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Fadista João Braga recorda fuga de Portugal após perseguição das Forças Armadas: "Não sabia se voltava"

O artista recorda a sua fuga para Espanha após o 25 de Abril de 1974.

28 de fevereiro de 2026 às 21:00

O fadista João Braga emocionou-se ao recordar um dos períodos mais conturbados da sua vida, numa entrevista exibida este sábado, 28 de fevereiro, no programa 'Alta Definição', da SIC.

O artista recuou ao outono de 1974, altura em que se viu forçado a abandonar Portugal e a viver 17 meses no exílio em Espanha. Tudo começou quando se encontrava em casa dos sogros, em Cascais, e recebeu um telefonema alarmante de uma vizinha a relatar o que estava a acontecer na sua residência, em Lisboa.

Segundo contou, militares e civis terão invadido a habitação, arrombado a porta e levado todos os seus pertences: "Vieram duas camionetas, com jipes atrás, cheios de fuzileiros navais, e alguns tipos à paisana. Arrombaram a porta da tua casa e levaram tudo o que tinhas dentro. Fiquei mudo. (...) Tinham um mandado de captura emitido pelo Movimento das Forças Armadas (MFA). Tinha o seu nome e a sua morada. Não tinha fotografia, nada, zero. No canto superior direito tinha lá uma coisa em branco, o motivo", recordou a conversa com a vizinha.

Sem ligações políticas que justificassem tal medida, João Braga descreveu o choque que sentiu: "É uma sensação horrível, absolutamente sinistra. Foi das piores sensações de toda a minha vida. Comecei imediatamente a sentir uma sensação de revolta indescritível", relatou.

Perante o cenário, decidiu contactar um amigo próximo, o então coronel António Correia de Campos, que lhe deixou um aviso decisivo: "Ele disse-me assim que possas, dê por onde der, pira-te daqui para fora. Para Marrocos, para Espanha, para onde tu quiseres. Mas não fiques aqui. E não voltes a ligar para aqui", contou o fadista.

Com a mulher e o filho Filipe a seguirem para Madrid com os sogros, o fadista dirigiu-se a Elvas para tentar atravessar a fronteira. A primeira tentativa falhou, ao deparar-se com homens armados com metralhadoras G3. Ainda assim, com a ajuda de amigas espanholas, delineou um plano para ultrapassar eventuais barricadas e conseguiu passar.

"Foram dezassete meses. Eu não sabia se voltava. Não fazia a mínima ideia. Não me despedi de ninguém. (...) A minha mulher estava grávida do Miguel. Tinha engravidado na Páscoa de 74 e ele nasceu no dia 21 de dezembro. Passar o Natal sozinho já não foi assim uma coisa muito especial, mas ainda por cima passar o Natal com um filho acabado de nascer e ser impedido de o conhecer naquele momento passei mal", concluiu.

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