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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Quem são os três portugueses detidos por Israel em interceção de Flotilha humanitária que rumava a Gaza

"Esta ação constitui uma violação flagrante do Direito Internacional, nomeadamente dos princípios da livre navegação e da proteção de missões humanitárias", refere a organização da Flotilha em comunicado.

30 de abril de 2026 às 20:32

Nuno Gomes, Joana Rocha e Diogo Chaves são os nomes dos três portugueses que participavam na Flotilha humanitária 'Global Sumud' e que acabaram detidos pelas forças israelitas, na madrugada desta quinta-feira, quando tentavam chegar a Gaza. A Marinha israelita intercetou a Flotilha ao largo da costa da Grécia e apreendeu alguns barcos. Os portugueses seguiam em navios diferentes e até ao momento "não há qualquer informação sobre o seu paredeiro, destino, ou estado de saúde", refere a organização da Flotilha em comunicado. 

"Esta ação constitui uma violação flagrante do Direito Internacional, nomeadamente dos princípios da livre navegação e da proteção de missões humanitárias", referem. 

De acordo com os ativistas, seguiam a bordo outros portugueses para além dos três detidos pelas forças israelitas.

Um dos ativistas portugueses detidos, Diogo Chaves, já tinha sido detido na interceção da Flotilha que rumava a Gaza em outubro de 2025, onde seguiam a ex-líder do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua e a atriz Sofia Aparício. Diogo Chaves seguia, desta vez, junto da delegação holandesa. 

O ministro dos Negócios Estrangeiros português já veio referir que o governo português convocou o embaixador israelita para dar explicações sobre a detenção dos três portugueses, garantindo que as autoridades consulares estão preparadas para acolher os ativistas na Grécia ou em Israel. 

"Como houve esta operação em águas internacionais, dei instruções e já foi chamado o embaixador de Israel para dar explicações junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros", afirmou o ministro Paulo Rangel esta quinta-feira. 

Numa publicação nas redes sociais, os ativistas descreveram a interceção como "um ataque violento em águas internacionais". Os ativistas pró-palestinianos referem ainda que as comunicações dos barcos foram bloqueadas no momento da interceção por parte da marinha israelita, impedindo-os de pedir ajuda. 

Os ativistas que não foram detidos pela forças israelitas estão em embarcações ancoradas ao largo da Grécia a avaliar como proceder, segundo fontes da delegação italiana integrante da Flotilha. O ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel referiu que estava a levar para o país cerca de 175 ativistas de mais de 20 barcos que integravam a Flotilha, tendo o ministro israelita apontado que todos seriam transferidos para a Grécia, em coordenação com as autoridades gregas. 

 A Flotilha Global Sumud partiu de Barcelona no início de abril, com a organização a dar conta de mais de mil pessoas a bordo num total de 70 navios, segundo informação revelada pela Associated Press

Uma publicação feita pela organização da Flotilha mostra o momento em que a marinha israelita interceta uma das embarcações. 

A organização da Flotilha pede a "condenação imediata e pública da interceção ilegal por parte do Governo português e da União Europeia" perante o sucedido, assim como a abertura de uma investigação internacional, referem no comunicado. 

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco já veio condenar as detenções, que apelidou como "um ato de pirataria". A Espanha convocou o embaixador israelita em Madrid para condenar a interceção e apelou para que o direito internacional fosse respeitado, apontada a Associated Press. Já a Itália e Alemanha referiram estarem a acompanhar o sucedido com "grande preocupação". 

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