Governo ruandês acusa as autoridades congolesas de financiarem este grupo.
A missão da ONU na República Democrática do Congo (MONUSCO) anunciou este sábado que existem menos de mil combatentes das Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR), acusadas por Kinshasa de violência no leste do país.
O Governo ruandês acusa as autoridades congolesas de financiarem este grupo que, juntamente com milícias como o Movimento 23 de Março (M23), transformaram a província de Kivu do Norte, num cenário de violência que já provocou centenas de milhares de deslocados e refugiados, apenas nos últimos meses.
"Já repatriámos 30.000 ruandeses, incluindo combatentes das FDLR e seus familiares, e hoje acreditamos que existam menos de mil combatentes da organização presentes em solo congolês", disse Jean-Claude Bahati Muhindo, chefe de desarmamento e desmobilização da MONUSCO, durante uma conferência de imprensa em Goma, capital do Kivu do Norte.
Contudo, a MONUSCO avisa que esta enorme diminuição de combatentes não torna o grupo menos perigoso, já que as FDLR são "diferentes de outros grupos armados", por serem uma força muito bem organizada.
As FDLR são rebeldes ruandeses hutus descritos como genocidas pelo regime de Kigali e estão em solo congolês desde 1994, após a queda do regime de Juvénal Habyarimana.
Este grupo militar é acusado de vários abusos e crimes documentados por organizações internacionais de direitos humanos, incluindo a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch.
O governo congolês nega todas as acusações de financiamento das FDLR e acusa o Ruanda de apoiar o M23, contribuindo para uma situação de tensão, apesar da diminuição do conflito verificada nos últimos meses.
Este sábado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu aos líderes africanos para aumentarem os esforços para trazer paz para a República Democrática do Congo.
"É hora de acabar com a violência. Reitero o meu apelo a todos os grupos armados: deponham as armas - imediatamente - e juntem-se ao processo de desmobilização, desarmamento e reintegração", disse Guterres, durante uma reunião no Burundi que juntou líderes de vários países africanos que assinaram um acordo mediado pela ONU em 2013 para promover a estabilidade naquele país.
"Apesar dos nossos esforços coletivos, mais de uma centena de grupos armados -- congoleses e estrangeiros -- ainda hoje operam e, portanto, ameaçam a estabilidade de toda a região dos Grandes Lagos", lembrou o secretário-geral das Nações Unidas.
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