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Queda de muro mata três jovens

Queda de muro, quando se cumpria tradição de praxe, mata três estudantes e fere quatro.

24 de abril de 2014 às 07:55

Uma guerra de praxe entre os cursos de Medicina e de Engenharia Informática da Universidade do Minho acabou ontem em tragédia. Durante os cânticos entoados, vários alunos subiram a um muro com caixas de correio metálicas embutidas. Os outros ficaram no passeio, na rua de Vilar, em Gualtar, Braga. A estrutura de cimento e tijolo ruiu. Três estudantes, todos do sexo masculino, entre os 18 e 21 anos, morreram; quatro ficaram feridos, um com gravidade.

As três vítimas mortais são de Braga, Porto e Vila Real. O acidente ocorreu junto aos bares da universidade, quando dois grupos de praxe se encontraram e cumpriram a tradição: cada grupo começou a cantar, cada vez mais alto, a puxar pelo seu curso.

Entusiasmados, vários estudantes subiram para o muro - que estava degradado há cerca de seis meses. A inclinação, para o lado da rua, era notória. Alguns estudantes em cima do muro terão começado a saltar, o que contribuiu para a derrocada. No meio da confusão, três alunos de Engenharia Informática, que estavam no passeio, foram atingidos pelos blocos e ficaram soterrados. Dois dos corpos foram retirados do local às 20h10 e transportados pelo INEM para a morgue do Hospital de Braga. A terceira vítima mortal só foi retirada do local depois das 22h00.

Mário Jorge Real, Luís Pedro, André Ferreira e um outro colega do primeiro ano de curso estavam na parte superior do muro. Caíram por cima do cimento e dos tijolos que mataram os colegas. Aqueles quatro estudantes escaparam com vida, mas ficaram feridos e em choque quando se aperceberam da dimensão do acidente. Em pânico, juntaram se centenas de alunos e de familiares no local, questionando a identidade das vítimas mortais.

Pais desesperados mostram fotos à PSP

n Depois dos primeiros alertas para a tragédia junto ao Campus de Gualtar, em Braga, muitos familiares de estudantes da Universidade do Minho ficaram em desespero e começaram a telefonar para os amigos dos mesmos, mas também para autoridades policiais e corporações de bombeiros da cidade.

Alguns pais deslocaram-se até ao local do desabamento. Aí, em pânico total, mostraram fotografias dos jovens aos agentes da polícia e aos bombeiros que se encontravam próximos do local da derrocada. E tudo na esperança de ouvirem uma resposta negativa, uma garantia absoluta de que nenhuma das vítimas mortais seria sequer parecida com os seus filhos.

Também nos fóruns da internet relacionados com a Universidade do Minho e nas redes sociais muitos dos alunos e dos seus familiares procuravam respostas para as imensas dúvidas, tentando principalmente descobrir, afinal, quem eram os alunos que tinham sido fatalmente atingidos pela derrocada do muro naquela zona residencial próxima do Campus de Gualtar da Universidade do Minho.

"Vi muito sangue e foi o pânico"

Passei por aqui logo a seguir à derrocada. Vi muito sangue, mas nem sabia muito bem o que se passava. Foi o pânico". O testemunho é de Mariana Rodrigues, uma das estudantes da Universidade do Minho (UM) que estiveram no sítio da tragédia logo após a queda do muro.

Os momentos que se seguiram foram de total desespero. Mariana contou ao Correio da Manhã que tentou ligar para o 112, mas sabe que, antes dela, já muitos o tinham feito.

Aliás, a zona em que ocorreu o desastre é habitacional, mas os moradores são praticamente estudantes do Campus de Gultar da Universidade do Minho. É até um local recorrente de praxes e, à noite, centro máximo da diversão académica (ver caixa). Um pai de um estudante do curso de Engenharia Informática deu conta também do seu desespero, mas tudo acalmou quando percebeu que o filho estava bem, dentro das circunstâncias. "Ele ficou totalmente transtornado. Nem consegue falar direito, só pensa em ajudar os amigos", comentou o familiar que, contudo, preferiu ficar no anonimato. Também esse jovem foi dos que assistiram a toda a tragédia que acabou por atingir fatalmente três colegas de curso, deixando ainda quatro feridos. "Ouvi muitos gritos e, inicialmente, ainda pensei que eram derivados da praxe, que seria tudo uma brincadeira no espírito das guerras de curso", descreveu ainda um outro estudante, de nacionalidade espanhola, que se encontra em Braga no âmbito do programa Erasmus. "Só mais tarde vi com maior atenção e percebi que estava toda a gente desesperada com a situação", acrescentou o mesmo aluno.

Para o hospital de Braga foram levados os quatro feridos. Vários familiares deslocaram-se logo a seguir e mostraram descontentamento por não serem imediatamente informados da situação. Entre a consternação e a natural preocupação, ouviram se também muitos gritos de desespero.

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