A limpeza e a higienização na era da automação e da IA
Com um investimento anual de 200 milhões de euros em investigação e desenvolvimento, a multinacional alemã reposiciona-se como fornecedora de soluções tecnológicas integradas e sustentáveis, passando de fabricante de equipamentos a empresa de soluções digitais integradas
O setor dos equipamentos de limpeza está a atravessar uma transformação silenciosa, mas profunda. A Kärcher, líder global do mercado, investe anualmente cerca de 200 milhões de euros em investigação e desenvolvimento, apostando na automação, na robótica, no big data e na inteligência artificial, explicou Miguel Frasquilho, anfitrião do programa Economia Sem Fronteiras, no canal Now.
Para Nuno Pereira Coutinho, managing director da Kärcher em Portugal, a automatização é uma tendência transversal a todas as indústrias, e a Kärcher não é exceção. “Tem inúmeras vantagens em termos de se poder trabalhar todo o dia. As pessoas são importantes, mas algumas passarão para outras áreas e as empresas poderão automatizar estas funções mais básicas”, considerou o responsável da Kärcher em Portugal.
Adianta que “o que a Kärcher tenta fazer é não só vender soluções mais automatizadas, e estamos a lançar mais produtos nessa área, mas, em termos de inteligência artificial, também a utilizamos nos nossos processos para conseguirmos fazer as coisas de uma forma mais eficiente”.
Esta evolução tecnológica está igualmente a redesenhar o modelo de negócio. Nos equipamentos robotizados, “o sistema necessita de um acompanhamento regular, não é tanto a venda do equipamento ao cliente, mas é mais um serviço mensal em que durante “x” anos tem acompanhamento e atualizações. Muda a forma”, explica Nuno Pereira Coutinho. A lógica de subscrição permite fidelizar clientes e, simultaneamente, garantir a qualidade do serviço prestado, ou seja, “acompanhar o cliente para ter a certeza de que tudo está a correr bem”. A gama Kira, que possibilita operações autónomas em ambientes exigentes com monitorização em cloud, é a expressão mais visível dessa viragem tecnológica.
A eficiência hídrica
A sustentabilidade é outro eixo estruturante desta reconfiguração. Em todas as unidades de produção e logística da Kärcher, a energia elétrica já provém de fontes renováveis. Mas, como afirma Nuno Pereira Coutinho, as preocupações não passam apenas pela energia ou pelos materiais utilizados nos equipamentos, mas estendem-se ao próprio uso dos equipamentos. “Por exemplo, as máquinas de alta pressão têm um consumo de água muito menor do que uma mangueira. Faz uma compressão da água, dá-lhe mais força e, ao fazer isso, necessita de menos água”, assinalou Nuno Pereira Coutinho.
A eficiência hídrica chegou mesmo a converter-se em vantagem competitiva em mercados afetados pela escassez de água. “Mesmo em sítios onde houve falta de água, as máquinas continuaram a ser liberalizadas e até foi aumentado o seu uso porque permitiam que as populações poupassem água”, revelou Nuno Pereira Coutinho.
O managing director da Kärcher sublinha que “a consciência ambiental é um dos princípios fundamentais da Kärcher”, visível num portefólio que abrange desde equipamentos domésticos até à limpeza urbana e de veículos. O que começou como um negócio de máquinas tornou-se, progressivamente, uma proposta de valor em que a tecnologia, os dados e a responsabilidade ambiental se entrelaçam, e em que o cliente deixa de comprar um produto para passar a subscrever uma solução.
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