"Nós encontraremos a solução, não me digam que não há solução", defendeu o candidato apoiado pelo Chega.
O candidato presidencial André Ventura sugeriu hoje que a solução para o adiamento geral da segunda volta das eleições pode passar por um acordo entre todos os municípios ou pela declaração do estado de emergência.
"Nós certamente que encontraremos no parlamento, e com o Presidente da República, o fundamento para, seja através de um estado de emergência, seja, por exemplo, através de um acordo municipal que envolva todos os municípios, ou quase todos, e a Associação Nacional de Municípios os represente, numa espécie de declaração de calamidade na maior parte dos municípios, ou em todos os municípios", afirmou.
"Nós encontraremos a solução, não me digam que não há solução", defendeu o candidato apoiado pelo Chega.
Cerca de duas horas antes, o também líder do Chega tinha sido questionado pelos jornalistas sobre qual o enquadramento legal para um adiamento das eleições a nível nacional, como sugeriu, mas escusou-se a concretizar.
Entretanto, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) indicou que a lei "não permite" o adiamento geral das eleições a nível nacional, mas apenas nos municípios que o solicitem, como já fez Alcácer do Sal ou Arruda dos Vinhos.
André Ventura falava aos jornalistas no final de uma reunião com a Ascal - Associação de Criadores de Gado do Algarve, em Odiáxere, no concelho de Lagos e distrito de Faro.
O candidato disse também que contactou o Presidente da República, sugerindo a Marcelo Rebelo de Sousa que seja estudada uma "forma de verificar a possibilidade de adiar as eleições, porque as pessoas estão a sofrer e não faz sentido tratarmos os portugueses de uma maneira e outros de outra".
"Contactei o Presidente da República nesse intermédio porque entendo que pode ser necessário para que isto aconteça haver uma declaração de estado de emergência", acrescentou, dizendo que ainda não recebeu resposta do chefe de Estado.
Questionado sobre a posição da CNE, André Ventura afirmou que nas últimas eleições presidenciais, em 2021, "quando houve o estado de emergência [devido à covid-19] foi discutida a suspensão eleitoral", apesar de não ter acontecido, e questionou "porque é que agora não é" uma possibilidade.
Sobre a resposta do adversário ao seu desafio - António José Seguro considerou essencial que as eleições se realizem no domingo, afirmando que só aceitará adiamentos "dentro do quadro legal e constitucional" -- Ventura afirmou que "é uma questão que fica com a consciência de cada um".
"Se para o doutor António José Seguro é mais importante eleições do que o bem-estar das pessoas e que as condições em que o país está neste momento, é uma questão que é do próprio e não é minha", acrescentou, criticando: "Quem nestas circunstâncias pensa em votos e em eleições sinceramente não está a fazer bem o seu trabalho, que é de nos preocuparmos essencialmente com o povo português".
"Nem eu nem o António José Seguro perderemos nada em adiar as eleições numa semana", atirou.
Questionado se também já falou com o adversário, Ventura disse que tentou contactar António José Seguro, mas ainda não teve resposta, pelo que vai "continuar a tentar ao longo das próximas horas".
O candidato apoiado pelo Chega considerou ainda que a legitimidade do resultado pode ficar em causa se a abstenção for alta, mas não vê um problema legal se a eleição não for adiada, apenas um "problema moral".
André Ventura assinalou que se "o IPMA está a dizer às pessoas para não saírem de casa" não devem os candidatos apelar aos eleitores para irem votar.
O candidato presidencial considerou também um desrespeito para com os eleitores dos concelhos que pediram o adiamento o facto de os resultados provisórios serem divulgados no domingo e considerou "um mau princípio" que os votos possam ser guardados e conhecidos mais tarde.
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