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Conselho diretivo do Sporting alerta para 'perigos' futuros

Direção sustenta que qualquer medida perturbadora do normal funcionamento do clube e da SAD põe em causa o futuro.
Lusa 24 de Maio de 2018 às 13:06
Bruno de Carvalho
Bruno de Carvalho
Bruno de Carvalho
O Conselho Diretivo do Sporting, liderado por Bruno de Carvalho, disse esta quinta-feira que os seus membros não estão apegados aos lugares, não renunciam e que qualquer alteração põe em causa os objetivos do clube e da SAD.

O Conselho Diretivo diz existirem objetivos a concretizar, como o "lançamento de um primeiro empréstimo obrigacionista em junho; assinatura do contrato jurídico da melhoria da reestruturação financeira; venda e compra de passes de jogadores de e para o plantel do futebol profissional; emissão de um segundo empréstimo obrigacionista em novembro".

A direção sustenta que qualquer medida perturbadora do normal funcionamento do clube e da SAD põe em causa o futuro "quer para o clube quer para a SAD", e apela aos associados e acionistas para os 'perigos' de um agendamento "precipitado" de uma Assembleia Geral para discutir a continuidade do Conselho Diretivo.

Os membros especificam que uma AG, para discutir a continuidade do atual Conselho Diretivo, irá "travar de imediato o lançamento do empréstimo obrigacionista", e que o clube e SAD "deixarão de ter capacidade para fazer face a compromissos imediatos".

O alerta estende-se à reestruturação financeira e à preparação da próxima época desportiva.

"Uma vez que passa a ser praticamente impossível concretizar transações de jogadores e prejudica a negociação de mais patrocínios", acrescentam, sublinhando que se novas eleições nunca se realizariam antes da primeira semana de agosto.

Para o Conselho Diretivo essa medida "colocaria em causa, desde logo, a possibilidade de garantir a constituição de um plantel ainda mais forte para o futebol profissional", para uma época que pretende "vencedora e de glória".

A permanência em funções é feita, segundo estes membros do Conselho Diretivo, em nome de um sentido de responsabilidade, e que os quatro objetivos elencados são muito mais importantes para o clube e SAD "do que qualquer querela política ou de disputa pelo poder".

A direção sublinha desses objetivos não poderá, assim, vir a ser assacada a estes membros, que tentam "evitar a todo o custo uma crise que foi desencadeada de forma absolutamente artificial e sem que houvesse qualquer fundamento para tal".

O comunicado é subscrito pelos membros da direção ainda em funções, nomeadamente Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, Rui Caeiro, José Quintela, Alexandre Godinho, Luís Roque e Luís Gestas.

Esta quinta-feira, os órgãos sociais do Sporting voltam a reunir-se para debater o futuro imediato do clube, dois dias depois de um encontro inconclusivo, na sequência das agressões a futebolistas na semana anterior.

Depois de uma reunião que durou quatro horas na terça-feira, o presidente demissionário da Mesa da Assembleia Geral, Jaime Marta Soares, disse que o encontro com a direção liderada por Bruno de Carvalho tinha sido essencialmente "de reflexão e muita serenidade".

Já esta quinta-feira, o médico Frederico Varandas apresentou a demissão da direção clínica do Sporting, e revelou à agência Lusa que será candidato à presidência do clube, caso sejam convocadas eleições.

A crise 'leonina' precipitou-se no dia 15 de maio, quando dezenas de alegados adeptos encapuzados invadiram a Academia do Sporting, em Alcochete, e agrediram alguns jogadores e elementos da equipa técnica.

A GNR deteve 23 dos atacantes, que ficaram em prisão preventiva depois de terem sido ouvidos no tribunal de instrução criminal do Barreiro.

Paralelamente, no âmbito de uma investigação do Ministério Público sobre alegados atos de tentativa de viciação de resultados em jogos de andebol e futebol tendo como objetivo o favorecimento do Sporting, foram constituídos sete arguidos, incluindo o 'team manager' do clube, André Geraldes.

Na sequência destes acontecimentos, os elementos da Mesa da Assembleia Geral, a maioria dos membros do Conselho Fiscal e parte da direção apresentaram a sua demissão, defendendo que Bruno de Carvalho não tinha condições para permanecer no cargo.
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