profissional e, no ano de 2001, frequentou o Curso Pós-Graduado do Mestrado em Gestão e Economia da Saúde da Faculdade de Economia de Coimbra.
Em dezembro de 2005, concluiu o programa de Alta Direção de Instituições de Saúde organizado pela Escola de Direção e Negócios (AESE).
Do seu trajeto profissional destaca-se também a sua atividade enquanto auditor de qualidade da bolsa de auditores do Instituto de Qualidade em Saúde.
Em 1999, em dezembro, foi eleito pelos seus pares diretor clínico do Hospital Geral de Santo António onde exerceu funções até agosto de 2002. Entre os anos de 2000 e 2002, foi igualmente presidente da Comissão de Farmácia Terapêutica.
A 18 de agosto de 2002, foi nomeado presidente do Conselho de Administração do "Santo António", sendo reconduzido no cargo, em dezembro de 2005.
Em outubro de 2007, foi nomeado presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Porto (CHP) -- criado por fusão do Hospital Geral de Santo António, com o Hospital Central Especializado de Crianças Maria Pia e a Maternidade Júlio Dinis -, cargo de que foi exonerado a seu pedido em junho de 2009.
Por estranha ironia, o especialista em gastroenterologia, descobriu nesse ano um cancro no reto. Nunca interrompeu a sua atividade profissional, mas o cancro forçou-o a demitir-se da administração do CHP.
Condecorado, em abril de 2010, com a medalha de Serviços Distintos Grau Ouro do Ministério da Saúde, foi, também, nomeado diretor do Serviço de Gastrenterologia do Centro Hospitalar do Porto em março de 2011.
Em novembro de 2011, voltou a ser nomeado presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Porto, cargo que manteve até setembro de 2016, quando a mesma doença o voltou a afastar da presidência do CHP, que com ele ganhou o estatuto de Centro Hospitalar Universitário.
Em 30 de setembro 2016 quando cessou funções e foi homenageado, através do descerramento do seu busto, Sollari Allegro pediu ao seu substituto para que não misture política com gestão.
Outro dos conselhos dado pelo presidente do conselho de administração é de que quem lhe suceder terá de estar preparado para sair no dia seguinte ao que entrou, porque só assim conseguirá ser independente.
"Não criem guerra, mas falem com as pessoas porque começar uma guerra é facílimo, mas acabar com ela é complicado", frisou.
Lamentou deixar projetos por concluir como, por exemplo, a reforma do serviço de urgência. O projeto que "deixa em cima da mesa" visa criar uma "coisa completamente diferente", inspirada nas urgências americanas de grande movimento e, assim, conseguir ter zero macas nos corredores à semelhança do ano passado.
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