Riqueza líquida média por família situou-se em 298,4 mil euros, o que, a preços desse ano, traduz um aumento de 29,4% em relação a 2020.
A riqueza líquida média e a riqueza líquida mediana das famílias aumentaram 29% em termos reais entre 2020 e 2024, impulsionadas por uma subida média do valor dos ativos reais, num contexto de forte crescimento dos preços da habitação.
O "Inquérito à Situação Financeira das Famílias" (ISFF) relativo a 2024, divulgado esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), aponta ainda que a percentagem de famílias com um elevado grau de endividamento diminuiu neste período, em resultado da redução da dívida, do aumento do rendimento e crescimento do valor dos ativos.
Segundo o INE, em 2024, a riqueza líquida média por família -- correspondente à diferença entre o valor dos seus ativos e das suas dívidas - situou-se em 298,4 mil euros, o que, a preços desse ano, traduz um aumento de 29,4% em relação a 2020, ano em que se realizou a edição anterior do ISFF.
"Esta evolução foi principalmente determinada pelo aumento do valor médio dos ativos reais (28,5%), decorrente, em grande parte, do aumento acentuado dos preços da habitação", refere.
Já o valor médio dos ativos financeiros, avaliado a preços de 2024, registou uma variação reduzida, de -2,0%.
Por sua vez, o valor médio da dívida a preços de 2024, considerando todas as famílias (com e sem dívida), reduziu-se 16,2%, contribuindo também para o aumento da riqueza líquida média.
No que diz respeito à riqueza líquida mediana, que traduz uma melhor indicação da riqueza líquida da maioria das famílias residentes em Portugal, situou-se em 151,8 mil euros, o que representa um aumento, em termos reais, de 29,2% face a 2020.
Os dados revelam que a distribuição da riqueza como um todo "foi mais equitativa, apesar do distanciamento entre classes de riqueza extrema ter aumentado".
Assim, em 2024, a riqueza líquida mediana do grupo dos 20% de famílias com riqueza líquida mais reduzida era de cerca de 1,7 mil euros, o que contrasta com uma mediana de 1.046,7 mil euros no grupo dos 10% de famílias com maior riqueza.
Segundo o inquérito, os ativos reais representavam 88,8% dos ativos totais das famílias, sendo a residência principal o ativo mais importante, representando 55,6% do total dos ativos reais. Os outros imóveis e os negócios por conta própria eram o segundo e terceiro ativos reais mais importantes, com pesos de 27,5% e 12,4%.
Na generalidade das famílias, a maior parte da riqueza financeira estava em 2024 aplicada em depósitos (que incluem os certificados de aforro e do Tesouro), com um peso de 74,6% no conjunto das famílias, o que - nota o INE - "está em linha com a elevada aversão ao risco reportada pelas famílias".
No que diz respeito às dívidas, em 2024, 41,6% das famílias tinham algum tipo de dívida e, entre as famílias endividadas, o valor mediano da dívida era 35,3 mil euros.
Nesse ano, 8% das famílias tinham restrições no acesso ao crédito, atingindo esta percentagem quase 20% nas famílias com riqueza líquida mais baixa, mais jovens ou quando o indivíduo de referência estava desempregado.
O tipo de dívida mais frequente eram as hipotecas da residência principal (24,8% das famílias) e a menos frequente eram as hipotecas garantidas por outros imóveis (4,3%).
Relativamente às dívidas não garantidas por imóveis, existem 18,4% de famílias com empréstimos e 10,5% com dívidas de cartões de crédito, linhas de crédito ou descobertos bancários.
Em 2024, o valor mediano do rácio entre a dívida e o rendimento situou-se em 102,6% e o valor mediano do rácio entre a dívida e os ativos em 20,2% (130,5% e 25,1%, respetivamente, em 2020).
Os dados do INE apontam ainda que, no ano em análise, o serviço da dívida representava mais de 40% do rendimento para 9,8% das famílias, um acréscimo em relação a 2017 e 2020, mas muito abaixo de 2010 e 2013.
Já a percentagem de famílias com um rácio entre a dívida e o rendimento superior a 300% manteve a tendência de redução acentuada que tem vindo a registar (de 39,6% em 2010 para 17,7% em 2024).
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