A importância estratégica da presença em Espanha

Foi a operação dos CTT em Espanha que mais contribuiu para a sua transformação, à qual se juntaram a aquisição da Cacesa e a parceria com a DHL na Península Ibérica

30 de março de 2026 às 12:56
João Bento defende que a aposta em Espanha foi decisiva para a transformação dos CTT e para a afirmação do grupo na logística ibérica do comércio eletrónico Foto: DR
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Quando João Bento chegou aos CTT - Correios de Portugal, em maio de 2019, havia “uma grande pressão do mercado e até de alguns acionistas, com voz e com cara, para que vendêssemos ou encerrássemos a operação em Espanha, na medida em que era uma operação muito deficitária”.

O turnaround em Espanha, em 2021, foi decisivo para que, três anos depois, as receitas do correio expresso ultrapassassem as do correio, e hoje a Espanha tem mais importância neste negócio do que Portugal. João Bento sublinha que “teria sido um erro grande, na medida em que o mercado português era demasiado pequeno para conseguirmos encontrar substituição para as receitas perdidas no correio normal”.

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Para João Bento, esta estratégia estava em consonância com a tendência de crescimento do comércio eletrónico em todo o mundo, sobretudo o transfronteiriço, em que 20% deste comércio sai da Ásia para a América do Norte, 20% para a Europa e 20% na Ásia-Pacífico. O mercado intereuropeu é apenas ligeiramente mais baixo e o restante corresponde a outros fluxos pelo resto do mundo. “Sabendo a importância que tinha a nossa grande exposição ao comércio transfronteiriço vindo da Ásia, precisávamos muito de preencher esta zona da cadeia de valor”, refere João Bento.

Cacesa e DHL

Dentro desta estratégia, em dezembro de 2024, os CTT adquiriram a espanhola Cacesa, que é “líder em Espanha e o maior operador de desalfandegamento de comércio eletrónico da Europa, e está já em 16 países. Era coincidente com a nossa estratégia, mas alterava estruturalmente o nosso posicionamento, na medida em que passámos a estar presentes em muitos países, no início da cadeia de valor e, no caso da Ibéria, sendo líderes logo desde esse momento”, explica João Bento.

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Em dezembro de 2024, os CTT e a DHL eCommerce estabeleceram uma parceria estratégica para criar uma rede líder de encomendas na Península Ibérica, com capacidade superior a 1 milhão de envios por dia, que recebeu a aprovação da Comissão Europeia. “Comprámos a DHL em Portugal e em Espanha, cruzámos participações, e o B2C (business to consumer) que captarmos é entregue por nós, todo o B2B (business to business) é entregue por eles”, assinala João Bento.

Com esta operação, os CTT passam a fazer na Península Ibérica a distribuição de grandes marcas globais, porque estas contratam com operadores globais. A empresa portuguesa passa a estar muito mais exposta à distribuição na Ibéria, “com uma oferta muito competitiva, de qualidade e com preço competitivo, e a própria DHL vai conseguir trazer mais fluxos para a Ibéria, que são depois distribuídos por nós. Por outro lado, dá-nos a capacidade de vender na Ibéria a exportação para o mundo, porque a DHL é nada mais do que o maior operador do mundo, está presente em 200 países”, disse João Bento.

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