Vítima de Gás em Vargas. Gabinete do Supremo Tribunal e sucursal de banco incendiados em Caracas
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O Ministério Público da Venezuela deu conta, na segunda-feira, da morte de um homem de 49 anos que, segundo dirigentes da oposição, se encontrava num protesto contra o governo no estado de Vargas.
As autoridades informaram, através do Twitter, que estão agora a investigar a morte de Sócrates Salgado.
O deputado da oposição José Manuel Olivares, natural de Vargas, afirmou sobre o caso, também na rede social, que Salgado "morreu de paragem respiratória devido ao gás lacrimogéneo".
Segundo Olivares, na localidade de La Guaira, capital do estado, registou-se uma situação "tensa" devido a protestos de cidadãos que, garantiu, foram reprimidos com gás lacrimogéneo pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militarizada).
"Saímos à rua para protestar contra a FOME e a GNB reprimiu brutalmente", acrescentou.
O deputado da oposição Juan Guaidó, também de Vargas, afirmou por seu lado que, durante a noite de segunda-feira, registaram-se protestos em seis zonas do estado.
"Há feridos devido à absurda repressão a habitantes de La Guaira que protestavam por comida", Guaidó, também no Twitter.
Desde o passado dia 01 de abril que a Venezuela é palco de manifestações diárias, contra e a favor do Governo, algumas das quais com episódios de violência que já causaram 68 mortos, incluindo o caso de Salgado, e mais de um milhar de feridos, segundo dados do Ministério Público.
Ataques ao Supremo Tribunal e banco de Caracas
Um grupo de encapuzados incendiou na segunda-feira a Direção Executiva da Magistratura do Supremo Tribunal da Venezuela, em Chacao, este de Caracas, onde também foram queimados escritórios do banco BBVA, localizados no primeiro piso do mesmo edifício.
Na zona decorria uma manifestação da oposição, quando os encapuzados começaram a atacar a sede do tribunal, que 'regaram' com gasolina e depois pegaram fogo.
A agência de notícias Efe observou agentes de segurança da Direção Executiva da Magistratura (DEM) a lançarem disparos de chumbo contra os encapuzados, o que não os impediu de acederem ao imóvel.
No primeiro piso do edifício da DEM encontram-se os escritórios do BBVA, onde os encapuzados entraram e incendiaram, além de partirem vidros e usarem mobiliário como combustível para alimentar as chamas.
Os atos violentos causaram dezenas de feridos.
O autarca de Chacao, o opositor Ramón Muchacho, condenou a violência e informou que o fumo gerado pelo incêndio, juntamente com o gás lacrimogéneo, afetou um centro de educação pré-escolar que funciona no prédio e onde estavam "aproximadamente 45 crianças".
Num contacto telefónico com o canal privado Globovisión, Muchacho assegurou que foi "uma situação de violência e de repressão" e que, à hora do ataque, "não havia presença de polícias nacionais nem da Guarda Nacional".
Por sua parte, o Supremo Tribunal rejeitou os "ataques terroristas" de que o seu gabinete foi alvo.
Em comunicado, o tribunal afirmou que os ataques aconteceram "com a cumplicidade das altas autoridades do município (governado pela oposição) e a sua polícia, que não cumpriram com a missão de proteger os bens e segurança dos habitantes".
A nota indica também que o presidente do Supremo Tribunal, Maikel Moreno, decidiu mudar a sede da DEM para outro lugar, "já que esta zona da Grande Caracas é um território sem lei".
Na quarta-feira passada a sede da DEM foi alvo de outro ataque, em que um grupo de pessoas "com atitude violenta tentou embater um camião contra a fachada" do edifício que, depois, foi incendiada.
No dia 08 de abril o mesmo local foi atacado com 'cocktails molotov' e sofreu danos.
Desde 01 de abril que uma vaga de protestos, a favor e contra o Governo venezuelano, decorre no país, tendo já causado 67 vítimas mortais e um milhar de feridos, segundo o Ministério Público.
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