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Voto por genocídio arménio não vai destruir relações bilaterais

Reconhecimento pelo parlamento alemão.

03 de junho de 2016 às 08:13

Turquia e Alemanha são "dois aliados importantes" e o reconhecimento da morte de arménios pelas forças otomanas na I Guerra Mundial como genocídio pelo parlamento alemão não vai destruir as relações bilaterais, disse esta sexta-feira o primeiro-ministro turco.

"Alemanha e Turquia são dois aliados importantes. Ninguém deve esperar que as suas relações de repente se deteriorem completamente por causa dessa decisão ou de decisões semelhantes", disse Binali Yildirim durante uma conferência de imprensa em Ancara.

"Isso não quer dizer, porém, que não vamos reagir, que não vamos dizer nada", acrescentou.

Na quinta-feira, o Presidente turco advertiu que a adoção pelos deputados alemães de uma resolução que reconhece o genocídio arménio, um termo contestado pela Turquia, iria "afetar seriamente as relações turco-alemãs".

"Esta resolução vai afetar seriamente as relações turco-alemãs", referiu Recep Tayyip Erdogan perante os jornalistas no Quénia, onde se encontra em visita oficial, acrescentando que no seu regresso à Turquia será tomada uma decisão sobre as eventuais medidas a adotar.

Numa primeira decisão, Erdogan anunciou que o embaixador turco em Berlim, Hüsein Avni Karslioglu, foi chamado a Ancara para consultas. A chanceler alemã, Angela Merkel, reagiu às declarações de Erdogan e optou por sublinhar as "amplas relações" entre a Alemanha e a Turquia, no decurso de uma conferência de imprensa conjunta em Berlim com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.

Após considerar que a abordagem de questões controversas "também faz parte da democracia", Merkel expressou o desejo que a Alemanha possa contribuir para "impulsionar o diálogo entre a Arménia e a Turquia" e promover um debate sobre "como se supera a história".

Ao contrário de Ancara, as autoridades de Erevan reagiram com satisfação ao resultado da votação no Bundestag (parlamento alemão), onde a resolução reconhece a existência do genocídio arménio na fase final do império otomano.

Erevan considera que 1,5 milhões de arménios foram mortos de forma sistemática no final do império otomano, no decurso da I Guerra Mundial. Numerosos historiadores e mais de 20 países, incluindo França, Itália e Rússia, reconheceram que os massacres assumiram as características de um genocídio.

Para Ancara, que não renega a sua antiga e histórica tradição otomana - um dos mais importantes impérios europeus durante cinco séculos -, a perda de tantas vidas inocentes e a expulsão das suas terras ancestrais foi um destino comum para as populações da região, cristãs ou muçulmanas, em tempos de crises, guerras e caos.

A versão oficial turca reduz a 500 mil o número de arménios mortos entre 1915 e 1917, e insiste que foi resultado de uma violência étnica exercida em ambas as direções.

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