Fadista de 81 anos recusou uma cirurgia com anestesia geral e fala em "situações estranhas" no Curry Cabral.
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João Braga, de 81 anos, está há quase dois meses no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, por causa de uma ferida num calcanhar, situação agravada pela diabetes. Mas o fadista tem vivido um verdadeiro calvário. Depois de negar, a conselho de "médicos amigos", uma cirurgia com anestesia geral, isto "por causa da idade e dos antecedentes, quatro bypasses e três stents" da altura em que foi operado ao coração, o cantor garante que começou a "assistir a coisas muito estranhas". E exemplifica. "A seguir ao banho davam-me lençóis da cama para me limpar em vez de toalhas de banho. Chegaram a faltar compressas, algo muito estranho para um hospital. Um dia entrou-me uma auxiliar no quarto a insultar-me de tudo, sem eu nunca ter falado com ela. Chegou ao pé da minha cama e disse-me: 'Tu estás a morrer! A tua vida já a viveste'. Eu mandei-a sair do quarto e ela atirou-me com o urinol para cima".
João Braga desabafa: "Dizem-me que a cirurgia é mais rápida mas eu estou-me nas tintas. Eu quero é que seja seguro". Lembra que os primeiros médicos que o viram lhe garantiram que a situação se resolvia com tratamentos. Chegou mesmo a iniciá-los através de pensos a vácuo [terapia por pressão negativa usada para acelerar a cicatrização de feridas complexas]. "E estava a correr bem, como já me tinham assegurado", diz. "Mas entretanto apareceu aqui um rapaz novo a dizer que eu ia ser transferido para o São José para ser operado em cirurgia plástica, algo que contraria o que me foi dito. Essa pessoa pediu-me para assinar uns papéis para fazer a transferência, mas eu disse que não assinava nada", conta.
Atualmente, João Braga diz que já tem a alta elaborada e assinada e que já só esta à espera de vaga numa unidade de cuidados continuados, ou em Cascais ou Lisboa. "Já andava à procura de uma casa de reabilitação, porque como estou há muito tempo deitado a mobilidade vai-se embora e a massa muscular também". Sobre a denúncia do tratamento que tem recebido no Curry Cabral diz apenas: "Tenho o dever de alertar as pessoas que pensam em vir para este hospital. Já tinha aqui estado há oito anos por causa de uma gripe A e tinha ficado muito bem impressionado com o serviço, mas isto já não tem nada a ver".
A ferida no pé já vinha do final do ano, por altura de um espetáculo realizado no S.Jorge, em Lisboa. "Fiz uma bolha nos calcanhares porque estive de pé durante três horas. Foi uma estupidez da minha parte. A bolha do pé esquerdo passou rápido, mas a do pé direito complicou-se", relata. Começou por ser assistido no Hospital da Luz e depois transferido para o Curry Cabral, a 30 de Abril.
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