Declarações do líder dos sociais-democratas no Funchal.
O presidente do PSD disse esta quarta-feira ter muita dificuldade em perceber a possibilidade de nacionalização da banca, considerando que traduz uma imagem de fragilidade e evidencia "uma tentação de manter o país perto de um abismo de falta de confiança".
"Acho tudo isso uma tentação de manter o país perto de um abismo de falta de confiança que não se entende", afirmou Passos Coelho no Funchal.
O líder dos sociais-democratas falava aos jornalistas no Funchal (ilha da Madeira), no âmbito da campanha de recandidatura à liderança do partido, tendo sido questionado sobre notícias relacionadas com a possibilidade de nacionalização do Novo Banco.
Passos Coelho declarou que a possibilidade de nacionalizar esta instituição "é uma conversa" que tem "muita dificuldade em perceber", argumentando que o país "está a fazer tudo ao contrário", sobretudo numa altura em que deveria "estar interessado em criar condições de maior confiança para atrair o investimento externo, para poder vender como deve ser o Novo Banco, para poder ter investidores na TAP que pudessem garantir a sobrevivência da empresa".
"Numa altura em que nós precisávamos de ter confiança, estabilidade e previsibilidade como um escudo que nos protegesse até de alterações mais sensíveis nos mercados financeiros como ainda há pouco tempo sucedeu, a última coisa que nos interessa nesta fase é andar a falar de reestruturação da dívida, de nacionalização de bancos", sustentou.
Segundo o líder social-democrata, discutir estes temas serve para "atrair todas as atenções negativas do mundo sobre Portugal" e só "isso conduz à fragilização da imagem e da confiança no país".
"Acha que faz algum sentido alguém pôr em hipótese fazer a nacionalização do banco" quando o Fundo de Resolução "está empenhado em conseguir um comprador, quer dizer, foi justamente o sistema financeiro que investiu quase 5.000 milhões de euros no Novo Banco para ver se o vende e se isso não traz prejuízo para a banca portuguesa", questionou.
"Então era melhor dizer que não o querem vender e que querem que sejam os portugueses a pagar a sua nacionalização e que acham que o que é preciso fazer com a Caixa Geral de Depósitos ainda tem de ser agravado com um objetivo dessa dimensão", realçou.
Pedro Passos Coelho disse que o objetivo era a venda do Novo Banco, mencionando que há partidos que "continuam a acreditar que a melhor forma de olhar para o futuro é nacionalizar as empresas, a banca e por aí fora", uma experiência de "má memória" outros tempos em Portugal.
"Eu dificilmente percebo como é que essa agenda interessa a Portugal hoje", concluiu.
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