"Houve uma subtração de mais de 60 por cento do valor total dos subsídios que deveríamos receber", justifica Saibano Nhaga.
Os técnicos de saúde guineenses que prestam assistência e tratamento aos doentes da covid-19 iniciaram esta quarta-feira uma paralisação laboral "por tempo indeterminado" para reivindicarem o pagamento integral do subsídio.
Saibano Nhaga, porta-voz do coletivo de técnicos que trabalham no centro de assistência aos doentes da covid-19, no Hospital Simão Mendes em Bissau, disse esta quarta-feira à Lusa que a greve é no sentido de obrigar o Alto Comissariado contra a doença a repor os subsídios, que, afirmou, foram subtraídos nos últimos pagamentos.
"Houve uma subtração de mais de 60 por cento do valor total dos subsídios que deveríamos receber. Acordamos com o Alto Comissariado que pagaria a cada médico clínico geral o equivalente a 381 euros/mês e aos enfermeiros fixou-se o valor de 343 Euros", defendeu Nhaga.
O dinheiro teria sido subtraído aos técnicos durante os pagamentos dos meses de abril, maio e junho, segundo o porta-voz do coletivo que ainda exige ao Alto Comissariado contra a covid-19 a atualização dos subsídios de motivação bem como a colocação de um psicólogo no centro de atendimentos de doentes.
Saibano Nhaga justificou esta última exigência com o aumento de casos de infeção e ainda com o número de mortes pela covid-19, situações que disse afetar a saúde mental dos técnicos.
Também pedem que sejam aumentados os equopamentos de fornecimento de canalização de oxigénio aos doentes e equipamentos de proteção individual.
Nhaga confirmou que neste momento pararam de prestar assistência aos 13 doentes internados no centro, entre os quais, disse, oito "em estado grave".
Contactada pela Lusa, a Alta Comissária contra a covid-19, a antiga ministra da saúde guineense, Magda Robalo confirmou a paralisação de assistência no centro de Simão Mendes e lamentou o posicionamento dos técnicos.
A médica disse estar aberta às negociações com os técnicos, mas afirmou que em último caso vai ter que recrutar outros agentes de saúde para prestar assistência aos doentes.
"Nós temos que tomar conta dos doentes internados, portanto não há outra solução ou é deixar os doentes morreram por falta de assistência que é um crime. Se não chegarmos a um acordo, não podemos também fechar os olhos e fazer de contas que não há doentes internados, porque há um grupo de médicos que não aceita dar o tempo para a negociação" disse Robalo.
O centro de Simão Mendes é o maior local de tratamento de pacientes do coronavírus na Guiné-Bissau. Tem uma capacidade de 37 camas para o internamento.
O país conta ainda com os centros de tratamento de Cumura, Mansoa e Bafatá, que dispõem de 12 camas cada.
Magda Robalo adiantou ter solicitado uma reunião com os técnicos do Simão Mendes, mas recusa aceitar pressões e injustiças.
A responsável pelo combate a covid-19 na Guiné-Bissau sublinhou que os técnicos do Simão Mendes são os únicos que recebem pequeno-almoço, almoço e jantar durante os dias do trabalho.
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